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Eleitos impulsionaram pauta anti-Lula nas redes sociais

Propostas e grandes temas ficaram de fora da campanha. O conteúdo pago no Facebook e no Instagram pela bancada eleita do Paraná em 2026 girou em torno de combate à corrupção, apoio ao bolsonarismo e crítica ao governo Lula — não de projetos para a legislatura

Eleitos impulsionaram pauta anti-Lula nas redes sociais
Foto: dole777 / Unsplash

Propostas e grandes temas ficaram de fora da campanha. O conteúdo pago no Facebook e no Instagram pela bancada eleita do Paraná em 2026 girou em torno de combate à corrupção, apoio ao bolsonarismo e crítica ao governo Lula — não de projetos para a legislatura. Clima, reforma tributária, nova regra fiscal, pauta de educação como política pública e debates sobre segurança além do viés policial praticamente desapareceram do digital pago da bancada que ocupará as cadeiras federais e estaduais a partir de fevereiro.

Base: criativos verificados na Biblioteca de Anúncios da Meta (facebook.com/ads/library) para as 10 maiores páginas de eleitos pelo Paraná com gasto declarado em impulsionamento, cruzada com a prestação de contas 2026 (TSE, dado parcial de 02/10/2026) e com a base de candidaturas do Plural. Última atualização em 7 de outubro de 2026.

O eixo anti-Lula pagou pelo digital eleito

Dos dez eleitos pelo Paraná que mais contrataram o Facebook em 2026, seis publicaram conteúdo centrado em oposição ao governo Lula, combate à corrupção ou apoio explícito ao bolsonarismo — e são responsáveis por R$ 3 em cada R$ 5 declarados pela bancada paranaense à plataforma. Os quatro restantes dividiram o espaço entre prestação de contas de mandato (saúde, Copel, agricultura familiar, proteção animal) e pauta assistencial — sem grandes causas estruturais no feed.

EleitoPartidoCargoFacebook (R$)Linha editorial dominante
Delegado Matheus LaiolaUniãoDep. federal894.200Proteção animal, saúde, mulheres (prestação de mandato)
Filipe BarrosPLSenador660.000Apoio explícito a Michelle e Jair Bolsonaro, Nikolas Ferreira
Deltan DallagnolNovoSenador490.000Combate à corrupção, legado Lava Jato
Sergio MoroPLGovernador470.018Combate à corrupção, grade "Flávio Bolsonaro presidente 22"
Arilson ChioratoPTDep. federal450.000Copel pública (anti-privatização), anti-pedágio
Rosangela MoroPLDep. federal402.999Inclusão/educação especial, chapa com Moro governador
Zeca DirceuPTDep. federal346.000Uopeccan (câncer/SUS), agricultura familiar, estradas rurais
Ricardo ArrudaPLDep. federal283.000"Deus, pátria, família e liberdade" (criativo de 2022 ainda rodando)
Beto PretoPSDDep. federal207.915Teste do pezinho ampliado de 7 para 51 doenças (gestão Ratinho)
Tião MedeirosPPDep. federal160.000Humor/proximidade ("Deputado TikToker?")

O que não entrou no feed pago

A varredura pelos criativos ativos e inativos da bancada paranaense eleita, feita diretamente na Biblioteca de Anúncios da Meta, mostra pautas que não compraram espaço no último ciclo. Clima e meio ambiente não aparecem: nenhum criativo pago sobre a COP30, sobre a nova regulação ambiental ou sobre os efeitos das queimadas no estado. Reforma tributária e nova regra fiscal também passaram em branco — nenhum eleito paranaense colocou dinheiro para explicar ou defender posição sobre a lei complementar aprovada no ano passado e em regulamentação na Câmara. Pauta negra e LGBTQIA+ estão ausentes dos criativos pagos da bancada eleita, e a reforma administrativa não gerou um único anúncio.

Segurança pública aparece apenas sob o ângulo policial e de proteção animal, no criativo de Delegado Matheus Laiola — ninguém pagou para discutir dados criminais, policiamento comunitário ou sistema prisional. Educação como política de longo prazo foi tratada só por Rosangela Moro no recorte específico de educação especial; evasão escolar, novo ensino médio, alfabetização e piso do magistério ficaram fora.

