Os dados de captação de recursos via projetos culturais no Paraná revelam um padrão consistente ao longo dos últimos anos: Curitiba concentra, sozinha, mais da metade de todo o valor captado no estado, independentemente do ano analisado. A liderança da capital se mantém de forma contínua de 2019 a 2025, ainda que com variações no grau dessa concentração.
Em 2019, Curitiba respondeu por 62,7% de todo o valor captado no Paraná. Na sequência, aparecem Guarapuava (8,9%), Maringá (4,9%), Arapongas (4,8%) e Londrina (4,1%). Somadas, essas cinco cidades concentraram mais de 85% dos recursos do estado naquele ano, evidenciando uma forte centralização regional.
O cenário se intensificou em 2020, quando a capital ampliou sua participação para 69,0% do total captado. Maringá (6,0%) e Londrina (3,0%) aparecem bem atrás, seguidas por Arapongas (2,8%) e Carambeí (2,8%). Mesmo com a entrada de municípios de menor porte entre os destaques, a distância em relação a Curitiba permaneceu expressiva.
Em 2021, a concentração seguiu elevada: Curitiba foi responsável por 62,3% da captação estadual. Maringá se destacou de forma mais intensa nesse ano, alcançando 15,6%, o maior percentual fora da capital em toda a série analisada. Arapongas (4,9%) e Londrina (4,3%) completam o grupo das cidades com maior peso.
Já em 2022, a participação de Curitiba caiu levemente, mas ainda permaneceu majoritária, com 56,7% do total captado no Paraná. Maringá (6,3%), Londrina (4,7%), Arapongas (4,6%) e Guarapuava (3,4%) dividiram parte relevante dos recursos, indicando uma leve, mas ainda limitada, descentralização.
O ano de 2023 marcou o menor percentual da capital em toda a série, embora Curitiba ainda tenha concentrado 51,5% do valor captado. Guarapuava ganhou destaque com 9,6%, seguida por Fazenda Rio Grande (4,5%), Maringá (3,9%) e Ponta Grossa (3,5%). Apesar da redução relativa, mais da metade dos recursos continuou concentrada em um único município.
Em 2024, a capital voltou a ampliar sua participação, alcançando 62,0% da captação estadual. Arapongas teve desempenho expressivo, com 11,2%, enquanto Londrina (5,2%), Maringá (4,6%) e Campo Magro (3,9%) completaram o grupo das principais cidades.
Os dados parciais de 2025 mantêm o padrão histórico: Curitiba lidera com 53,8% do total captado até o momento. Maringá aparece em segundo lugar (8,2%), seguida por Araucária (6,8%), Marechal Cândido Rondon (5,2%) e Castro (4,7%).
Ao longo de toda a série analisada, os números indicam que a captação de recursos culturais no Paraná permanece fortemente concentrada em poucos municípios, com destaque absoluto para Curitiba. Mesmo quando outras cidades ampliam sua participação em anos específicos, a capital segue como o principal polo de atração de recursos, revelando desigualdades regionais persistentes no acesso ao financiamento cultural no estado.