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É o fim do mundo em “Bugonia”

Grego, excêntrico e pouco sutil, Yorgos Lanthimos faz um filme bastante pessimista sobre a crise ambiental

É o fim do mundo em “Bugonia”
Emma Stone, em cena do filme “Bugonia”, de Yorgos Lanthimos. (Foto: Divulgação)
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Dois apicultores culpam extraterrestres pelo iminente fim do mundo. Essa é a ideia inicial de “Bugonia”, filme que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (27). 

Os primos Teddy e Dom moram sozinhos em uma pequena propriedade rural nos Estados Unidos, numa casa com um interior um pouco escuro e uma decoração suja e caótica. São dois solteirões que criam abelhas, seres delicados, perfeitos e essenciais para a existência do mundo. É o que diz Teddy, um homem fanático nas suas certezas absurdas e transtornado pela ideia de que esses insetos estão se desorganizando, o que levará à extinção da espécie e também de toda a humanidade.

Durante suas pesquisas, uma espécie de missão de vida, Teddy (Jesse Plemmons) mergulhou nas áreas mais profundas da internet e concluiu que seres extraterrestres estão no comando do mundo, manipulando e destruindo o meio ambiente e a população. Para impedir que isso continue, Teddy precisa agir. Seu alvo é Michelle, a superpoderosa CEO de uma empresa farmacêutica que, segundo o nosso desesperado apicultor, é uma representante dos ameaçadores extraterrestres disfarçada de humano. (Importante ressaltar que a mãe de Teddy está muito doente, em coma, dependendo de medicamentos caríssimos fabricados pela empresa dirigida por Michelle.)

Emma Stone interpreta Michelle. A atriz cria uma personagem cuja inteligência e força lutam para ocupar espaço com uma arrogância digna das piores pessoas que ocupam a cabeceira da mesa em reuniões de grandes empresas. Ela seria, talvez, uma Odete Roitman da vida ou, quem sabe, uma alienígena vestindo Prada?

Essa é a resposta que Teddy busca, apesar de já ter a sua própria certeza. Ele sequestra Michelle para que ela assuma, nem que seja “a fórceps”, ser um extraterrestre. Em sua cabecinha, por meio desse E.T. disfarçado, Teddy poderá ter contato com os alienígenas que estão governando a terra, tentará negociar com eles e, quem sabe, o apicultor poderá salvar o mundo e, claro, a sua mãe. 

A empresária é presa no porão sujo da casa dos dois homens. Teddy comandará os interrogatórios (o primo, Dom, é apenas a caricatura de um homem fraco e inútil, mas ele tem uma espingarda apontada para a sequestrada). Michelle nega ser de outro planeta, mas o apicultor insistirá em sua tese e o embate ficará mais tenso e violento. Nesse momento, o diretor acena para o desagradável quadro de dois incels vingando-se de uma mulher à qual nunca terão acesso amorosa e sexualmente.

O filme é dirigido pelo grego Yorgos Lanthimos, o mesmo de “Pobres Criaturas” (2023), um cineasta que divide opiniões com suas obras excêntricas e pouco sutis. Em “Bugonia”, ele consegue criar aquele tom “estranho” que sempre busca em seu cinema. Porém, mais do que isso, no novo filme, o cineasta investe como nunca no pessimismo: os dias estão sempre nublados, as ruas vazias, as instalações da empresa são frias e sem vida e os trabalhadores, esses coitados, encontram-se sempre tristes. Mas o pessimismo de Lanthimos tem um alvo ainda maior: a sobrevivência ambiental. O público, obviamente, compartilha da visão do diretor e, consequentemente, dos medos de Teddy (apesar de achar esse homem um maluco perigoso). É o fim da humanidade, simples assim, diz essa ficção científica. O oxigênio acaba em um estalar de dedos e todos morrem, eis o que apresenta essa comédia.

Emma Stone é a centro do filme. Tudo gira em torno dessa personagem, todas as ações, os medos, a fúria. Ela tentará explicar a Teddy, de forma infalivelmente racional, que é humana e que ele tem problemas mentais por achar o contrário. Em outros momentos, quem sabe para tentar enganar o apicultor, ela dirá que é, sim, um alienígena (dessa forma, aumentando as chances de ser solta das correntes e poder fugir). A inteligência de Michelle domina e enlouquece Teddy, confundindo as suas convicções, induzindo-o a crer no absurdo de suas ideias. Mas não nos esqueçamos: qualquer “idiota” sabe que o meio ambiente está em colapso.

Filme

“Bugonia” estreia nos cinemas de Curitiba nesta quinta-feira (27).

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