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Pré-candidato a vereador pelo União Brasil é suspeito de integrar facção criminosa em Maringá

Ex-repórter da Rede Massa, André Almenara trabalha como radialista e tem um site de notícias policiais. Segundo a polícia, ele repassava informações sobre operações para os criminosos

Pré-candidato a vereador pelo União Brasil é suspeito de integrar facção criminosa em Maringá
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A Divisão de Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil, cumpriu nesta quinta-feira (8) um mandado de busca e apreensão contra o repórter policial André Almenara, pré-candidato a vereador pelo União Brasil em Maringá, no Norte do Paraná. Ele é suspeito de repassar informações sigilosas sobre crimes e operações policiais para uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e à prática de homicídios na região.

Segundo a Polícia Civil, o nome de Almenara surgiu durante uma operação que cumpriu mandados de busca contra integrantes da organização criminosa em Maringá. Os policiais apreenderam o celular de um integrante da facção, conhecido como Bilinha, que morreu em um confronto com a polícia poucos meses antes. No celular, os investigadores encontraram conversas entre Bilinha e Almenara sobre homicídios e operações policiais.

Almenara foi indiciado por supostamente repassar para a organização criminosa informações confidenciais sobre apreensões de drogas, homicídios, autores e vítimas dos crimes e linhas de investigação policial. Ele também compartilhava fotos com o criminoso, segundo a investigação. De acordo com a Polícia Civil, usando da condição de repórter, ele fornecia ainda informações sobre a localização de equipes policiais e divulgava operações policiais antes de sua execução.

“Nesse celular havia diversas conversas com esse repórter noticiando sobre locais onde havia viaturas, onde tinha blitz e prisão de pessoas. Costumeiramente esse criminosos perguntavam sobre operações policiais e ele sempre dizia que iria levantar as informações”, disse o delegado Leandro Munin. “Vai ser indiciado pelo crime de integrar organização criminosa e o celular dele será periciado, para tentarmos identificar quem eram os informantes desse repórter”. O suspeito deverá ser ouvido na segunda-feira (12).

Em uma das conversas apreendidas, segundo a polícia, o suspeito repassou informações sobre uma apreensão de drogas e encaminhou a foto da carreta apreendida. “Ele pegou essa droga em Foz do Iguaçu e ia levar para Minas Gerais, ele fala que ia ganhar R$ 40 mil para deixar a encomenda lá”, disse o repórter. “Você tem foto da carreta aí? Manda pra mim, por favor”, teria respondido Bilinha. “Já já mando”, afirmou Almenara.

Em outra mensagem, o repórter teria dito que o grupo criminoso devia ter matado uma pessoa para ele “filmar no chão”. “Então menino, tinha que ter feito ele né. Para a gente filmar ele no chão né’.

Almenara já trabalhou como repórter da Rede Massa em Maringá e mantém um site de notícias policiais com seu nome. Em seu perfil no Instagram, ele se descreve como apresentador de tv, radialista, influenciador digital e repórter policial. A reportagem entrou em contato com a advogada do suspeito, Josiane Monteiro Bichet de Oliveira, mas não houve posicionamento até a publicação desta matéria. O Plural fica aberto a um eventual posicionamento da defesa.

Repercussão política

O União Brasil em Maringá emitiu um nota informando que suspendeu a candidatura de André Almenara. “O partido União Brasil de Maringá declara que participará do pleito eleitoral de 2024 com 24 candidatos a vereador, os quais apresentaram todas as certidões cíveis e criminais exigidas, conforme determina a lei eleitoral. Em virtude dos últimos acontecimentos envolvendo um de nossos filiados e pré-candidato, conforme relatado pelos órgãos policiais e pela imprensa, comunicamos que iremos suspender a candidatura do mesmo”.

Em novembro do ano passado, Almenara divulgou uma nota afirmando que concorreria ao cargo de vereador. “Conversei muito com minha família, e espero contar com você que já conhece minha vida particular e profissional. Caso ocorra uma vitória não abandonarei a comunicação. Quero trabalhar em dobro”, diz a nota. “Vereador não é pra ficar em gabinete, vereador precisa estar nos bairros cobrando melhorias para a comunidade. E só pra finalizar a conversa, não terei dinheiro algum para injetar na minha campanha”.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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