Pular para o conteúdo

Contra a privatização, funcionários da Celepar lançam carta aberta ao secretário Guto Silva

Segundo Comitê de Funcionários, dados dos paranaenses ficarão mais vulneráveis e vender a empresa não reduzirá cargos na estrutura do governo

Contra a privatização, funcionários da Celepar lançam carta aberta ao secretário Guto Silva
Publicado:

Integrantes do Comitê de Funcionários da Celepar, criado para tentar barrar a privatização da empresa, lançaram nesta terça-feira (19) uma carta aberta do secretário de Estado do Planejamento, Guto Silva.

Um dos argumentos utilizados pelo governador Ratinho Júnior é que a privatização trará uma economia de R$ 19 milhões com o fim de cargos comissionados na companhia. Na semana passada, o Plural mostrou que o próprio governo de Ratinho Júnior nomeia aliados políticos e parentes de aliados na companhia. A carta cita a nomeação da tia da mulher de Guto Silva na empresa.

"Se há cargos políticos, a responsabilidade é do próprio governo, que pode extingui-los de imediato. Além disso, é importante destacar que a prática tem servido, na verdade, para acomodar parentes e aliados do próprio governo, como foi apurado pelo jornal Plural. Um exemplo disso é a nomeação de sua tia, Secretário Guto Silva, que ocupa um cargo na empresa", diz a carta. "Extinguir a Celepar não acabará com essa prática; pelo contrário, esses cargos provavelmente serão deslocados para outros setores do governo, perpetuando o problema.

Leia a íntegra:

CARTA ABERTA A GUTO SILVA

Senhor Secretário Guto Silva,

Dirigimo-nos a Vossa Senhoria, ex-assessor de nossa estimada Celepar, em um momento crucial para o futuro da tecnologia pública no Paraná. Estamos na era das inovações tecnológicas, onde a inteligência artificial, o reconhecimento facial e a biometria, em parte desenvolvidos ou implantados com o apoio da Celepar, impactam diretamente a vida do cidadão paranaense.

Hoje, mais do que nunca, a população exige respostas rápidas e eficientes do poder público, acostumada com a agilidade tecnológica do dia a dia. A Celepar tem sido protagonista nesse campo, oferecendo soluções inovadoras com segurança, economia e eficiência.
Ao longo de sua história, a Celepar esteve na vanguarda da transformação digital no Brasil. Foi pioneira em soluções de software livre e, mesmo enfrentando dificuldades como falta de investimento, de pessoal e de visão estratégica, manteve sua relevância graças à competência técnica de suas equipes e ao compromisso com a soberania digital do Paraná.

Acreditamos que o argumento de que uma empresa pública é necessariamente mais lenta e ineficiente não se sustenta. A Celepar, ao contrário, é capaz de atender demandas específicas do governo e da população sem as amarras do lucro. Com gestão estratégica, ela pode inovar, preservar os interesses públicos e continuar garantindo qualidade e economia.

Quanto à alegação de que a privatização traria economia, destacamos que as secretarias estaduais já têm a liberdade de contratar empresas privadas. Contudo, a escolha pela Celepar é recorrente devido à sua competência, rapidez e compromisso social, especialmente em crises como a pandemia, quando soluções emergenciais foram desenvolvidas com excelência.

Terceirizar integralmente os serviços da Celepar é arriscado. A experiência demonstra que o estado perde controle sobre preço, qualidade e prazos ao depender de empresas privadas. Além disso, o benefício fiscal que a Celepar possui por ser de economia mista seria eliminado, trazendo prejuízo ao estado.

A acusação de que a Celepar é um “cabide de empregos” é falaciosa e desrespeitosa. Se há cargos políticos, a responsabilidade é do próprio governo, que pode extingui-los de imediato. Além disso, é importante destacar que a prática tem servido, na verdade, para acomodar parentes e aliados do próprio governo, como foi apurado pelo jornal Plural. Um exemplo disso é a nomeação de sua tia, Secretário Guto Silva, que ocupa um cargo na empresa. Extinguir a Celepar não acabará com essa prática; pelo contrário, esses cargos provavelmente serão deslocados para outros setores do governo, perpetuando o problema.

Outro ponto crítico é a segurança de dados. Com a privatização, os dados dos cidadãos paranaenses estariam mais vulneráveis. Exemplos recentes, como o uso indevido de bases de dados do Detran e da SEED, demonstram que a terceirização aumenta os riscos de violações da LGPD. Não é uma lei ou um conselho que garantirá segurança; é o controle estatal e o trabalho de profissionais capacitados.

O argumento de que “lá fora é assim” ignora o fato de que grandes instituições, como a NASA, nunca entregam áreas estratégicas ao mercado. O mesmo deve valer para a Celepar, cuja missão é estratégica para o estado.

Por fim, destacamos que a Celepar, com o devido investimento, pode ampliar ainda mais sua atuação, formando parcerias com o setor privado, promovendo o desenvolvimento tecnológico do Paraná e mantendo sua referência internacional.

Apelamos para que o governo do estado reconsidere sua posição e valorize a Celepar como instrumento público transformador, capaz de unir eficiência, segurança e economia em prol de nossa sociedade.

Comitê de Funcionários contra a Privatização da Celepar

Leia o que o Plural já publicou sobre a privatização da Celepar:

Privatização da Celepar pode expor dados sensíveis dos paranaenses

Sem licitação, Celepar faz contrato milionário que pode abrir caminho para a privatização

Governo do Paraná envia projeto para privatizar a Celepar

Dados de empresas, saúde e segurança: veja os riscos da privatização da Celepar

Com mais um “tratoraço”, Assembleia aprova projeto do governo para vender a Celepar

Comitê de funcionários lança abaixo-assinado contra a privatização da Celepar

Após usar cargos para agradar aliados, Ratinho Jr. quer vender Celepar por “economia”

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

Todos os artigos

Gostou desta reportagem?

Considere pagar um café para José Marcos Lopes e apoiar o jornalismo independente do Plural. Aponte a câmera do seu banco para o QR Code ou faça um Pix de qualquer valor para a chave abaixo.

32885173000120
Tags:

Mais de José Marcos Lopes

Ver todos

De nossos parceiros