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Falha em avaliação da Seed traz à tona pressão a alunos e críticas contra o exame

Professores argumentam que aplicação remota pode maquiar resultados

Falha em avaliação da Seed traz à tona pressão a alunos e críticas contra o exame
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Falhas no sistema de acesso a uma avaliação on-line da rede estadual de educação do Paraná deixaram milhares de alunos na mão nesta quarta-feira (9). A instabilidade se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais e foi o pontapé para outras críticas em relação ao exame. O tema chegou a movimentar até a sessão plenária da Assembleia Legislativa (Alep), com deputados cobrando respostas sobre um suposto vazamento de gabaritos – o que a Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (Seed) disse ser falso.

As dificuldades técnicas surgiram no início da manhã, acarretando uma série de comentários de estudantes que não conseguiram acesso à plataforma. Segundo a secretaria, o problema teve relação com a grande quantidade de acessos simultâneos ao sistema da entidade organizadora. As provas foram elaboradas e aplicadas pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd), dentro de um contrato de R$ 13,4 milhões fechado com o Executivo em 2019 para a prestação de serviço especializado em avaliação educacional, entre eles a realização da Prova Paraná, que teve três de suas quatro edições suspensas no ano passado por causa da crise do coronavírus.

A intenção do governo é que os exames desta semana substituam temporariamente a Prova Paraná, e que seus resultados indiquem como foi a aprendizagem dos alunos da rede durante a pandemia. Apesar disso, o modelo de avaliação chamou a atenção.

Por um lado, vieram à tona situações de pressão para que alunos não deixassem de se submeter aos questionários. Uma escola de Curitiba – a Etelvina Cordeiro Ribas, que entrou no pacote das escolas cívico-militares criadas pelo governador Ratinho Jr. no ano passado – ameaçou retirar 30 pontos no trimestre de matriculados que não fizerem a avaliação; em troca de comparecimento, o colégio prometeu suco e cachorro-quente e uma apresentação de teatro à turma com maior presença e melhor desempenho.

A Seed, no entanto, afirmou não ter autorizado nenhuma escola a descontar pontos de estudantes que deixarem de fazer os exames, e afirmou que a avaliação não se trata de uma atividade valendo nota.

“A atividade diagnóstica não terá ranking, pois o objetivo é identificar as habilidades e os conhecimentos que os estudantes adquiriram durante o período das aulas remotas e as lacunas de aprendizagem ainda existentes, para poder replanejar as ações pedagógicas e acompanhar a evolução dos estudantes ao longo do percurso letivo”, diz texto publicado no site da secretaria.

O diretor da escola, Jose Carlos Real Koehler, afirma que todas as ações para incentivar os alunos a fazerem as provas foram pactuadas com os pais em reuniões virtuais com alto índice de comparecimento.

Reprodução Facebook

Além disso, professores acreditam que as características da prova podem desvirtuar o diagnóstico de ensino dos estudantes e, consequentemente, afetar o planejamento de retomada das aulas presenciais.

O argumento gira em torno das condições disponibilizadas. Alunos que optarem por fazer a prova impressa têm o direito de levar os cadernos de questões para casa, devendo devolvê-los até sexta-feira. Já a avaliação on-line tem tempo de realização restrito de 2h30, mas com acesso liberado das 7h30 às 21h30 – sem a secretaria explicar como impediria estudantes de passarem gabaritos a colegas que deixassem para acessar o sistema mais tarde.

“Tudo bem que não é uma avaliação, mas também é uma prova sem função diagnóstica, que não vai medir de verdade como está a aprendizagem do aluno. Se fosse esta a intenção, deveria ser feita ao voltar presencialmente”, pontuou a professora Walkiria Mazeto, da APP Sindicato, que representa os docentes da rede estadual.

Segundo ela, a proposta da avaliação em curso é a mesma que a executada pelas escolas da rede, de forma individual, no início de cada ano letivo. O resultado é uma espécie de termômetro para medir o domínio dos conceitos já trabalhados por cada turma e serve, por isso, como base para a orientação de planejamento de conteúdos.

“Foi feita uma grande pressão sobre as escolas, que elas seriam obrigadas a fazer todos os estudantes a participarem dessa prova, e quando chegou hoje cedo, o sistema não abriu. Várias escolas dispensaram os alunos porque chegaram a ficar três aulas tentando, mas não conseguiram abrir”, relata a docente, referindo-se à falha no sistema relatado no início da manhã.

O assunto também repercutiu na sessão plenária desta quarta nesta quarta. O deputado da oposição Tadeu Veneri (PT) cobrou resposta de supostos gabaritos que já estariam circulando antes do início dos exames – o que foi negado pela Seed. “O teste é randômico e as questões são alternadas em todas as provas; bem como a atividade impressa é diferente da atividade online”, disse, em nota, a pasta. O parlamentar ainda falou que deve encaminhar nos próximos dias um requerimento de pedido de informação para que o órgão dê mais detalhes sobre o contrato mantido com a UFJF, assinado em processo de dispensa de licitação.

Também em nota, o governo pediu desculpa aos estudantes e informou que quem não conseguir realizar a avaliação nesta quarta-feira, poderá fazê-la nesta quinta ou sexta, conforme organização das escolas. Para o 6º ano, a avaliação é composta por 44 questões, sendo metade de Português e a outra de Matemática. Já para as demais séries são 52 questões (26 de cada uma das duas disciplinas).

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