Mais de 7 mil pessoas passaram pela Jornada de Agroecologia em Curitiba, que terminou neste fim de semana. O evento, que é organizado pelo MST e outros movimentos sociais, aconteceu no Centro Politécnico da UFPR, no Jardim Botânico.
Ao todo, conforme a organização, participaram 250 feirantes, 69 empreendimentos de Economia Solidária, e 19 coletivos de culinária. Também ocorreram dezenas de shows e apresentações culturais, oficinas, seminários e rodas de conversa.
Discussões
Apesar do mau tempo ao longo da Jornada, as discussões tiveram bom público. Uma das mais aguardadas foi a de João Pedro Stédile, liderança do MST, que participou da primeira conferência. Ele analisou a relação entre o sistema capitalista, o agronegócio e a crise ambiental. Os reflexos dessa relação, segundo economista, são sentidos na concentração fundiária e financeira, na exploração do trabalho, na exploração dos recursos naturais e na perda da biodiversidade. “Na agricultura, enquanto permanecer o capitalismo, sempre vai ter exploração da mais-valia, sempre vai ter acumulação do capital, sempre vai ter acumulação de terra”, disse.
Ao longo do evento também foi debatida a questão climática – uma pauta que há longo tempo é puxada pelos movimentos sociais do campo. Nove meses depois das enchentes no Rio Grande do Sul, assentados da Cooperativa dos Trabalhadores da Região de Porto Alegre (COOTAP) conseguiram vir ao Paraná para participar da Jornada. No dia 3 de março, uma enchente destruiu a cidade de Eldorado [sede da COOTAP] e levou toda nossa produção de arroz agroecológico. Perdemos 90% das lavouras e ficamos 20 dias com a cooperativa debaixo d’água”, relembrou a agricultora Jaqueline Argolo.
Também houve mesas com o teólogo Leonardo Boff (foto acima) e com o Cientista Social Chavoso da USP.
Cultural
Janine Mathias, Wes Ventura e Rincon Sapiência foram alguns dos nomes que fizeram shows na Jornada. A programação cultural foi prejudicada em virtude da chuva e houve cancelamento de shows.
Para evitar isso, o show de Sapiência ocorreu no Teatro, que ficou lotado e até fila de espera. Durante a apresentação o artista lembrou as lutas do campo e da cidade se conectam e trouxe a questão racial para o centro do debate.