A Rede de Mulheres Negras do Paraná (RMN-PR) lança o “Eixo Memória Negra no Paraná”, iniciativa de preservação da história negra do estado, em Curitiba. O evento é nesta quinta-feira (8), das 17h às 21h, no Teatro Sesi (São Francisco). A programação apresenta o solo “Chão de Dentro”, da artista Pri Pontes, e a estreia de um documentário sobre mulheres quilombolas que preservam as histórias, saberes e tradições. Depois da sessão, começa uma roda de conversa com integrantes das comunidades. A entrada é gratuita.
Mulheres quilombolas preservam a memória negra
Resultado das pesquisas e registros em dez territórios quilombolas do Paraná, o projeto é parte do Programa Akilomba, realizado em parceria com a Itaipu Binacional, e contribui para a valorização das memórias dessas comunidades.
“O Paraná é formado por histórias, saberes e memórias que atravessam gerações. Entre elas estão as histórias dos territórios quilombolas, das famílias que preservam seus saberes e das mulheres que, geração após geração, mantêm vivas tradições e modos de existir. É essa memória que vamos resgatar para reforçar que o nosso estado tem muita história negra em sua constituição”, conta Ana Claudia Justino, coordenadora administrativa da RMN-PR.
No centro deste trabalho estão as mulheres negras, matriarcas e lideranças dos territórios. Elas são verdadeiras griôs, guardiãs de conhecimentos transmitidos pela oralidade, que carregam e compartilham saberes sobre ancestralidade, cultura, relações comunitárias e tradições de diferentes práticas como a religiosidade, a culinária, a agricultura e os contos narrados ao longo das gerações.



Da esquerda para a direita, Maria Trindade Batista, do Quilombo Castorina Maria da Conceição; Terezinha de Jesus Batista Ferreira, do Quilombo Tobias Ferreira; Almeri Fortunato Polo e Roseli Nunes Lemes, do Quilombo Castorina. Foto: Divulgação
Segundo o pesquisador do Programa, Ivan Luiz Monteiro, um dos pontos importantes é a representação verdadeira. “Registrar as memórias é importante para que nós tenhamos não apenas a consciência, mas também a condição de nos formarmos a partir de uma representação histórica verdadeira”, diz ele.
Paraná quilombola
As produções resultantes do projeto evidenciam a presença quilombola que é parte fundamental da história do estado e que deve ocupar mais espaços de conhecimento, cultura e comunicação. São registros que valorizam o passado e também a permanência das comunidades que enfrentam desafios para continuar em seus territórios. Elas seguem resistindo às ameaças para exercer o direito de ficar onde suas famílias construíram a vida.
“O conceito de retomada diz muito sobre os territórios quilombolas do Paraná atualmente. Porque, em certa medida, foram tomadas vidas e condições existenciais, sem nenhum tipo de permissão dessas pessoas. E, de algumas maneiras, todas muito estratégicas e cheias de conhecimento, esse modo de existir foi retomado e ressignificado e, portanto, os territórios permanecem vivos e pujantes da sua condição de existência, de vida, que é potência”, explica o pesquisador.
O evento de lançamento também integra as ações do Pontão de Cultura da RMN-PR, UBUNTU: Educação e Cultura Negra no Paraná e conta com apoio da Fundação Cultural de Curitiba.
Programação com horários
17h – Abertura
Apresentação da Pri Pontes, com o solo “Chão de Dentro”
18h – Boas-vindas
Momento de acolhida, café, prosa e bate-papo.
19h – Exibição do documentário
19h30 – Roda de conversa
Após a exibição, teremos um momento de diálogo e partilha sobre o documentário e as experiências vivenciadas nos territórios.
21h – Encerramento
Lançamento do documentário “Eixo Memória Negra no Paraná”
Quinta-feira (8), das 17h às 21h, no Teatro Sesi Centro (Rua Paula Gomes, 270 - São Francisco, Curitiba - PR.)
Ingressos gratuitos.