Estrangeiros que moram em Curitiba relatam demora no atendimento da Polícia Federal (PF) para regularizar o visto. Na última semana, por exemplo, a reportagem ouviu de alguns usuários que houve instabilidade no sistema, o que também atrasou o procedimento.
O atendimento de imigrantes é feito por meio de trabalhadores terceirizados, o que causou piora no serviço, de acordo com relatos dados ao Plural. A Polícia Federal, por meio da assessoria de imprensa, disse que os recepcionistas terceirizados “atuam sob supervisão de servidores da instituição, garantindo o alinhamento com os procedimentos e diretrizes estabelecidos”.
O superintendente da PF no Paraná, Rivaldo Venâncio, por outro lado, apontou que a demora no atendimento tem relação com a terceirização e limitação de recursos durante uma reunião ocorrida no início do mês com o deputado estadual Goura (PDT), segundo informações da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Sistema
Recentemente, estrangeiros relataram ao Plural que precisaram remarcar o agendamento porque o sistema estava fora do ar. O reagendamento, segundo eles, não teria previsão para acontecer. Questionada, a PF disse que a informação não procede. “Nos casos em que, por motivo de força maior, o sistema se encontra inoperante, os migrantes são reagendados para os dias subsequentes. Normalmente, o novo comparecimento é marcado para até uma semana após a tentativa frustrada, podendo esse prazo variar conforme a demanda de reagendamentos. Ressaltamos que nem sempre é possível agendar para o dia seguinte”, respondeu, em nota a Polícia.
Delonga
Dados da própria Polícia Federal apontam que nos últimos 15 anos mais de 39 mil pessoas pediram visto na sede de Curitiba. A organização não-governamental Casa Latino-Americana (Casla) estima entre 15 mil e 19 mil imigrantes e refugiados vivendo hoje na cidade.

A fila para o agendamento para regularizar a situação no Brasil pode chegar a três meses para estrangeiros que moram em Curitiba. Isso causa apreensão e pode deixar a pessoa em situação ilegal.
De acordo com a Polícia Federal o prazo de regularização da situação dos estrangeiros varia de acordo com a documentação apresentada por cada um. “Estando a documentação em conformidade com as exigências legais, o pedido é deferido. A confecção do documento de identificação (carteira) leva, em média, de 90 a 120 dias. Durante esse período, o migrante pode solicitar o número do Registro Nacional Migratório (RNM), que possui validade para todos os fins legais”, detalhou em nota a PF.
Para o segundo semestre, conforme o deputado Goura, deve ser organizada uma audiência pública na Alep para tratar do atendimento dos migrantes.