O IV Encontros de Ori começa nesta quinta-feira (30), em Foz do Iguaçu, com uma discussão que vai além da agenda cultural: como práticas mantidas por grupos negros da cidade podem abrir oportunidades de renda ligadas ao turismo.
Até domingo (2), o encontro ocupará o Ilê Baru, o Jardim Allegretto e a Praça da Mentira, na Vila C Nova. Haverá feira comunitária, cinema, oficinas, rodas de conversa, samba e maracatu.
Mediadora cultural e doutora em Letras, Izabela Fernandes idealizou e coordena o Encontros de Ori. Segundo ela, a programação busca enfrentar o racismo e a intolerância religiosa por meio da educação, da memória e das linguagens artísticas.
“Nosso objetivo, desse modo, é atuar no combate às desigualdades a partir da educação, a partir da memória, da publicização da memória, das linguagens artísticas”, explica.
Izabela diz que povos de terreiro, comunidades quilombolas, indígenas e pescadores integram a história e a diversidade cultural de Foz, mas ainda enfrentam barreiras para o reconhecimento de suas práticas. No caso dos terreiros, ela relaciona o racismo religioso ao afastamento de pessoas desses espaços.
Ao levar atividades ao terreiro, à praça pública e a locais ligados ao samba e ao maracatu, o encontro busca ampliar o contato do público com essas tradições e com quem as mantém. A programação também discutirá Carnaval, políticas públicas, identidade negra e turismo comunitário.
O afroturismo será um dos temas desta quarta edição. O ponto de partida é a ideia de que nem toda rota precisa estar desenhada em um mapa. Ela também pode nascer de memórias, saberes transmitidos entre gerações e histórias preservadas por grupos locais.
A partir do Encontros de Ori, foi criada a página Rotas Negras da Fronteira, que reunirá registros de coletivos, trajetórias e experiências ligadas à presença negra na cidade e nos municípios vizinhos. O conteúdo será publicado no perfil @rotasnegrasdafronteira, no Instagram.
“As Rotas Negras da Fronteira são um dos temas do Encontros de Ori e estamos articulando para que se tornem um novo eixo de construção e fortalecimento das práticas e culturas negras da região”, diz Izabela.
Segundo os organizadores, a página não pretende abranger toda a diversidade de comunidades e histórias da fronteira nem apresentar, neste momento, um roteiro turístico concluído. Nos próximos meses, deverá publicar imagens, relatos e outros materiais.
A geração de renda também aparece nas atividades. Na sexta-feira (31), o Ilê Baru receberá uma feira comunitária com venda de produtos. Na mesma noite, será exibido o filme A Cidade das Mulheres, seguido de debate.
No sábado (1º), o Jardim Allegretto recebe a exposição Tambores da Fronteira: Alvorada Nova e Kaburé Maracatu — Trajetória e Fazeres. Também haverá conversa sobre samba e memória, apresentação do Kaburé Maracatu e a Roda de Samba do Ilê Baru.
A edição celebra os 13 anos do Grupo Alvorada Nova e os dez anos do Ponto de Cultura Kaburé Maracatu. O encerramento será no domingo (2), na Praça da Mentira, com oficina de maracatu de baque virado, roda de conversa e apresentação do Maracatu Alvorada Nova.
A abertura será às 19h desta quinta-feira, no Ilê Baru, na Rua Dracena, 348, no Jardim Lancaster. A primeira noite terá o Toque de Terreiro: Memória, Corpo e Ancestralidade e uma conferência sobre cultura popular e o Carnaval de Foz.
O Encontros de Ori é promovido pela Associação da Segurança e Cultura Alimentar de Foz do Iguaçu, em parceria com o Ilê Baru, o Kaburé Maracatu e a Corisco Arte e Cultura. Tem apoio do Itaipu Parquetec e ocorre junto à II Mostra de Cinema de Povos e Comunidades Tradicionais.