Esportes ainda perdem para a falta de incentivo em escolas públicas

Quase metade das escolas de ensino fundamental I não contam com espaço para prática esportiva

A prática de esportes é essencial para qualquer pessoa, especialmente aqueles que estão em fase de desenvolvimento, como crianças e adolescentes. Por isso, é importante o incentivo dessa prática, sobretudo no lugar onde eles passam a maior parte do tempo, a escola. No entanto, mesmo diante da relevância da prática esportiva, muitas escolas – principalmente as públicas – não possuem estrutura adequada para tanto.

Segundo os dados do Censo Escolar de Educação Básica 2020, de 135.263 escolas do ensino fundamental I até o médio, 47% não tem um lugar à disposição para prática de esportes. Dados como esses reforçam o preconceito com o ensino público e a divisão de classe. As instituições privadas possuem muitos privilégios que as escolas públicas não têm ou se esforçam para ter, apesar disso não podemos sempre desprestigiar o trabalho que elas demonstram.

Foto: Governo do Estado do Paraná

Com todas as questões estruturais e sociais envolvidas, muitas escolas fazem projetos, campeonatos, sempre movidas junto à aula de Educação Física, que é adorada pelos alunos. Esse incentivo ao esporte ajuda tanto na conscientização ao cuidado com a saúde, como a forma que a escola é vista, pois participando de campeonatos e estimulando alunos, vai se ganhando ou fortalecendo uma imagem para a escola.

Um desses exemplos, no estado do Paraná, são os Jogos Escolares do Paraná (JEPS) evento em que estudantes atletas podem demostrar suas habilidades e promover a importância do esporte. Os jogos são realizados pelo Governo do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Educação, com sua 69ª edição acontecendo em maio e julho desse ano, reunindo jovens de 15 a 17 anos. No ano passado, o JEPS teve mais de 90 mil inscritos, entre alunos e professores treinadores, com 395 municípios participando das disputas nas modalidades futsal, basquetebol, voleibol, handebol, xadrez, atletismo e tênis de mesa. Os Jogos Escolares do Paraná classificam equipes para a etapa nacional dos Jogos da Juventude, impulsionado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que será realizado em setembro, na cidade de Ribeirão Preto (SP).

Para saber mais informações sobre os jogos, acesse o site do Governo do Estado sobre o evento:

Paixão

Por outras regiões do país, a prática de esportes torna-se paixão de muitos estudantes. É o caso de Maria Clara Ribeiro Rodrigues, estudante de ensino médio de uma escola pública de Sorocaba, interior de São Paulo. Praticante de vôlei, ela destaca como se interessou pela modalidade a partir da experiência na escola.

’’No começo eu não queria entrar no time de vôlei, mas eu comecei a ver conteúdos sobre o esporte e assistia as pessoas praticando na minha escola, então comecei a receber elogios sobre meu desempenho na aula de educação física e meu professor disse que eu me daria bem no vôlei. Acabei decidindo entrar no time, me tornando mais competitiva do que eu esperava’’, relata.

Foto: Arquivo pessoal

Atualmente seu time está participando em um campeonato com outras escolas públicas da cidade, conseguindo um bom êxito e progresso, caminhando cada vez mais para a final.

No entanto, ela considera que as escolas não necessariamente incentivam os alunos, embora ofereçam oportunidades. ‘’Eles não vão ficar insistindo para que você faça certos esportes, apenas vão dar oportunidade para quem se interessa, tanto que tem muitos alunos que não participam na aula de educação física”, avalia.

Ela finaliza falando que quando as escolas promovem esses campeonatos e projetos envolvendo esporte, estão pesando mais no prestígio que ganharam com isso ‘’O bem-estar dos alunos é importante para eles, mas o reconhecimento acaba sendo essencial’’.

O esporte nas escolas públicas precisa ser valorizado, mais observado pelo governo, possuindo menos diferenças entre escolas de bairro e de cidades pequenas com as de grandes centros urbanos. Para isso não é necessário só esperar o governo tomar atitudes, mas a população pode buscar e lutar para ter melhoras na educação pública.

Orientação: Otacílio Vaz

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