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Prefeitura libera mais R$ 7,5 mi para o Athletico

Pagamentos se referem as obras realizadas no estádio do Clube, a Arena, para a Copa do Mundo de 2014

Prefeitura libera mais R$ 7,5 mi para o Athletico

Na sexta-feira, 9 de outubro, um decreto abriu mais R$ 7,5 milhões de crédito para a mesma finalidade, levando a dotação deste ano a R$ 28,4 milhões. O benefício foi criado por uma lei de 2010 para compensar a reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014 e, doze anos depois do torneio, ainda tem R$ 221,9 milhões a repassar.

A Prefeitura de Curitiba vende potencial construtivo no mercado imobiliário e transfere o dinheiro para o Club Athletico Paranaense. Desde abril de 2025 foram vinte pagamentos, somando R$ 37.288.591,62, segundo o próprio Portal da Transparência.

O Decreto 1.653/2026 tem três artigos e não cita o clube, o estádio nem a Copa. Abre crédito adicional suplementar de R$ 7,5 milhões, informa que o recurso vem do "excesso de arrecadação" na Fonte 1107 e justifica a despesa em uma linha: "para atender despesas com subvenções econômicas". O nome completo da fonte é a única pista — "Potencial Construtivo - Lei Municipal nº 13.620/2010 - Decreto nº 1.061/2024" — e é preciso ir a esses dois atos para entender do que se trata.

Para onde vai o dinheiro

A Fonte 1107 financia uma única despesa em todo o orçamento municipal: a ação "Transferência de Recursos às Entidades Econômicas — Subvenções Econômicas", da Secretaria Municipal do Urbanismo. E essa despesa não tem nenhuma outra fonte.

No Portal da Transparência, com o filtro dessa fonte, aparecem vinte pagamentos entre 1º de janeiro de 2024 e 11 de outubro de 2026. O favorecido é sempre o mesmo: Club Athletico Paranaense. O portal fecha o período com "Total liquidado: R$ 37.288.591,62 / Total pago: R$ 37.288.591,62".

Ano Pagamentos Valor
2024 nenhum —
2025 10, de 24 de abril a 12 de dezembro R$ 18.146.123,85
2026, até 11 de setembro 10, de 30 de janeiro a 11 de setembro R$ 19.142.467,77
Total 20 R$ 37.288.591,62

Os repasses de 2026 são mensais e crescentes: começaram em R$ 875.135,72 em janeiro e chegaram a R$ 3.060.265,55 em 11 de setembro. Tudo o que foi empenhado foi liquidado e pago no mesmo valor — não há resto a pagar nessa linha.

Com os R$ 7,5 milhões do decreto de sexta-feira, a dotação de 2026 passa de R$ 20,9 milhões para R$ 28.375.135,72. A Lei Orçamentária havia previsto R$ 20 milhões.

De onde vem o benefício

A Lei Municipal 13.620, de 4 de novembro de 2010, instituiu potencial construtivo relativo ao Estádio Joaquim Américo Guimarães — a Arena da Baixada. Era o Programa Especial da Copa do Mundo FIFA 2014. Em 2012, a Lei 14.219 elevou o valor autorizado ao clube: de R$ 90 milhões para R$ 123.066.666,67, conforme informações que a Secretaria Municipal do Urbanismo prestou ao Plural.

O acerto original está num convênio de 20 de setembro de 2009 entre o Governo do Paraná, o Município e o clube, com termos aditivos de maio de 2012. O que aconteceu depois está escrito, com todas as letras, nos considerandos do decreto que hoje rege o repasse: "houve inadimplência por parte do Clube Atlético Paranaense em relação aos compromissos assumidos no Convênio citado acima, com a interrupção da concessão do potencial construtivo neste período". A concessão só foi retomada depois de um acordo judicial entre o município e o clube em três ações de 2015.

