A assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi oficialmente adiada para janeiro, a dois dias da cúpula de chefes de Estado marcada para este sábado (20), em Foz do Iguaçu.
A decisão foi comunicada nesta quinta-feira (18) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após reunião com líderes da União Europeia em Bruxelas.
O adiamento ocorreu porque o bloco europeu não conseguiu formar maioria política entre seus 27 Estados-membros, condição necessária para autorizar a formalização do tratado.
França e Itália lideraram a resistência, sob pressão de setores agrícolas contrários ao acordo, segundo informações divulgadas por agências europeias e confirmadas pela Agência Brasil.
Apesar do revés diplomático, a cúpula do Mercosul está mantida e reunirá os presidentes Lula (Brasil), Santiago Peña (Paraguai), Javier Milei (Argentina) e Yamandú Orsi (Uruguai).
O encontro encerra o semestre da presidência pro tempore brasileira do bloco.
Mais cedo nesta quinta-feira, o presidente afirmou ter conversado por telefone com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, um dos países considerados decisivos para a formação de maioria no bloco europeu.
Segundo Lula, a líder italiana não se opõe ao acordo, mas pediu mais tempo para administrar resistências internas de produtores rurais.
Negociado há mais de 25 anos, o acordo Mercosul–União Europeia, se concluído, criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 722 milhões de consumidores e um PIB combinado estimado em US$ 22 trilhões.
Pelo desenho do tratado, a União Europeia ampliaria exportações industriais ao Mercosul, enquanto o bloco sul-americano teria maior acesso ao mercado europeu para produtos agropecuários.
Integração Brasil x Paraguai
Lula desembarca na cidade nesta sexta-feira (19), quando participa da inauguração da Ponte Internacional da Integração Brasil–Paraguai.
A obra, considerada estratégica para a logística regional e o escoamento de cargas, integra um pacote de R$ 712 milhões em investimentos da Itaipu Binacional, que inclui ainda as aduanas e a Perimetral Leste no lado brasileiro, voltado à reorganização da infraestrutura de fronteira.