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Espetáculo “A Igreja da Fran", de Rafaela Azevedo, sofre censura em Curitiba

Prefeitura cancelou a apresentação na Ópera de Arame alegando que a peça vai contra a moral e os bons costumes. A artista apresentou "King Kong Fran", no mesmo teatro, em 2025

Rafaela Azevedo “A Igreja da Fran"
Rafaela Azevedo é atriz, dramaturga, palhaça e diretora; foi indicada a importantes prêmios de teatro e fez parte do elenco do Porta dos Fundos, entre outros. (Imagem: Reprodução do Instagram.)
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Nesta terça-feira (30), foi oficializado o cancelamento da nova peça de Rafaela Azevedo, “A Igreja da Fran”, em Curitiba. A notícia pegou o público de surpresa e também foi uma decepção para a artista. A justificativa da produção local é que o teatro quebrou o contrato a mando da prefeitura, alegando que a peça vai contra a moral e os bons costumes. Rafaela confirmou ao Plural o que anteriormente publicou em suas redes sociais sobre o caso: “Sim, é censura! E ponto.”

A data estava marcada (23 de agosto) com ingressos à venda e boa procura. Segundo ela, a explicação recebida é de que o local é da prefeitura, o que dá poder à gestão municipal sobre a programação. A artista suspeita que não se atentaram ao título da peça nem ao seu nome no contrato, então, após a divulgação do evento começar, decidiram censurar o espetáculo.

Entretanto, com ela, a prática é novidade. Em 2025, Rafaela apresentou "King Kong Fran" para plateia lotada no mesmo teatro, a Ópera de Arame. Os dois espetáculos, tanto o que já esteve em cartaz em Curitiba quanto o que está temporariamente impedido (a artista estuda possibilidades em teatros privados), são parte de uma trilogia ousada, produzida com financiamento coletivo, sem dinheiro de renúncia fiscal ou das leis de incentivo à cultura. Com público que ultrapassou 150 mil pessoas no Brasil e exterior, a montagem anterior colocou em xeque principalmente o universo red pill, bem como o patriarcado, a misoginia, o machismo e a objetificação da mulher. Por sua vez, "A Igreja da Fran" coloca no centro da cena a exploração da fé e as narrativas da religião que endossam violências do patriarcado contra mulheres e comunidade LGBTQIAPN+. A montagem está em temporada no teatro paulistano Frei Caneca.

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A reportagem entrou em contato com a produtora local e a DC Set Group (empresa concessionária do Parque das Pedreiras, com o teatro) para questionar sobre o pedido de cancelamento do espetáculo na Ópera de Arame. Não houve resposta. O espaço continua aberto. 

Mais casos 

Conforme reportagem anterior do Plural, em outubro de 2025, o vereador Guilherme Kilter (Novo) promoveu campanha pelo cancelamento do show do humorista Tiago Santineli (apoiador do presidente Lula), que aconteceria no Teatro do Bom de Jesus, em Curitiba. A justificativa apresentada ao artista pelo espaço para impedir o evento, que é da iniciativa privada, seria um serviço de impermeabilização no telhado do prédio na data da apresentação. Em suas redes sociais, o vereador declarou: "Eu parabenizo os teatros por se recusarem a receber o show desse cidadão. A verdade é que em Curitiba nós defendemos a vida e os valores cristãos".

O mesmo vereador já apresentou uma moção de repúdio contra um show da cantora Anitta na cidade, mas não conseguiu cancelar o evento.

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Artistas locais

Artistas locais também relatam ao Plural que estão sofrendo censura e precisam tirar cenas de nudez de obras, mesmo quando direcionadas para público maior de 18 anos de idade. Uma lei que restringe cenas de nudez em espaços públicos ou abertos ao público, proposta por João Bettega (União), foi aprovada em dezembro de 2025. Como justificativa, ele acusou o trabalho do coletivo curitibano Companhia Selvática de usar cenas para promover “mensagens ideológicas e políticas em ambientes abertos".

As pautas em teatros públicos ainda estão sendo dificultadas para a apresentação de montagens com nomes de destaque na cena cultural queer, por exemplo. Outro projeto do mesmo político relativo aos teatros não foi aprovado, ainda está em tramitação.

Bettega foi expulso do MBL (Movimento Brasil Livre) devido a "excesso de bolsonarismo", omissão sobre a presença de um condenado na gestão do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), e produção de "vídeos idiotas". Ainda em 2025, ele foi flagrado dirigindo com a CNH vencida.

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Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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