O conteúdo mais nítido ideologicamente veio de candidatas que não se elegeram (ver próximo bloco). A bancada que efetivamente vai assumir cadeira ficou com um mix pouco programático: cerca de 60% em pauta anti-Lula, bolsonarista e combate à corrupção; os outros 40% em prestação de contas setorial de mandato.

Os 3 maiores anunciantes digitais do PR não se elegeram

O deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos), a jornalista Cristina Graeml (PSD) e o deputado federal Sandro Alex (PSD) foram, nesta ordem, os três candidatos que mais pagaram para a Facebook Serviços Online do Brasil em 2026 — somados, R$ 3,38 milhões. Curi disputou o Senado, Graeml também, e Sandro Alex concorreu ao governo do Paraná. Nenhum dos três foi eleito.

#CandidatoCargoPartidoGasto Facebook (R$)Resultado
1Alexandre CuriSenadorRepublicanos1.350.700Não eleito
2Cristina GraemlSenadorPSD1.073.950Não eleita
3Sandro AlexGovernadorPSD964.850Não eleito
4Delegado Matheus LaiolaDep. federalUnião894.200Eleito
5Filipe BarrosSenadorPL660.000Eleito
6Reinhold Stephanes JuniorDep. federalPL581.000Suplente
7Roberto RequiãoDep. federalPDT510.705Não eleito
8Sergio MoroGovernadorPL470.018Eleito
9Lucas BaroneDep. federalPSD439.999Suplente
10Rosangela MoroDep. federalPL402.999Eleita
11Gleisi HoffmannSenadorPT350.000Não eleita
12André VargasDep. federalPT318.000Suplente
13Deltan DallagnolSenadorNOVO285.000Eleito
14Elton WelterDep. federalPT284.000Suplente
15Ricardo ArrudaDep. federalPL283.000Eleito

Expandindo a lente, o quadro fica ainda mais eloquente. Entre os 15 candidatos que mais pagaram o Facebook no Paraná em 2026, 5 não foram eleitos (Curi, Graeml, Sandro Alex, Requião e Gleisi), 4 ficaram como suplentes (Stephanes, Lucas Barone, André Vargas e Welter) e apenas 6 ocupam uma cadeira efetiva a partir de 1º de fevereiro — Laiola, Filipe Barros, Moro, Rosangela Moro, Deltan e Arruda.

Os 15 somam R$ 8,85 milhões gastos com o Facebook — metade de tudo o que a plataforma recebeu de candidatos paranaenses em 2026. Dessa metade, R$ 4,24 milhões saíram do caixa dos cinco que não se elegeram.

Curi aparece em cheias nos vídeos de Sandro Alex, e Sandro Alex devolve o favor nos criativos de Curi. Os dois eram parte da chapa do governador Ratinho Jr. (PSD), que buscava eleger o aliado para o Palácio Iguaçu e um nome do Republicanos para o Senado — a aliança foi derrotada nos dois cargos. Lucas Barone, também do PSD e hoje suplente, pagou impulsionamento com imagem da Graeml candidata ao Senado — ou seja, parte do dinheiro de um suplente ampliou a audiência de uma candidatura que também não foi eleita.

A leitura imediata: no Paraná de 2026, impulsionar mais que todos no Facebook não produziu, por si só, mandato. Dois terços dos 15 maiores anunciantes digitais saíram da urna sem cadeira efetiva.

O que foi impulsionado

A Biblioteca de Anúncios da Meta mostra, de forma pública, os criativos que foram ao ar — o que o TSE não revela. A reportagem checou as páginas dos 15 maiores anunciantes do Paraná.

Facebook à frente de qualquer outro fornecedor

A Facebook Serviços Online do Brasil Ltda aparece como maior fornecedor único da bancada eleita no Paraná, com R$ 6.102.918,28 declarados por 66 dos 92 eleitos. Para comparação, o segundo lugar da lista foi um escritório de advocacia — e recebeu menos da metade:

FornecedorValor (R$)O que fez
Facebook Serviços Online do Brasil6.102.918Impulsionamento (Facebook e Instagram)
Leandro Rosa Advogados Associados2.885.000Serviços advocatícios
Yari Estratégias em Marketing1.830.000Marketing político
Hellograf Artes Gráficas1.629.609Impressão
Winn Impressão Digital995.654Impressão

A plataforma é a destinatária de 81,2% de todo o impulsionamento declarado por candidatos do Paraná em 2026 (R$ 17,59 milhões, somando eleitos e não eleitos) — uma fatia que não deixa dúvida sobre onde o pleito paranaense foi disputado no digital.

