A Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Cajuru será terceirizada sob a gestão da Fundação Estatal de Atenção à Saúde (FEAS). A informação foi confirmada pela prefeitura ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais Curitiba (Sismuc) durante reunião com os trabalhadores da unidade nesta terça-feira (16).
Os 168 servidores que trabalham na UPA serão alocados em outras unidades. O Sindicato vê problemas na remoção dos 131 técnicos de enfermagem em saúde pública e 25 enfermeiros, além de agentes administrativos, profissionais da saúde bucal, farmacêutico e cirurgião-dentista, porque, segundo o Sismuc, já há equipes consolidades e com vínculos com a comunidade.
Eles poderão usar um formulário eletrônico para indicar sugestões de vagas para possível remanejamento. Embora a SMS afirme que o instrumento busca ouvir os trabalhadores, o próprio texto do documento ressalta que se trata apenas de uma etapa inicial, sem caráter deliberativo. O envio das sugestões não garante permanência em unidades escolhidas.
Tratoraço
A reunião de terça-feira entre o Sismuc e a prefeitura, conforme os trabalhadores, teve cunho informativo. A decisão de terceirização não foi debatida com a comunidade e com a categoria e tratou-se de um anúncio da decisão tomada pelo prefeito Eduardo Pimentel (PSD).

Ao Sismuc, a Secretaria Municipal da Saúde justificou a terceirização alegando limitações orçamentárias e dificuldades para recompor as equipes com servidores estatutários. Segundo a pasta, a gestão ainda opera com o orçamento herdado da administração anterior — a de Rafael Greca (PSD) e Eduardo Pimentel.
Contradição
O orçamento líquido de Curitiba para 2026 está estimado em R$ 14,56 bilhões, já descontadas as operações intra-orçamentárias. A área da saúde deve receber 21,37% do orçamento municipal no próximo ano, enquanto as despesas com pessoal estão projetadas em 45,11% da Receita Corrente Líquida, abaixo do limite previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Para o Sindicato os números indicam que a terceirização não decorre de falta de recursos, mas de uma escolha política de gestão.
Mobilização
O Sismuc criticou o avanço das terceirizações em Curitiba. “Esse modelo rompe vínculos construídos ao longo dos anos no serviço público, fragiliza o atendimento e compromete o princípio constitucional da saúde como direito. A entrega de uma unidade reformada com recursos públicos à gestão terceirizada aprofunda o desmonte do SUS na capital, precariza as relações de trabalho e coloca em risco a continuidade e a qualidade do atendimento”, explicou o sindicato, em nota.
*Com assessoria