Pular para o conteúdo

Prefeitura reduz transparência do 156

Na surdina, Prefeitura tira do ar detalhamento de queixas dos curitibanos

Prefeitura reduz transparência do 156
Photo by Julian Hochgesang / Unsplash
Publicado:

A Prefeitura de Curitiba tirou do ar o detalhamento das queixas registradas pelos cidadãos no sistema 156. A medida reduz a transparência do serviço, que deveria ajudar os moradores da cidade a resolver problemas e registrar reclamações. Apesar do enorme impacto da medida nos dados disponibilizados, a mudança não ganhou destaque na divulgação da prefeitura.

Os dados do 156 são parte do pacote de dados abertos disponibilizados pela Prefeitura como parte da política de Dados Abertos e Transparência do município. A coleção de dados é disponibilizada em atendimento a Lei Federal de Acesso à Informação e a Lei Federal de Transparência.

Desde o lançamento do Portal de Dados Abertos, em 2014, a base de dados do serviço 156 sempre incluiu o teor das reclamações, elogios, pedidos de informação registrados. Com base nisso era possível encontrar, por exemplo, reclamações contra Centros Municipais e Conveniados de Educação Infantil, com base nas quais o Plural mostrou que as instituições terceirizadas da área recebiam mais reclamações que as escolas municipais.

Creches terceirizadas de Curitiba têm 3 vezes mais reclamações que CMEIs
Para cada reclamação feita relativa a um Centro Municipal, 2,65 foram registrada em relação as creches particulares contratadas pela prefeitura

Mas em dezembro de 2024, no apagar das luzes da gestão Rafael Greca, a prefeitura relançou o Portal de Dados Abertos, dessa vez com as bases de dados "reeditadas". Mesmo os dados de anos anteriores tiveram parte de seu conteúdo editado, retirando o teor dos registros e mesmo o teor da resposta fornecida pela prefeitura ao cidadão.

O novo formato de divulgação dos dados fornece apenas uma categoria genérica na qual o registro se encaixa. Por exemplo, um pedido a respeito de pessoa em situação de rua aparecerá apenas como "Solicitação/ Pessoa em desabrigo". Sem o detalhamento é mais difícil cobrar da Prefeitura a falta de atendimento a reivindicações da população, além de não permitir a análise completa dos dados.

Muito embora a legislação brasileira tenha mudado desde 2014, os dados retirados do ar pela prefeitura não infringiam a Lei Geral de Proteção de Dados, uma vez que não revelavam a identidade do cidadão. E a própria Lei de Acesso à Informação determina que eventual informação sujeita a sigilo deve ter esse sigilo aplicado apenas à informação protegida, e não ao conjunto todo dos dados.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

Todos os artigos

Mais em curitiba

Ver todos

Mais de Rosiane Correia de Freitas

Ver todos

De nossos parceiros