No agregado nacional, o Facebook recebeu R$ 236,6 milhões em impulsionamento declarado por candidatos brasileiros em 2026 — mais do que o PIB de muitos municípios do interior do estado, pago em moeda digital para empurrar conteúdo no feed.

Quem gastou mais com Facebook

Entre os eleitos pelo Paraná, os maiores anunciantes digitais em 2026 foram:

NomeCargoPartidoImpulsionamento (R$)
Delegado Matheus LaiolaDeputado federalUNIÃO894.200
Filipe BarrosSenadorPL660.000
Deltan DallagnolSenadorNOVO490.000
Sergio MoroGovernadorPL470.018
Arilson ChioratoDeputado federalPT450.000
Rosangela MoroDeputada federalPL402.999
Zeca DirceuDeputado federalPT346.000

Os sete maiores anunciantes digitais da bancada eleita concentram R$ 3,55 milhões — quase metade dos R$ 7,44 milhões declarados pelo conjunto da bancada em impulsionamento. Os dois polos de ocupação de feed estão em contas do PL (Moro, Filipe Barros, Rosangela Moro, Ricardo Arruda, somando R$ 1,66 milhão) e do PT (Arilson Chiorato, Zeca Dirceu, somando R$ 796 mil).

Delegado Matheus Laiola, do União Brasil, declarou R$ 894 mil só em impulsionamento — mais do que o gasto total declarado de muitos deputados estaduais que também se elegeram no mesmo pleito.

De onde veio o dinheiro

Os 92 eleitos pelo Paraná declararam R$ 120 milhões em receitas totais de campanha até 2 de outubro. Dessas, 77% são dinheiro público: R$ 80,1 milhões (66,8%) vieram do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), e R$ 12,4 milhões (10,4%) do Fundo Partidário — os dois caixas repartidos pelos partidos. Apenas 22,9% ("Outros recursos") aglomera doações privadas, auto-financiamento, financiamento coletivo e sobras.

Em outras palavras, parte expressiva do R$ 6,1 milhão que Facebook e Instagram arrecadaram da bancada eleita paranaense tem origem em caixa público — distribuído dentro das legendas e aplicado em plataforma de empresa norte-americana.

Em que o resto do dinheiro foi parar

Os 92 eleitos pelo Paraná gastaram R$ 74,2 milhões em despesas contratadas até 2 de outubro, distribuídas em 35 categorias oficiais do TSE. Quatro grupos de despesa concentram 61% do bolo:

CategoriaValor (R$)Participação
Despesas com pessoal17.172.64123,2%
Publicidade por materiais impressos11.667.95415,7%
Atividades de militância e mobilização de rua9.144.36112,3%
Despesa com Impulsionamento de Conteúdos7.446.09510,0%
Soma dessas 445.431.05161,2%

Impulsionamento digital já paga mais do que o conjunto de serviços advocatícios da bancada (R$ 4,88 milhões), de locação de veículos (R$ 1,95 milhão), de pesquisas eleitorais (R$ 993 mil) e de combustíveis (R$ 438 mil). Também supera o gasto consolidado com adesivos (R$ 4,88 milhões) e com produção de rádio e TV (R$ 3,95 milhões).

A folha de pessoal segue como o maior item, mas o campo em que o dinheiro cresce mais é o do digital — e, dentro dele, do Facebook.

Advocacia concentrada

O escritório Leandro Rosa Advogados Associados, de Curitiba, foi o segundo maior fornecedor único da bancada, com R$ 2,88 milhões — concentrados em duas contas: a de Sérgio Moro (R$ 1,7 milhão) e a de Deltan Dallagnol (R$ 1,1 milhão). Juntos, os dois (governador eleito e um dos senadores eleitos) respondem por 57% dos R$ 4,88 milhões gastos com advogado por toda a bancada paranaense eleita.

