Quando Curitiba começou a coleta seletiva de lixo na década de 1990, a cidade entrou num caminho que deveria fazer a quantidade de lixo descartada em aterros e lixões diminuir. Essa tendência se manteve no início dos anos 2000, mas dados da própria Prefeitura de Curitiba mostram que a quantidade de lixo descartada em aterros cresce mais do que a quantidade de lixo coletada na cidade.
Na década de 1990, uma média de 70% do lixo coletado na cidade ia para aterros. No início dos anos 2000, esse percentual caiu para 66%, indicando uma tendência de aumento de destinação correta do lixo da cidade. Mas a cidade abandonou essa tendência na década de 2010 e o percentual de lixo que vai para o aterro subiu para, em média, 88% do lixo coleta.
O custo da coleta e destinação do lixo, porém, subiu 74% de 2014 a 2022. Foi de R$ 181 por tonelada para R$ 317. Atualmente a coleta de lixo em Curitiba está sendo realizada dentro de um contrato emergencial da prefeitura com a Estre Ambiental, pois a licitação do serviço foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado.
Os dados também mostram que hoje a empresa concessionária do serviço de coleta e destinação de lixo em Curitiba recolhe as mesmas 24 mil toneladas de lixo reciclável que recolhia em 2010, mostrando uma estagnação na evolução da coleta seletiva na cidade. Além disso, de 2014 e 2022 Curitiba só conseguiu recuperar, em média, 53% do material reciclável coletado pela empresa concessionária.
A situação só não é pior porque um exército de catadores de lixo informais e cooperativas de reciclagem tiram das ruas e das casas da cidade quatro vezes mais lixo reciclável que a concessionária do serviço. Sem os caminhões e equipamentos da Estre Ambiental, os catadores de lixo usam apenas tração humana na coleta e transporte dos resíduos e destinam corretamente, em média, 130 mil toneladas de lixo de Curitiba.