Texto de Breno Gallina, aluno de Jornalismo da PUCPR
Sob orientação de Rogerio Galindo
A Direção Estadual da APP-Sindicato repudiou em uma nota as declarações do Secretário de Educação do Paraná Roni Miranda Vieira dadas em entrevista no programa Jornal da Manhã do Paraná da Jovem Pan News Curitiba no mesmo dia.
Na entrevista, que foi ao ar Dia do Professor, o secretário afirma estar ciente que professores vão trabalhar enquanto docentes para não terem seus salários descontados por estarem ausentes. O desconto é fruto de um decreto assinado por ele e pelo Ratinho Jr. (PSD) para punir professores que não trabalharem por razões não justificadas ou afastados por um longo período de tempo, assinado em dezembro de 2024.

Miranda afirma que o decreto funciona recompensando os professores presentes em sala de aula, enfatizando que “eu tenho vários casos de professores que vão trabalhar doentes ou, enfim, remarca sua consulta em um horário que ele não vai estar dando expediente”.
Na nota, o sindicato menciona que essas declarações carregam o precedente histórico de duas professoras que morreram em sala de aula em Curitiba, e de um professor que foi forçado a trabalhar no leito do hospital para manter sua taxa de presença em 100% em um sistema que não aceitava atestados médicos.
A APP também destacou que foram divulgados neste ano dados oficiais produzidos pelo governo mostrando que, em 2024, mais de 10 mil educadores(as) que atuam na rede estadual de ensino precisaram se afastar do trabalho para tratamento de problemas ligados à saúde mental.
Leia a íntegra da nota da APP:
Nota de repúdio às declarações do secretário Roni Miranda no Dia do(a) Professor(a)
A APP-Sindicato repudia com veemência as declarações do secretário da Educação do governador Ratinho Jr. (PSD), Roni Miranda, que iniciou o Dia do Professor, nesta quarta-feira (15), com uma entrevista escandalosa onde defendeu as medidas criadas em sua gestão para punir com redução no salário os(as) professores(as) que adoecem. O secretário também teve a coragem de confessar ter conhecimento de que, em decorrência das suas decisões, os(as) professores(as) estão indo trabalhar doentes.
As falas do secretário foram proferidas durante uma entrevista para o programa Jornal da Manhã Paraná, da rádio Jovem Pan, e causaram espanto mesmo até aos(às) entrevistadores(as) que não conseguiram entender porque Roni Miranda e o governador Ratinho Jr. assinaram um decreto que suspende o pagamento da gratificação GTE dos(as) professores(as) afastados(as) do trabalho por situações permitidas na legislação, provocando a redução do salário dos(as) docentes em tratamento contra o câncer, doenças graves e também das professoras em licença maternidade.
“Mesmo que seja por uma ausência, por exemplo, questão de saúde? Uma pessoa com câncer, a pessoa não tem como ir (dar aula)”, indagou o entrevistador, incrédulo com a tentativa do secretário de explicar a crueldade da medida. Em resposta, Roni reiterou sua defesa à punição sob a justificativa de que a gratificação seria para “valorizar” o(a) professor(a) que está em serviço. Em seguida, acrescentou a confissão da crueldade por trás desta decisão: “eu tenho vários casos de professores que vão trabalhar doentes ou, enfim, remarca sua consulta em um horário que ele não vai estar dando expediente”.
Essas declarações do secretário Roni Miranda ocorrem poucos meses após duas professoras morrerem em sala de aula, na cidade de Curitiba, e viralizar na internet a imagem de um professor fazendo curso no leito do hospital porque a Secretaria da Educação exigia 100% de presença, não aceitava atestado médico e previa consequências para quem não participasse da formação. Somado a tudo isso, também foram divulgados neste ano dados oficiais produzidos pelo governo mostrando que, em 2024, mais de 10 mil educadores(as) que atuam na rede estadual de ensino precisaram se afastar do trabalho para tratamento de problemas ligados à saúde mental.
A APP-Sindicato tem feito a denúncia das condições de trabalho que têm levado a categoria ao adoecimento e cobrado insistentemente ao secretário para que encerre imediatamente as medidas absurdas de sua gestão que vão desde ao assédio moral institucional, cobrança de metas inatingíveis, impedimento da autonomia docente e vigilância, até as punições incabíveis com redução de salário e prejuízo na classificação de distribuição anual de aulas. Esses casos já foram notificados às autoridades, com a solicitação de providências e, diante desta confissão de conhecimento e concordância com a violação da dignidade e os direitos dos trabalhadores(as), serão tomadas novas medidas para responsabilização da Secretaria e do secretário.
Neste Dia do(a) Professor(a), a gestão Ratinho Jr. e Roni Miranda serve como péssimo exemplo para o Paraná e para o Brasil de como atuam gestores que não fazem absolutamente nada para respeitar e valorizar os(as) profissionais da educação, trabalhadores(as) imprescindíveis na formação de cidadãos e construção da sociedade. Diferente deles, a APP-Sindicato reafirma sua atuação intransigente na defesa dos(as) professores(as) e dos(as) funcionários(as) de escola e da educação pública de qualidade, na certeza de que essa luta é justa, vai continuar, resistir e avançar.
Direção Estadual da APP-Sindicato
Curitiba, 15 de outubro de 2025