Fruet desiste de campanha; Goura assume candidatura | Jornal Plural
12 set 2020 - 11h06

Fruet desiste de campanha; Goura assume candidatura

Ex-prefeito não teria conseguido recursos para fazer uma campanha competitiva contra Rafael Greca

(Foto: Mariana Alves)

O deputado federal Gustavo Fruet (PDT) acaba de desistir de disputar a eleição para a prefeitura de Curitiba. Quem assume a candidatura pelo PDT é o deputado estadual Goura.

Fruet não conseguiu o dinheiro que considerava necessário para fazer uma campanha competitiva., Negociou até o último minuto com Carlos Lupi, presidente nacional do partido, mas não recebeu as garantias que desejava. Com isso, acreditava que não tinha como fazer frente a Rafael Greca (DEM), que além de dinheiro e do apoio do governador Ratinho Jr. (PSD) tem a máquina da prefeitura na mão.

Prefeito entre 2013 e 2016, Fruet sempre quis uma “revanche” contra Greca, que o derrotou na tentativa de reeleição, em 2016. Dizia que seria uma boa oportunidade de comparar os mandatos de ambos. No entanto, a candidatura teria se tornado inviável pelas circunstâncias.

Além da falta de dinheiro, Fruet se viu numa situação difícil com a desistência de outros candidatos. Com Ney Leprevost (PSD), Luciano Ducci e Luizão Goulart (Republicanos) fora do páreo, ficava cada vez mais difícil forçar um segundo turno contra o atual prefeito.

Goura, que assume a candidatura agora, terá poucos dias para negociar com outros partidos e escolher um vice. Mesmo assim, fontes ouvidas pelo Plural dizem que ele está disposto a ir em frente com o projeto.

Vereador eleito em 2016, Goura conseguiu o primeiro mandato de deputado estadual em 2018. Formado em filosofia, tem se destacado por pautas humanitárias como a defesa da bicicleta, do uso do canabidiol e o discurso ambientalista.

Leia a nota oficial de Fruet

Como dizia Churchill, “Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir”.

A frase se encaixa bem na atual situação da cidade de Curitiba. Realidade maquiada que o tempo desnudará.

Pensei muito antes de escrever esse texto. Essa decisão de não disputar a Prefeitura não afeta apenas meu futuro, mas o de muitas pessoas que se envolveram nesse projeto e, de certa forma, de toda cidade.

Antes de encaminhar para a conclusão, preciso destacar alguns pontos:

  1. Interesses contrariados – Fui o único administrador fora do grupo que comanda a Prefeitura de Curitiba a se eleger prefeito nos últimos 30 anos.

    Nosso padrão de gestão contrariou interesses ao priorizar transparência para contratos, romper com a acomodação para incentivar a inovação como na área de TI, transporte, urbanismo; apresentar um novo plano diretor com visão de integração e sustentabilidade; utilizar mecanismos dos contratos para garantir eficiência e respeito como na questão do lixo, transporte, iluminação; dar importância à assistência social, saúde e educação públicas de qualidade.

    Hoje, a capital do Paraná está de volta às mãos dos “donos da cidade”.

    Empresários que têm relação direta com a Prefeitura, dela se alimentam e contam com gestores quase como subordinados!

    2. Missão e entusiasmo – Sempre encarei minha trajetória política como uma missão. Aprendi com meu pai a levar dessa forma.

    Como prefeito não foi diferente. Tínhamos entusiasmo, ideias e planejamento para romper a acomodação que prende a cidade à “glórias” do passado e construir a cidade do futuro que mudou de escala. Avançamos em muitas áreas e entregamos o maior pacote de obras da história de Curitiba, em especial com o PAC do governo federal. Muitas delas a população não associa à nossa gestão. Resultado da opção que fizemos ao reduzir gastos com publicidade e direcionar recursos para saúde e educação num momento de brutal crise. Sei também quanto custa manter a liberdade de informação!

3. Relações não ortodoxas – Vencer e garantir apoios é tentador! Não cruzar certas linhas e regras não escritas é obrigação!

Já vimos num passado recente no Paraná e estamos vendo no Rio de Janeiro o resultado de gestões onde os acordos ocultos avançam sobre a coisa pública. Parece que tem que acontecer o escândalo para gerar indignação.

Grande chance de se repetir em Curitiba num futuro próximo.

4. Dever e princípios – “Cumpri contra o destino o meu dever. Inutilmente? Não, porque o cumpri.”

Sempre procurei exercer uma função pública com honestidade, responsabilidade fiscal, sem onerar os cidadãos com aumentos abusivos e seguidos de tributos, com profissionalismo, fiscalizando contratos, garantindo investimentos, ampliando estrutura e eficácia nos serviços públicos. Continuarão sendo meus princípios mesmo que não esteja em sintonia com valores de uma parcela da sociedade.

5. Financiamento de campanha – Oficialmente, existem hoje apenas quatro formas de se financiar uma campanha eleitoral. Através do fundo partidário e eleitoral, doações de pessoa física ou recurso próprio.

Com esse modelo de financiamento evita-se alguns vícios, mas torna a participação mais excludente. Não me refiro à participação somente. Refiro-me à participação competitiva!

Já fui candidato e sei que são necessários recursos para estrutura mínima e profissional que exigem várias atividades prévias.

Não consegui viabilizar esses recursos com a devida antecedência. Não se improvisa, na minha fase, uma eleição majoritária desse porte.

6. Agradecimento – Agradeço pessoas maravilhosas, dedicadas.

Um audacioso e estudado plano de governo foi construído!

Agradeço a direção partidária, que tem que ter enorme engenharia para distribuir recursos entre potenciais candidatos em quase 1200 municípios brasileiros! Agradecimento especial ao Presidente Carlos Lupi e Andre Menegoto do Paraná que recebe neste momento também, um fraterno abraço de solidariedade pela perda de seu pai.

Participarei ativamente do processo eleitoral! Vamos em frente!

Sempre na defesa de nossa Curitiba e nosso Paraná!

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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