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MUPA recebe exposição "500 Braças" com obras inéditas do coletivo Vilanismo

Formado por artistas negros das periferias de SP, grupo expõe obras que resgatam o valor da ancestralidade e da união no Museu Paranaense

MUPA recebe exposição "500 Braças" com obras inéditas do coletivo Vilanismo
Cortejo Negro passou por ruas do centro de Curitiba na abertura da exposição no sábado (11). Foto: Vitoria Santos/@ph.vitoriasantos

O Museu Paranaense (MUPA) inaugurou no último sábado (11) a mostra "500 Braças", que reúne cerca de 50 trabalhos do coletivo Vilanismo, formado por artistas negros das periferias de São Paulo. A exposição segue em cartaz até 18 de outubro com acesso gratuito.

Com intervenções internas e externas no museu, a curadoria conta com instalações, pinturas, esculturas e obras inéditas para discutir uma questão que atravessa toda a trajetória do grupo: como garantir condições materiais para a continuidade do trabalho de artistas negros no Brasil.

Relacionando memória e pertencimento, parte das instalações se volta para fotografias e histórias das famílias que rememoram suas origens retirantes. Em um dos áudios reproduzidos nos fones, a mãe relembra o passado em Capelinha, município de Minas Gerais, no Vale do Jequitinhonha, e relata a cena da despedida dos familiares, quando foi tentar a vida em São Paulo.

Mais do que um conjunto de obras, "500 Braças" marca uma nova etapa da pesquisa que o coletivo Vilanismo desenvolve desde sua criação, em 2021. Ao partir da compreensão de que a prática artística também envolve a disputa por infraestrutura, território e condições de permanência, os artistas articulam questões históricas, econômicas e urbanas para interrogar o acesso à terra e seus impactos na vida contemporânea.

De acordo com os integrantes, o título remete à Lei de Terras (Lei nº 601, de 18 de setembro de 1850) – norma que proibiu a doação de terras no Brasil e passou a exigi-las apenas mediante compra. Esse dispositivo, ao inviabilizar o acesso à propriedade para negros libertos, previa a divisão do território em lotes de 500 braças.

Ao ressignificar esse conceito, a Irmandade Vilanismo, em conjunto com o Centro Experimental de Arte Serigráfica/Caderno Listrado, converte o que era feito para delimitar e separar em uma ferramenta de união e construção coletiva. "Braços estendidos que se encontram para inventar e sustentar novos territórios de existência e possibilidade", descreve o texto curatorial.

Criado há 5 anos na capital paulista, o Vilanismo é composto por doze homens negros que valorizam os saberes ancestrais e as experiências afro-indígenas, pautando sua atuação pela autonomia e pela criação de práticas sustentáveis.

O coletivo já integrou a 36ª Bienal de São Paulo, realizou o Baile do Vilanismo no Edifício Misericórdia e promoveu a conversa-performance "Masculinidades Negras" no Instituto Moreira Salles. Atualmente, o grupo é composto por Diego Crux, Ramo, Renan Teles, Carinhoso, Guto Oca, Rodrigo Zaim, Rafa Black, Robson Marques, Denis Moreira e Daniel Ramos.

Artistas da Irmandade Vilanismo. Foto: Jardiel Carvalho

Serviço

Exposição "500 Braças" – Irmandade Vilanismo
Em cartaz até 18 de outubro de 2026
Local: Museu Paranaense (MUPA)
Rua Kellers, 289. São Francisco. Curitiba - PR
Horário: Terça a domingo, das 10h às 17h30
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre

Eric Rodrigues

Eric Rodrigues

Repórter, fotojornalista e documentarista. Mestrando em comunicação pela UFPR. Participante do 15º Curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Autor de "Comadre São".

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