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Polonesa que venceu Nobel chega ao Brasil em novembro

Editor da versão brasileira de Sobre os Ossos dos Mortos fala ao Plural

Polonesa que venceu Nobel chega ao Brasil em novembro
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A Todavia estava com o livro certo para lançar no momento exato. Sobre os ossos dos mortos, romance de Olga Tokarczuk, chega às livrarias em novembro, pouco depois do Nobel de Literatura concedido nesta quinta à autora.

A polonesa, autora de ensaios e romances, nunca havia sido publicada no Brasil. O romance foi traduzido direto do polonês por Olga Bagínska-Shizato e editado por Leandro Sarmatz. Nessa entrevista ao Plural, Sarmatz fala sobre a importância da escritora e do livro que vai apresentá-la aos brasileiros.

Por que vocês decidiram publicar a Olga, e por que exatamente esse livro?
Com uma obra poderosa e diversa, além de ser uma voz inquieta e crítica sobre a política e cultura de sua Polônia natal, Olga Tokarczuk  é uma das mais inventivas autoras contemporâneas. Seus livros, muito diversos entre si, vão do romance ao ensaio, passando por todas as variações nesse espectro: a narrativa de viagens, o romance histórico, o thriller, a sátira, a observação contemporânea. Uma obra que já nasce a um só tempo clássica e profundamente arraigada aos dias de hoje.Esse hibridismo formal, essa visão sobre temas de hoje -- autoritarismo, especismo, envelhecimento --, aliados a uma escrita que sempre toma o partido do prazer do texto, fazem da autora um nome incontornável. O leitor brasileiro de boa literatura vai encontrar tudo isso em Olga Tokarczuk, uma autora que, falando do Leste Europeu, conversa com leitores do mundo todo.  

Li um pouco sobre a trama, e parece muito fácil aquilo escorregar para algo comercial ou ingênuo. Mas parece que ela vai para bem longe disso, certo? Conta um pouco sobre o sentido do livro.
É um thriller que lida com temas como envelhecimento, nosso domínio sobre a natureza e a obra de Blake! Não tem nada de comercial e ingênuo, mas sim profundamente humano e todo armado numa escrita empática.

De alguma maneira você acha que a reflexão dela sobre a Polônia, outro país que vem vivendo um regime de direita, se aplica ao Brasil?
Ela é uma crítica contumaz do autoritarismo e da guerra ao conhecimento -- na Polônia, claro, mas isso pode se aplicar a Brasil e outros países neste triste momento da vida política mundial.

Pela tua experiência, um Nobel chega a mexer muito com vendas? Como vocês imaginam que deve ser a recepção aqui?
Mexe sim e sobretudo chama a atenção não apenas para o autor premiado, mas para o mundo literário do qual ele faz parte. Acho que vai ser muito boa, como em outros países. Olga é uma ficcionista estupenda!

Tem mais coisas dela que vocês pretendem lançar?
Ano que vem lançamos Viagens, uma mistura genial de romance, ensaio e diário de viagem.

Na Amazon: Sobre os ossos dos mortos

PS: O Plural não tinha percebido que já existe no Brasil uma tradução de Os Vagantes, pela Tinta Negra.

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