O Decreto 1.061, de 8 de julho de 2024, assinado pelo então prefeito Rafael Greca e pelo então secretário do Urbanismo Julio Mazza de Souza, formalizou essa retomada. Reconheceu um saldo remanescente de R$ 240.586.244,95 e definiu como ele seria pago: o município concede Cotas de Potencial Construtivo, vende essas cotas no mercado, recolhe o dinheiro em conta vinculada e o transfere "para conta bancária específica, em nome do Clube Atlético Paranaense". A cada ano pode comercializar um doze avos do saldo, corrigido pela variação do Custo Unitário Básico da construção civil. O município retém 2% do valor concedido, que vende por conta própria.

Quanto já foi vendido e quanto falta

No primeiro ano do acordo, entre 1º de junho de 2024 e 31 de julho de 2025, a Prefeitura vendeu R$ 20.545.829,73 em cotas, contra uma meta anual de R$ 20.048.873,54 — praticamente no alvo. Pelo balanço do clube, o saldo ainda disponível para venda era de R$ 221,9 milhões em 31 de dezembro de 2025.

No ritmo dos dois primeiros anos, pouco mais de R$ 18 milhões repassados por exercício, levaria mais de uma década para zerar.

O crédito suplementar de sexta-feira não significa que o município tenha repassado além do permitido. O limite de um doze avos vale para quanto pode ser vendido por ano, não para quanto é transferido — e havia atraso a quitar. Até meados de 2025, a Prefeitura tinha vendido R$ 20,5 milhões em cotas e repassado R$ 8.048.253,60 ao clube, uma diferença de R$ 12,5 milhões arrecadados e ainda não transferidos. Os pagamentos de 2026 estão zerando essa defasagem.

Não confundir com os outros potenciais construtivos da cidade

O caso da Arena é um regime à parte e não aparece no portal onde a Prefeitura cataloga o potencial construtivo comum. Naquele catálogo, medido em metros quadrados, havia 215 registros e 1,57 milhão de m² emitidos em maio de 2026, distribuídos entre imóveis de interesse de preservação, reservas naturais particulares e outras categorias — números que não são somáveis aos reais do caso do estádio, porque a unidade e o regime jurídico são outros.

Também é diferente dos Cepacs da Operação Urbana Consorciada Linha Verde, regidos pela Lei 13.909/2011 e leiloados na B3, que o Plural noticiou em setembro ao mostrar que a cidade vai leiloar R$ 366 milhões em potencial construtivo: em 13 anos e 11 leilões, entre 2012 e 2025, esses leilões renderam R$ 76,9 milhões. No caso do estádio, não há leilão: as cotas são vendidas diretamente pelo município a quem quer construir acima do limite do zoneamento, e o dinheiro tem destinatário certo.

Perguntas rápidas

O que é o potencial construtivo da Arena da Baixada?
É um benefício criado pela Lei Municipal 13.620/2010, no âmbito do Programa Especial da Copa do Mundo de 2014, que reconheceu ao Club Athletico Paranaense o direito a um valor em potencial construtivo como contrapartida pela reforma do estádio.

Por que a Prefeitura paga o clube?
Porque o Decreto 1.061/2024 determina que o município venda Cotas de Potencial Construtivo correspondentes a esse saldo e transfira o resultado ao clube. O dinheiro é recolhido em conta vinculada do município e repassado a uma conta específica em nome do clube.

Quanto já foi repassado?
R$ 37.288.591,62 em vinte pagamentos, entre 24 de abril de 2025 e 11 de setembro de 2026, segundo o Portal da Transparência de Curitiba.

Quanto ainda falta?
R$ 221,9 milhões em 31 de dezembro de 2025, conforme o balanço do clube. O município pode vender até um doze avos do saldo por ano, corrigido pelo CUB.

Quem compra as cotas?
Quem quer construir acima do limite do zoneamento em lotes elegíveis. As cotas são vendidas diretamente pelo município, fora do portal onde está catalogado o potencial construtivo comum e fora dos leilões de Cepac da Linha Verde.

Última atualização: 11 de outubro de 2026.

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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