Todo mundo sabia que podia acontecer. Na entrevista com o Plural, fizemos questão de perguntar. Mas Deltan Dallagnol (Novo) insistia que não havia risco de ver seu registro cassado e manteve sua candidatura ao Senado. No TRE, onde claramente tem mais influência, ainda conseguiu se salvar por quatro a três (em 2022, havia obtido vitória um pouco mais fácil, por 5x2). Mas no TSE, como se sabia, o jogo é diferente.
Agora, Deltan está com a candidatura suspensa porque o tribunal vê claro risco de que o país esteja gastando dinheiro desnecessariamente em uma campanha fadada à cassação. E não é pouco dinheiro: só do Fundo Partidário, a campanha de Deltan já recebeu R$ 2,1 milhões. Do Fundos Eleitoral, mais R$ 300 mil, totalizando R$ 2,4 milhões de verba pública.
O risco de gasto público é muito maior. Caso Deltan seja mantido na urna e vença, tendo a candidatura cassada depois, o TRE será obrigado a realizar novas eleições - o que pode custar cerca de R$ 50 milhões ao erário. E provavelmente não haverá tempo de julgar a candidatura no TSE antes do dia da votação - o que torna o risco da eleição suplementar bastante real.
A inelegibilidade é discutível, claro. E Deltan, como todo cidadão, tem direito a querer disputar eleições. No entanto, o caminho no caso dele era simples, uma vez que a lei permite a candidatos que tenham dúvida sobre sua elegibilidade apresentar uma solicitação de que o caso seja analisado antecipadamente - justamente para evitar gastos desnecessários e a confusão que se segue a decisões como essa.
Deltan se recusou a fazer esse pedido com mais antecipação, mesmo tendo sido alertado diversas vezes sobre o risco. Levou ao TRE sua Requerimento de Declaração de Elegibilidade no final de julho, quando obviamente era tarde demais para que a Justiça Eleitoral analisasse o caso antes do início da campanha.
A direita está chiando da decisão monocrática do ministro do TSE, que suspendeu a campanha de Deltan. Mas talvez fosse o caso de reclamar do próprio candidato, que com um gesto simples poderia ter evitado os custos e a incerteza que agora ronda a eleição no Paraná.