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Operação que investiga propina a servidores da Sanepar retoma audiências

Processo que apura corrupção entre empreiteiros e servidores da Sanepar já dura cinco anos; montante ultrapassa o R$ 1,3 milhão

Operação que investiga propina a servidores da Sanepar retoma audiências
Foto: Divulgação/MPPR
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O Ministério Público do Paraná (MPPR) retoma, neste mês de fevereiro, audiências da Operação Ductos, que apura pagamento de propina por empreiteiros a servidores da Sanepar nos municípios de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, e Cornélio Procópio e Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro. Serão ouvidas testemunhas de defesa nos dias 6, 9 e 10.

O processo corre há mais de cinco anos e 28 pessoas foram denunciadas por formação de organização criminosa, incluindo empresários e ex-servidores da Sanepar.

A Operação Ductos apura crimes cometidos entre 2012 e 2020. Ao menos cinco empreiteiras são citadas no processo, mas duas foram denunciadas pelo pagamento de propina a servidores em troca de medições fictícias em obras da Sanepar. Ou seja, recebiam por serviços não realizados. Já os servidores, recebiam em dinheiro ou em benefícios, como pagamento de cursos. No período, teriam sido repassados algo em torno de R$ 1,39 milhão a servidores da estatal.

De acordo com a 2a Promotoria Pública de Ponta Grossa, atualmente à frente do processo, estão arroladas mais de 100 testemunhas. O elevado número de réus também levou a diversos requerimentos, feitos ao juízo pelos servidores, empresários e Ministério Público. Isso explicaria a demora na conclusão da ação penal.

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Citados em áudios

Alguns dos denunciados pela Operação Ductos aparecem, também, em áudios que vieram à tona em dezembro e mostram suposta arrecadação de recursos entre servidores da Sanepar para cobrir dívida de campanha do governador Ratinho Jr. em 2022. Reportagem do Plural mostrou que o valor citado em um dos áudios, de R$ 4 milhões, se aproxima da dívida de campanha informada ao TSE.

Dentre os nomes citados nos áudios estão Juarez - que seria Juarez Wollz, ex-gerente regional da Sanepar em Santo Antônio da Platina; Bedeu, possivelmente Wellington Bedeu, ex-servidor da unidade, e Braúlio, que seria Braulio Lozano Leonel, ex-servidor na unidade de Cornélio. Todos foram afastados e demitidos entre 2020 e 2023.

Rafael Malaguido, ex-gerente em Londrina e interlocutor em vários áudios que citam a suposta “vaquinha”, também foi demitido em 2022. Apesar de citado durante as investigações da Ductos, não foi investigado nem denunciado, segundo o MPPR.

O que diz a Sanepar

Em nota enviada à reportagem, a Sanepar afirma que “A Companhia foi vítima de um esquema de fraude envolvendo empreiteiras de Ponta Grossa que prestavam serviço à empresa, e que contou com a participação de ex-empregados da instituição.”

Esclarece que, à época, foram aplicadas medidas administrativas cabíveis às empreiteiras e os empregados envolvidos foram demitidos por justa causa e respondem a processos conduzidos pelo Poder Judiciário.

“Desde o início das investigações, tanto o Gaeco quanto o Ministério Público contaram com a plena colaboração da Sanepar, o que segue sendo feito até os dias de hoje.”

Cecília França

Cecília França

Jornalista há 20 anos, é especialista em Direitos Humanos.

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