Na calada da noite do dia 16/9, a Câmara de Deputados aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Blindagem. Que tinha como objetivo a ampliação do foro privilegiado, restringe processos criminais contra parlamentares e acrescenta voto secreto às decisões.
Foi uma noite de comemoração para a maioria dos deputados, que celebraram ovacionando e orando por suas anistias e de seus comparsas. Entre os deputados, se destacam vários paranaenses: Beto Richa (PSDB); Delegado Matheus Layola (União); Diego Garcia (Republicanos); Dilceu Sperafico (PP); Felipe Francischini (União); Filipe Barros (PL); Geraldo Mendes (União); Giacobo (PL); Luisa Canziani (PSD); Padovani (União); Paulo Litro (PSD); Pedro Lupion (PP); Reinhold Stephanes (PSD); Ricardo Barros (PP); Sergio Souza (MDB); Tião Medeiros (PP); Toninho Wandscheer (PP); Vermelho (PP).
Em resposta a essa atrocidade contra a democracia, o povo se organizou e no dia 21/9, domingo, tomou as ruas do país. Ao todo, 33 cidades tiveram atos, incluindo todas as capitais, incluindo alguns atos em outros países, como Portugal (Lisboa) e Alemanha (Berlim). Em Curitiba, cerca de 15 mil pessoas participaram de uma manifestação na Boca Maldita, no centro da cidade. As palavras de ordem, “Sem anistia pra golpista”, ecoaram na Rua XV de Novembro, uma das ruas principais da capital.
Em paralelo, um grupo de pessoas, intituladas de “cidadãos de bem” e “defensores da democracia”, fizeram um pequeno ato nas escadarias da Universidade Federal do Paraná, com o pretexto de “Recuperar a Universidade dos esquerdistas”. Manifestantes e parlamentares gritavam aos quatro ventos que a direita de Curitiba não tem espaço e é fortemente censurada na cidade - narrativas falaciosas e incoerentes.
Voltando à narrativa da PEC da Bandidagem, a voz do povo mostrou que tem força. Nesta quarta, (24), a proposta foi encaminhada para votação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal do Brasil (CCJ), sendo amplamente rejeitada. O descontentamento da população influenciou diretamente na decisão dos senadores. O relator do processo, Alessandro Vieira (MDB-SE), declarou a proposta como “inconstitucional”. Também pontuou que “a sociedade brasileira grita em sentido diametralmente oposto, ou seja, ela almeja o fim da impunidade, como as amplas manifestações públicas sinalizaram no último domingo”.
Toda essa movimentação nos prova que quando o povo se organiza, se mobiliza, vai às ruas, existe resultado. As nossas decisões voltadas ao campo político não podem se limitar à votação nas urnas a cada quatro anos. Precisamos lembrar que todos os políticos, seja no Senado, na Câmara, na Prefeitura ou até mesmo na Presidência da república, são servidores públicos e servem a população. Eles só estão onde estão, por que a população decidiu que assim será. E que em hipótese alguma, o trabalho ali feito, pode ser feito para benefício própria. A voz do povo é decisiva.