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Janeiro Roxo: Paraná lidera casos de hanseníase no Sul em 2025

Secretaria de Saúde estadual atribui números à vigilância ativa, mas estigma ainda adia tratamento

Janeiro Roxo: Paraná lidera casos de hanseníase no Sul em 2025

O Paraná registrou 280 novos casos de hanseníase em 2025, de acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net), do Ministério da Saúde. O número coloca o estado como líder em registros da doença na região Sul, à frente de Santa Catarina, com 103 casos, e do Rio Grande do Sul, que contabilizou 77 notificações no mesmo período.

Em resposta ao Jornal Plural, a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná afirma que o aumento no número de casos deve-se à vigilância ativa, pois, “apesar das fragilidades estruturais que ainda persistem, o volume expressivo de notificações pode ser interpretado como uma consequência direta de um manejo mais robusto na detecção e no acompanhamento dos pacientes, evidenciando um sistema de saúde que busca identificar a doença de forma mais presente do que em outras localidades.”

Conhecida historicamente como lepra, a hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Ela afeta principalmente a pele, mucosas e nervos periféricos, podendo provocar perda de sensibilidade, dores neurais e, em casos mais avançados, deformidades físicas. Transmitida por vias respiratórias de pacientes não tratados, tem longo período de incubação – entre dois e dez anos –, o que dificulta a percepção inicial. Apesar disso, a doença tem cura e deixa de ser transmissível logo após o início do tratamento adequado.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de casos, atrás apenas da Índia. Mesmo com avanços no diagnóstico e no tratamento, a hanseníase segue como um problema de saúde pública no país — agravado pelo estigma histórico que ainda afasta pacientes dos serviços de saúde. "Eles [os pacientes] protelam a busca por ajuda médica, chegando muitas vezes quando já tem sinais claros de incapacidade. Esse estigma pode atrasar e por meses ou anos esse diagnóstico e facilitar a transmissão da doença na comunidade", ressalta a dermatologista e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fabiane Brenner.

Os sinais iniciais incluem manchas claras ou avermelhadas na pele com alteração de sensibilidade, formigamentos, dores nos nervos e diminuição da força muscular. O diagnóstico é clínico e laboratorial, podendo envolver baciloscopia e biópsia das lesões, com classificação da doença em paucibacilar ou multibacilar. O tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e dura, em média, de seis a doze meses, podendo ser estendido conforme a gravidade do caso.

O maior pico da hanseníase no Brasil foi registrado em 2003, com 51.941 novos casos. Em resposta à persistência da doença, o Ministério da Saúde instituiu, em 2016, o mês de janeiro como marco nacional de conscientização, dando origem à campanha Janeiro Roxo, voltada à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao combate ao preconceito.

No Paraná, que conta com  733 casos ativos, segundo a Sesa, as ações da campanha estão alinhadas ao Plano Estratégico para o Enfrentamento da Hanseníase 2025–2030, que articula a Atenção Primária à Saúde, a Vigilância Epidemiológica e iniciativas de Promoção da Saúde. Entre as estratégias previstas está o incentivo à busca ativa de casos suspeitos, capacitação de profissionais e ampliação da informação à população. “A campanha encoraja a população a buscar ajuda imediata sem o temor do julgamento social, fator que historicamente retarda o diagnóstico e agrava as sequelas”, destaca a nota. 

Durante o Janeiro Roxo, os municípios podem promover o chamado “Dia da Mancha e dos Nervos”, ação voltada à avaliação clínica de pessoas com sinais suspeitos da doença. A iniciativa utiliza ferramentas como o Questionário de Suspeição de Hanseníase (QSH) e a avaliação neurológica simplificada, facilitando a identificação precoce de alterações cutâneas e neurológicas. Em Curitiba, até a data de publicação desta reportagem, a atividade ainda não havia sido realizada.

Marya Marcondes

Marya Marcondes

Estagiária do Jornal Plural. Estudante de Jornalismo da UFPR. Palmeirense e colecionadora de hobbies.

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Tags: Paraná Saúde

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