Pular para o conteúdo

Ratinho Jr. faz propaganda sobre redução do IPVA, mas mantém ICMS alto para os mais pobres

ICMS é o mais alto do Sul, mas vários itens mais consumidos têm alíquota zerada

Ratinho Jr. faz propaganda sobre redução do IPVA, mas mantém ICMS alto para os mais pobres
O governador Ratinho Júnior entre governadores e o ex-prefeito Rafael Greca. Foto: Tami Taketani/Plural
Publicado em:

O governador Ratinho Júnior (PSD) e seus aliados comemoraram na última semana a redução na alíquota do IPVA, que deverá ser a mais baixa do país em 2019, mas o ICMS, que pesa no bolso de toda a população continua o alto entre os três estados do sul país. A alíquota foi reajustada para 19,5% em dezembro de 2023, índice que passou a valer no ano seguinte. Antes, era de 19%, também mais alta que em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Nesta semana, em meio aos elogios dos governistas na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), a deputada Luciana Rafagnin (PT) cobrou a redução do ICMS, que vem aumentando desde 2014, quando o governador era Beto Richa (PSDB) – o maior salto foi registrado durante a gestão do tucano. 

“Em 2014, passamos de 12% para 18%. Em 2022, o percentual subiu para 19% e, em 2024, chegou a 19,5%, impactando itens essenciais como energia elétrica e água mineral, entre outros”, disse Luciana Rafagnin. “Sempre nos posicionamos contra esses aumentos. Na época o governo não recuou da proposta, mesmo sabendo que 97% dos paranaenses eram contra a medida de acordo com pesquisa encomendada pelo setor produtivo”.

A redução do IPVA causa mais impacto, por ser um imposto direto sobre o patrimônio, mas a carga indireta do ICMS, que incide sobre os produtos básicos, é a que mais pesa no bolso, principalmente das classes mais baixas. Enquanto no país há um debate sobre a taxação do patrimônio, no Paraná a lógica parece ser inversa, já donos de carros que podem custar até R$ 400 mil pagarão menos, mas vários produtos seguem taxados em 19,5%.

“A redução do IPVA é uma política fiscal que dá a sensação de mais liquidez. O imposto sobre patrimônio é mais direto. Nossa carga de impostos indiretos é muito alta, o que onera muito as classes mais baixas”, diz a economista Ludmila Culp, professora do curso de Negócios Internacionais da Escola de Negócios da PUCPR. “A discussão hoje é essa aumentar a carga sobre quem tem patrimônio, donos de jet ski e barcos. Quando se reduz o IPVA, parece que se está novamente protegendo setores de património e transferindo para ICMS, o imposto que vai incidir sobre todo mundo”.

O ICMS mais alto do Brasil é cobrado no Maranhã0: 23%. O índice mais baixo é de 17%, cobrado no Espírito Santo, no Mato Grosso, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Ratinho Junior tenta lacrar sobre impostos, mas é confrontado por dados e eleitores
Governador aumentou ICMS e manteve alto o IPVA dos paranaenses durante seu governo

Segundo o governo do Paraná, a alíquota do ICMS é compensada pelo grande número de itens de consumo isentos no estado: dos 32 produtos mais consumidos de acordo com levantamento da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), 21 têm a alíquota zerada no estado. Isso inclui carnes, queijos, manteiga, arroz; feijão, frutas, verduras, legumes, café, açúcar, óleo de soja, óleo vegetal, farinhas de trigo, mandioca e milho, massas alimentícias e e leite em pó.

Projeto será enviado na segunda-feira

O governo adiou o envio do projeto de lei que reduz a alíquota do IPVA de 3% para 1,9%, anunciada na semana passada pelo governador Ratinho Júnior. Segundo o líder do governo na Alep, Hussein Bakri (PSD), o projeto será enviado na segunda-feira (1º de setembro).

O governo aposta em um aumento no número de carros emplacados no estado e em uma maior arrecadação com o ICMS para compensar as perdas para os cofres do estado e dos municípios – neste anos foram arrecadados cerca de R$ 3,2 bilhões com o pagamento do IPVA e os repasses para os municípios chegaram a R$ 1,5 bilhão.

ICMS pelo país

Maranhão 23%

Piauí 22,5%

Bahia 20,5%

Pernambuco 20,5%

Amazonas 20%

Ceará 20%

Distrito Federal 20%

Paraíba 20%

Rio de Janeiro 20%

Rio Grande do Norte 20%

Roraima 20%

Tocantins 20%

Rondônia 19,5%

Paraná 19,5%

Alagoas 19%

Goiás 19%

Pará 19%

Sergipe 19%

Amapá 18%

Mato Grosso do Sul 18%

Minas Gerais 18%

São Paulo 18 %

Espírito Santo 17%

Mato Grosso 17%

Rio Grande do Sul 17%

Santa Catarina 17%

Newsletter

O que aconteceu em Curitiba e no Paraná hoje, em cinco minutos

De segunda a sexta, no fim do dia, direto no seu e-mail.

Sem spam. Você pode cancelar quando quiser.

Falta um passo

Enviamos um link para o seu e-mail. Clique nele para confirmar o cadastro.

Não conseguimos concluir agora. Tente de novo em instantes.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

Todas as reportagens

Mais em Paraná

Ver todos

Mais de José Marcos Lopes

Ver todos