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Municípios vão receber 30 celulares para programa de inovação

Projeto do Governo do Paraná quer ensinar crianças de 8 a 10 anos a programas "em qualquer lugar"

Municípios vão receber 30 celulares para programa de inovação
Photo by Mika Baumeister / Unsplash
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A Secretaria Estadual de Inovação e Inteligência Artificial do Governo do Estado do Paraná irá distribuir 30 celulares android recebidos de uma doação da Receita Federal para cada uma das 399 redes municipais de ensino do Paraná. O projeto prevê a indicação de um "professor tutor" responsável por promover a inovação em cada cidade do estado.

A informação foi enviada ao Plural em resposta a reportagem "Na contramão, PR irá usar celulares para "inovar" na escola", publicada no último dia 13 de abril.

Na contramão, PR irá usar celulares para “inovar” na escola
95% das escolas do Paraná já têm laboratórios de informática para atender quase 900 mil alunos, mas Governo quer usar 12 mil celulares para ensinar a programar

Ainda segundo as informações da Secretaria, o uso dos celulares será "exclusivamente pedagógico" e atenderá crianças dos 3o., 4o. e 5o. anos (ou seja, dos 8 aos 10 anos) do Ensino Fundamental. Os aparelhos não terão chip 3G, mas "estudantes poderão criar jogos interativos, animações e narrativas digitais em qualquer lugar, a qualquer momento".

O Plural encaminhou à secretaria uma lista de questões sobre o assunto. Confira a íntegra das respostas:

Plural: Na rede municipal o Paraná tem 660 mil crianças no Ensino Fundamental. Como 12 mil aparelhos vão atender a esse público? É um projeto piloto? Vai ser focado em um município, ano escolar?

Secretaria de Inovação: O Programa CrIAção é uma política pública estruturante e parte do Pacto pela Inovação do Governo do Paraná. Está sendo implementado em quatro fases progressivas, com foco no contraturno escolar. A primeira etapa envolverá ao menos 30 estudantes do Ensino Fundamental e um professor tutor em cada um dos 399 municípios do estado, totalizando aproximadamente 35.910 alunos atendidos diretamente até 2026. Os 12 mil celulares são alocados como recurso pedagógico rotativo, utilizados em oficinas criativas e de programação, com foco em metodologias ativas e no uso de ferramentas como o OctoStudio. O programa é escalável e poderá ser ampliado conforme adesão e impacto.

Plural: ⁠Sobre a qualificação dos professores, por que não aproveitar as formações anteriores, que focavam em programação em desktop?

As formações anteriores são consideradas, e estarão alinhadas à novas demandas como a cultura maker, da computação em nuvem e da programação baseada em blocos. O Programa CrIAção propõe uma atualização metodológica, valorizando a aprendizagem por projetos e o uso de dispositivos móveis como ferramentas acessíveis e versáteis. A formação dos professores será específica e continuada, com uso de ferramentas como o OctoStudio, garantindo alinhamento às novas demandas educacionais.

Plural: ⁠Por que não usar os equipamentos já presentes nas escolas?

O Programa CrIAção não substitui os equipamentos existentes nas escolas, mas os complementa. Muitas unidades escolares ainda enfrentam sérias restrições de infraestrutura e conectividade. O uso dos celulares, doados pela Receita Federal, representa uma solução acessível, portátil e flexível, permitindo o início imediato das oficinas pedagógicas mesmo em municípios que não possuem laboratórios. A proposta também favorece atividades criativas fora da sala de aula tradicional.

Plural: ⁠Os professores vão ganhar os celulares ou vão só poder usar na escola?

Os celulares são bens públicos de uso pedagógico coletivo e permanecem sob responsabilidade das escolas e dos professores tutores do Programa CrIAção. Eles são utilizados exclusivamente nas atividades planejadas para o contraturno escolar. O professor envolvido será capacitado e receberá bolsa de incentivo, atuando como agente de inovação local, mas sem posse pessoal dos equipamentos.

Plural: ⁠Só 44% das escolas municipais do PR têm laboratórios de informática. Não seria prioridade ampliar essa estrutura antes de investir em espaços maker?

O CrIAção atua como alternativa e complemento à infraestrutura tradicional, oferecendo uma estratégia escalável de inclusão digital. A criação de Centros Municipais de Inovação com espaços maker viabiliza ambientes criativos com menor custo, maior flexibilidade e capilaridade estadual. O programa prioriza metodologias de aprendizagem ativa e colaborativa, fomentando o uso de tecnologia de forma prática e transformadora em todos os municípios, inclusive nos que ainda carecem de laboratórios formais.

Plural: A Academia Americana de Pediatria recomenda pra crianças entre 2 e 10 anos (a faixa etária do ensino fundamental) o uso de telas limitado a até duas horas diárias. Dado que o Censo TIC realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) já aponta alto tempo de uso de telas nessa faixa etária, o que justifica a implantação de um programa de uso de celulares no Ensino Fundamental? E principalmente um programa que prioriza um tipo de tela mais agressivo com os olhos?

O uso de celulares no Programa CrIAção é pedagógico, intencional e supervisionado, com tempo controlado e alinhado às recomendações de saúde. Diferentemente do uso passivo de telas para entretenimento, a proposta promove o uso criativo e autoral da tecnologia, por meio da Aprendizagem Criativa e de ferramentas como o OctoStudio. A integração com atividades offline e projetos interdisciplinares assegura equilíbrio e relevância formativa para os estudantes. Além disso, o celular é uma ferramenta complementar para implementação do projeto, não sendo a única. Outros equipamentos, como impressoras 3D e máquinas de corte a lazer serão utilizadas nas oficinas.

Plural: ⁠Se os celulares foram apreendidos pela Receita Federal eles são de lotes não homologados pela Anatel, que diz ser um risco para o consumidor utilizá-los assim. Não há risco para as crianças e professores?

Os aparelhos entregues não são de lotes não homologados. Eles são fruto de apreensões por contrabando e descaminho. Equipamentos sem certificação devem ser descartados. A Receita Federal, ao destinar os celulares ao uso público, garante que cumpram critérios básicos de funcionalidade.  Além disso, os celulares funcionarão exclusivamente em rede Wi-Fi educacional, sem chips de telefonia.

Plural: ⁠As escolas municipais de ensino fundamental no Paraná têm apenas 4,8 horas de aulas em sala. Como vocês farão para introduzir novos conteúdos sem reduzir a carga horária das disciplinas base, como matemática, língua portuguesa e ciências?

O Programa CrIAção não adiciona novas disciplinas à carga horária, mas promove práticas interdisciplinares com foco em competências da BNCC. As oficinas com OctoStudio e outros recursos são aplicadas em contraturno e integram conteúdos como Matemática, Ciências e Linguagens por meio de projetos práticos, reforçando a aprendizagem e o engajamento dos alunos. A abordagem é transversal, criativa e colaborativa, promovendo a inovação sem comprometer os conteúdos tradicionais.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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