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Dirigente sindical é detido durante protesto dos metalúrgicos em São José dos Pinhais

Nelsão da Força participava de um ato cobrando melhores condições de trabalho na empresa Brose quando foi preso

homem idoso rendido por policiais militares
Trabalhador é imobilizado por policiais militares durante protesto | Foto: divulgação
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(Texto atualizado às 8h40 do dia 5 de fev. para inclusão da nota da PM)

O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana (SMC), Nelsão da Força, foi detido nesta quarta-feira (04), durante protesto em frente à fábrica da Brose, em São José dos Pinhais. Ele foi derrubado com violência por policiais militares e a corporação não respondeu o porquê da ação.

Os trabalhadores da empresa estão em greve desde o dia 28 de janeiro cobrando melhores salários. De acordo com o sindicato, há uma grande discrepância entre o que os funcionários recebem lá em comparação com outras empresas do mesmo porte.

Atualmente, os trabalhadores da empresa recebem aproximadamente R$ 2,5 mil, vale-mercado de R$ 500 e não possuem PLR (Participação de Lucros e Resultados). As reivindicações dos funcionários consistem em negociar correção salarial pelo INPC + 2,5% de aumento real, equiparar vale mercado às empresas do seguimento, discutir jornada de trabalho e implantação de PLR. 

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Desde o início da greve o SMC tem feito atos para conscientizar os trabalhadores e nesta manhã houve a ação truculenta da PM.

O Plural entrou em contato com a corporação para saber o motivo da prisão, que afirmou ser desacato (leia a íntegra no fim do texto). A empresa Brose não se manifestou sobre a prisão do líder sindical.

O vereador Angelo Vanhoni (PT), durante sessão da Câmara de Curitiba, prestou solidariedade aos metalúrgicos.

O presidente estadual do PT, deputado Arilson Chiorato, afirmou que vai cobrar providências do Governo do Estado.

O setorial sindical do PT publicou uma nota de repúdio ao comportamento truculento da PM contra Nelsão da Força.

“Nelsão foi derrubado no chão, cercado por diversos policiais e alvo de um ‘mata-leão’ que sufocou a sua respiração. Não é papel da Polícia Militar, em hipótese alguma, o uso da força e da violência contra trabalhadores que estão exercendo seu direito legítimo de greve e manifestação. Essa truculência, além de ilegal em um estado democrático de direito, demonstra total despreparo e tentativa torpe de criminalização dos trabalhadores”, diz um trecho do texto.

O Sindicato publicou uma nota sobre a prisão. Leia a íntegra:

NOTA DE REPÚDIO À TRUCULÊNCIA POLICIAL E PRÁTICAS ANTISSINDICAIS DA EMPRESA BROSE CONTRA OS TRABALHADORES

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba manifesta seu repúdio veemente à truculência policial e às práticas antissindicais adotadas pela empresa Brose contra os trabalhadores e trabalhadoras ocorridas na manhã desta quarta-feira, 4/2, em frente da fábrica, localizada em São José dos Pinhais (PR).

Trabalhadores estavam reivindicando, de forma legítima e democrática, melhores condições de trabalho e salário, quando foram, simplesmente, atacados pela polícia. O ataque evidencia as prática antissindicais promovidas pela Brose. Trabalhadores estão sofrendo pressão e assédio desde o início das mobilizações. O Sindicato tem tido dificuldade para realizar assembleias devido a frequente intervenção policial.

É inadmissível que, em pleno Estado Democrático de Direito, reivindicações justas da classe trabalhadora sejam tratadas como caso de polícia. A utilização de forças repressivas para intimidar trabalhadores e restringir o direito à organização sindical, à manifestação e à negociação coletiva configura grave violação de direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal e por convenções internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A postura da empresa Brose comprova o total desrespeito ao diálogo. Ao invés de sentar para negociar, a empresa prefere dificultar apelando para práticas antissindicais e utilização inexplicável da polícia na tentativa de enfraquecer a mobilização dos trabalhadores, criminalizar a luta coletiva e impor, pelo medo, condições indignas de trabalho e remuneração.

Reafirmamos que não há crime em lutar por direitos. Utilizar a polícia para intimidar trabalhadores vai contra a própria instituição da Policía Militar, cuja existência é servir e proteger o cidadão. Exigimos providências das autoridades visando garantir o que está na Constituição: o direito legitimo de manifestação e greve.

A luta dos trabalhadores da Brose por melhores salários e condições de trabalho continua. Não aceitaremos intimidação, repressão ou criminalização da luta por melhores condições de vida. Direitos não se reprimem, se respeitam.

SÉRGIO BUTKA - PRESIDENTE DO SINDICATO DOS METALÚRGICOS DA GRANDE CURITIBA

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Leia também a nota da PM

NOTA À IMPRENSA

A Polícia Militar do Paraná (PMPR) informa que foi acionada na manhã desta quarta-feira (04 fev. 26), no município de São José dos Pinhais, para atendimento de ocorrência em frente à empresa Brose do Brasil, onde ocorria uma manifestação sindical. No local, integrantes do Sindicato dos Metalúrgicos do Paraná (SMC) concentraram-se na entrada da empresa, o que resultou na restrição de acesso de aproximadamente 30 (trinta) trabalhadores às dependências da unidade, impedindo o livre exercício do trabalho.

Diante da situação, a Polícia Militar garantiu aos trabalhadores o direito constitucional ao trabalho, com a oferta de escolta policial, caso fosse necessário para o ingresso na empresa. Da mesma forma, foi assegurado a todos os presentes o direito de greve, bem como a permanência no local, desde que de forma pacífica.

Entretanto, o manifestante Nelson Silva de Souza passou a desacatar a equipe policial, afirmando que não permitiria a entrada de nenhum trabalhador, alegando que todos deveriam, obrigatoriamente, participar da assembleia. O indivíduo não acatou a ordem policial para liberação da entrada, motivo pelo qual recebeu voz de prisão pelos crimes de Desacato, Atentado contra a Liberdade de Trabalho (art. 197 do Código Penal) e Resistência à Prisão.

Em razão da resistência apresentada, foi necessário o uso diferenciado e seletivo da força para o encaminhamento do manifestante à Delegacia de Polícia, com a finalidade de preservar a ordem pública e assegurar o cumprimento da lei, observados os princípios da legalidade, necessidade e proporcionalidade.

Curitiba, 04 de fevereiro de 2026.

Centro de Comunicação Social da PMPR.

“POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ: NÓS FAZEMOS A DIFERENÇA.” 

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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