Os dois pagam pelo mesmo escritório. Nenhum outro eleito pelo PR em 2026 cruzou a casa dos R$ 300 mil em honorários advocatícios declarados até 2 de outubro.

Quem gastou mais no agregado

Em volume bruto, o campeão de gastos da bancada eleita é o governador Sérgio Moro (PL), com R$ 7,9 milhões declarados até 2 de outubro — mais do que o dobro do segundo colocado, o senador Deltan Dallagnol (Novo), com R$ 3,8 milhões.

PosiçãoNomeCargoPartidoGasto (R$)
1Sergio MoroGovernadorPL7.909.572
2Deltan DallagnolSenadorNOVO3.795.384
3Paulo LitroDeputado federalUNIÃO3.080.617
4Tião MedeirosDeputado federalPP2.906.868
5LeandreDeputado federalPSD2.877.250
6Aliel MachadoDeputado federalPV2.751.427
7Zeca DirceuDeputado federalPT2.352.643
8Sargento FahurDeputado federalPL2.284.571

O que custa um voto

Dividir o gasto pelo número de votos recebidos dá o "custo por voto" — métrica útil, com a ressalva de que embaralha cargos (um candidato ao Senado recebe muito mais voto por natureza do que um estadual, por exemplo). Entre os eleitos do Paraná em 2026:

Custo mediano por voto, por cargo:

Entre os federais eleitos, Newton Bonin (Republicanos) teve o voto mais caro: R$ 35,22 cada, com R$ 1,9 milhão gastos para 54.935 votos. No outro extremo, Bruno Secco (NOVO), eleito deputado estadual, declarou R$ 37 mil para 82.898 votos — R$ 0,45 por voto, a campanha estadual mais eficiente da bancada.

Vale lembrar que esses dois extremos combinam duas coisas: pouco gasto declarado até agora (a prestação final só sai depois do pleito) e voto puxado por exposição anterior — vereador que vira estadual, deputado conhecido que vira senador, etc.

Perguntas rápidas

Quanto os candidatos do Paraná gastaram com Facebook em 2026? R$ 17,59 milhões em impulsionamento declarado, somando eleitos e não eleitos, por 404 candidatos — segundo a prestação de contas parcial enviada ao TSE até 2 de outubro.

E quanto desse dinheiro saiu do caixa dos eleitos? R$ 6,1 milhões, declarados por 66 dos 92 eleitos pelo PR. É o maior fornecedor único da bancada, à frente de qualquer gráfica, escritório de advocacia ou prestadora de serviços políticos.

Quem foi o eleito pelo PR que mais gastou em impulsionamento? Delegado Matheus Laiola (União Brasil), com R$ 894 mil declarados — mais do que muitos deputados estaduais gastaram em suas campanhas inteiras.

Quanto a bancada paranaense gastou no total? R$ 74,2 milhões em despesas contratadas até 2 de outubro, segundo o TSE. A prestação final pode mexer nesse número.

Quanto do dinheiro de campanha dos eleitos é público? 77% das receitas vêm de fundos públicos — R$ 80,1 milhões do FEFC e R$ 12,4 milhões do Fundo Partidário. Apenas 22,9% é dinheiro privado, autofinanciamento ou financiamento coletivo.

Qual foi a maior categoria de gasto? Despesas com pessoal (R$ 17,2 milhões, 23,2%). Depois vêm materiais impressos (15,7%), militância de rua (12,3%) e impulsionamento digital (10%).

Dá para ver o que foi impulsionado no Facebook? Sim, na Biblioteca de Anúncios da Meta (facebook.com/ads/library) — ela mostra o criativo, o período, a faixa de gasto e a faixa de impressões de cada anúncio. O TSE registra só valor, data, fornecedor e descrição genérica.

Como apuramos esta reportagem

Os valores vêm da prestação de contas de campanha publicada pelo TSE (dado parcial de 2 de outubro), cruzada com a base de candidaturas 2026 do Plural para isolar os eleitos pelo Paraná. Os conteúdos impulsionados foram verificados na Biblioteca de Anúncios da Meta. A prestação final do TSE pode alterar os valores aqui apresentados.

  

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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