Ao contrário de anos anteriores, o Governo do Paraná decidiu manter a oferta da vacina contra a gripe somente para grupos prioritários, por tempo indeterminado. A cobertura vacinal desses grupos ainda está baixa, próxima de 43%, e esta é a justificativa da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para manter a prioridade. Outros estados, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, já ampliaram a oferta.
De acordo com a Sesa, o Paraná recebeu, até o momento, 3,8 milhões de doses de vacinas do Governo Federal e aplicou 2 milhões. Apenas crianças entre 6 meses e 6 anos, idosos e gestantes somam 2,9 milhões de pessoas no Estado. Somando-se outros grupos prioritários, como indivíduos com doenças crônicas, trabalhadores da saúde e pessoas privadas de liberdade, o número de aptos a se vacinar sobe para 4,8 milhões.
“O objetivo da secretaria é garantir a proteção das populações mais vulneráveis neste período mais frio do ano, antes do inverno, em que a circulação de vírus respiratórios atinge o pico sazonal e os casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs) tendem a aumentar”, diz a Sesa, em resposta à reportagem.
Estratégia mudou
Ao menos nos dois anos anteriores, a estratégia da Sesa foi outra, com a oferta da vacina contra a gripe para o público geral iniciando no mês de maio. Em 2024, teve início no dia 1o; em 2025, no dia 9, quando o índice de cobertura vacinal dos grupos prioritários não chegava aos 30%.
A demora na oferta geral chama a atenção da população, que procura em vão as Unidades Básicas de Saúde (UBSs). “Eu tomei no dia 10 de maio de 2025. Já passei no posto também pra tomar e nada de abrir. Péssimo! Quem quer se proteger, não consegue”, reclama uma moradora de Londrina.
“O que me preocupa é que já estamos no frio e eles não têm nem data de previsão”, diz outra.
Cobertura abaixo da meta
Em Londrina, a Secretaria de Saúde tem promovido ações especiais de vacinação para alcançar o público prioritário, como em shoppings, Centro de Referência (CRAS) e aeroporto. A oferta também segue em todas as UBSs.
Na cidade, a cobertura vacinal contra a gripe está em 54%, ainda bem abaixo dos 90% preconizados pelo Miniserio da Saúde. O grupo prioritário com menor cobertura é o das crianças: apenas 24% foi vacinada.
“Vivemos uma crise cultural, com muita desinformação. Então, queremos chamar a atenção, principalmente em relação às crianças e idosos. As estatísticas têm nos mantido em alerta e seguiremos sem medir esforços para melhorar este números”, afirmou a secretária de saúde, Vivian Feijó.
Dezoito mortes
De acordo com o mais recente boletim da Secretaria de Saúde, Londrina soma 18 óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, sendo dois por Influenza, dois por Vírus Sincicial e 14 sem confirmação de vírus específico.
Entre os dias 24 e 29 de maio, o Pronto Atendimento Infantil (PAI), referência municipal para urgências e emergências pediátricas, contabilizou 3.802 atendimentos. Desse total, 2.021 estavam relacionados a casos de Síndrome Gripal, o que representa 53,15% dos atendimentos.
Já as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Sabará e Centro, e os Prontos Atendimentos (PAs) do União da Vitória, Leonor e Maria Cecília, somaram 14.312 atendimentos gerais no mesmo período. Entre eles, 4.293 estiveram relacionados a síndromes gripais, representando 30% do total.