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Curitiba precisa de uma Times Square

A princípio, achei que era brincadeira, até porque me parece muito óbvio que Curitiba tem problemas maiores e mais urgentes a serem resolvidos

Curitiba precisa de uma Times Square
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Claro que Curitiba precisa de uma Times Square, Porque não há mais prioridades a serem resolvidas na capital mais inteligente do Brasil.

Ironias à parte, a prefeitura de Curitiba realmente está levando adiante um projeto para o desenvolvimento de uma avenida repleta de outdoors e painéis luminosos publicitários, usando como referência as famosas: Times Square de Nova Iorque, Trafalgar Square de Londres e o Shibuya Crossing de Tóquio.

A princípio, acreditei se tratar de algum tipo de brincadeira, até porque me parece muito óbvio que Curitiba tem problemas maiores e mais urgentes a serem resolvidos. Mas como a vaidade dos prefeitos não parece ver limites, o projeto está cada vez mais perto de se tornar realidade.

Como uma de suas últimas decisões como prefeito, Rafael Greca assinou, na última segunda-feira (2), o Decreto Municipal 1.871/2024, que autoriza a instalação de paineis luminosos ao longo de 592 metros da Avenida Marechal Deodoro.

Distrito de Mídia é o nome usado para se referir ao futuro grande polo publicitário da capital paranaense, este que ficará entre a Travessa da Lapa e a Rua Desembargador Westphalen, ocupando cerca de 20 mil metros quadrados do que, se espera, que sirva como lançamento de campanhas publicitárias, revitalização (dessa palavra já sabemos que esse governo gosta) da cidade e espaço de destaque para anúncios de empresas.

Mas afinal, qual é o problema nisso tudo?

Jacz Silva, morador da região, aponta algumas desvantagens do projeto megalomaníaco:

Acredito que este projeto, apresentado à população, é péssimo em todos os sentidos. Como morador da região central, entendo que o excesso de iluminação e publicidade apenas agravará a poluição visual, reduzindo a qualidade de vida dos residentes nos prédios ao redor. Será necessário recorrer a artifícios para nos protegermos do brilho adicional que invadirá nossas janelas.

Além disso, vejo impactos negativos na fauna local. Diversas espécies de pássaros utilizam as árvores e espaços da região central como abrigo durante a noite. A instalação de inúmeros telões representará um grande prejuízo, forçando esses animais a migrarem para áreas menos estimuladas e, consequentemente, menos estressantes.

Na minha opinião, é lamentável ver a prefeitura empenhar tanto esforço nessa iniciativa, enquanto tantas outras questões urgentes necessitam de atenção. É realmente uma grande tristeza.

E, de minha parte, questiono aos governantes se não há na cidade questões urgentes a serem cuidadas com mais (ou pelo menos a mesma quantidade de) tempo e dedicação usados nesse projeto, sendo esse mais um onde o objetivo central é embelezar a grande Curitiba, como se a população precisasse de mais estímulos visuais e as empresas realmente estivessem carecendo de espaço publicitário.

Os alagamentos por toda a cidade talvez provem que a população necessita de mais do que projetos estéticos no Centro.

Ou então a falta de vagas em creches.

Ou a Guarda Municipal mal treinada.

Ou a tarifa de ônibus, ainda no topo das mais caras do país.

Ou então a Fundação de Ação Social com seus centros abarrotados de pessoas em vulnerabilidade social e servidores superexplorados.

Entra prefeito e sai prefeito, mas o gabinete do Palácio 29 de Março continua provando que o seu foco está na população de Curitiba, mas não especifica até quais bairros seu raio de cuidado atinge.

Este texto é parte do projeto Periferias Plurais, em que o Plural convida jovens de Curitiba e região metropolitana a falar sobre suas vidas e suas comunidades. O projeto tem apoio do escritório de advocacia Gasam.

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