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Como um crítico de cinema usa a TV em dias de pandemia

Marden Machado, curador do Cine Passeio, fala sobre os filmes e séries do seu isolamento e dá dicas de como equilibrar opções densas com outras mais leves

Por Admin
Como um crítico de cinema usa a TV em dias de pandemia
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Para saber o que um crítico de cinema vê em dias de pandemia, a reportagem procurou Marden Machado, curador da programação do Cine Passeio, ainda fechado por causa das regras de distanciamento físico.

Marden tem livros publicados (três volumes na série “Cinemarden”, que compila seus textos), programas de rádio e um site em que publica uma resenha por dia, religiosamente, há quase dez anos.

Na conversa a seguir, por WhatsApp, Mardenfala sobre os filmes e séries que têm visto no isolamento, e explica seu métodopara encarar filmes difíceis: “Procuro vê-los sempre pela manhã, após uma boanoite de sono”.

O quevocê tem assistido durante o isolamento?

Tenho aproveitado para colocar algumas séries em dia. No período normal, por conta do pouco tempo em casa, sempre opto por filmes e deixo as séries em segundo plano. Entre elas, “Doctor Who”, que durante muito tempo fui protelando. Mas agora consegui vê-la inteira, as 12 temporadas dessa leva atual desse clássico seriado da BBC. Por insistência dos meus filhos, vi também a 9ª temporada de “The Walking Dead”, que havia abandonado na temporada anterior. Vi também a 4ª e última temporada de “O Homem do Castelo Alto” e a 3ª temporada de “The Crown”. Comecei também a ver a nova “The Twilight Zone”, de Jordan Peele, e as temporadas mais recentes de “Curb Your Enthusiasm” ["Segura a onda", em português], de Larry David. Como já vi quase tudo que havia planejado ver em termos de séries, voltarei a mesclá-las com filmes em breve.

Jodie Whittaker (no centro), a protagonista de "Doctor Who", famosa série da BBC exibida no Brasil pela Globoplay.

Comovocê faz para escolher o que ver? (Você sempre tem cabeça para enfrentar filmesdifíceis ou, às vezes, prefere relaxar e ver algo mais despreocupado?)

Defendo que não existem filmes difíceis.Acredito que todo filme tem seu tempo próprio e precisa apenas que o espectadoresteja com a mente aberta para receber a proposta apresentada pelo diretor. Adificuldade resultaria justamente da falta de sintonia ou se preferir, desensibilidade por parte do espectador. Desenvolvi ao longo dos anos um métodopara assistir aos chamados “filmes difíceis”. Procuro vê-los sempre pela manhã,após uma boa noite de sono. Procuro sempre alternar obras mais sérias comoutras mais leves e tem funcionado muito bem.

Vocêconseguiria fazer uma lista com as três melhores coisas que viu até aqui,durante o isolamento?

Destaco três que estavam em cartaz nocinemas em março e que saíram de cartaz por conta do fechamento das salas eforam rapidamente disponibilizados via streaming: “O oficial e o espião”, deRoman Polanski; “Você não estava aqui”, de Ken Loach; e “Nóis por nóis”, de AlyMuritiba e Jandir Santin.

Jean Dujardin em cena de "O oficial e o espião", filme de Roman Polanski que foi uma das melhores coisas que Marden viu no isolamento.

Comocinéfilo, imagino que você goste de rever filmes. Para você, qual é diferençaentre a experiência de ver um filme pela primeira vez e rever um de que gostapela enésima vez?

Costumo sempre dizer antes de assistir a umfilme pela primeira vez: “me surpreenda”. A sensação de ser surpreendido nãotem preço. Quando isso acontece de maneira forte, o convite para rever a obra éautomático e pode até ser decepcionante quando visto novamente. Se a sensaçãopersiste ou, melhor ainda, aumenta em relação às primeiras vezes, o filme viraum amigo que merece ser visitado sempre que possível.

Qualfoi a pior coisa que você viu nas últimas semanas? (Vou chutar aqui que foi “TheWalking Dead”…)

Sinto dizer que não foi “The Walking Dead”.A 9ª temporada até me surpreendeu. Dentre os filmes que vi nas últimas semanas,o pior deles foi, sem dúvida alguma, “Bloodshot”, com o Vin Diesel. Mas já fuivê-lo meio que sabendo o que iria encontrar. E logo depois revi “Darkman”, doSam Raimi. Eu e meu irmão, já há bastante tempo, temos uma política de rever umfilme de que gostamos muito logo depois de vermos um filme ruim. Fica aquelaneura de, caso a gente venha a morrer, levar como última lembrançacinematográfica um filme de que a gente não tenha gostado.

Você poderiame dar um exemplo de um filme sério que você alternou com outro mais leve?

Revi semana passada “Retrato de uma jovem emchamas”, de Céline Sciamma, que é um filme que dividiu opiniões por causa desua narrativa pouco convencional (mas que eu adorei) e meia hora depois revi “OCasamento de Muriel”, do P. J. Hogan, que é bem diferente. E tão bom quanto, emsua trama inusitada. Gosto muito de fazer essas alternâncias.

Existealgum filme ou série que, apesar de ser ruim (racionalmente), você adora(sentimentalmente)?

Existem alguns, sim. Tanto filmes comoséries. Do cinema, destaco “Matador de Aluguel”, com Patrick Swayze, e “Showgirls”,do Paul Verhoeven. Já da TV, fico com “Arquivo X” (que foi bem até a 5ªtemporada, depois desceu a ladeira, mas eu vi até o fim [11ª temporada]), damesma forma que “Prison Break” e “True Blood” (ambas começaram muito bem edepois perderam o rumo).

Paraterminar, quais são os serviços que você usa para ter acesso a filmes e séries?

Sou assinante da Netflix, Amazon Prime Videoe Globoplay. E tenho os demais [canais de filmes] no pacote da Vivo de TV acabo. Além dos quase 5 mil filmes que tenho em DVD, Blu-ray e 4K.

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Tags: paraná

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