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Milhares de professores participam de ato em Curitiba e Ratinho autoriza progressões

Ato lembrou os 34 anos da violenta repressão da cavalaria da PM contra professores

Milhares de professores participam de ato em Curitiba e Ratinho autoriza progressões
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Milhares de pessoas participaram, nesta terça-feira (30) do ato organizado pela APP-Sindicato, em Curitiba, que relembrou os 34 anos do “massacre de 1988”, quando ao menos uma dezena de pessoas ficou ferida durante um protesto contra o então governador Alvaro Dias por melhores condições de trabalho.

Além disso, professores também reivindicaram uma série de demandas como pagamento data-base, progressões, promoções e realização de concurso público. O protesto lembrou ainda da morte das sete pessoas em Palmeira, ocorrida em 11 de agosto, quando o grupo se descolocava para o congresso da categoria.

Professores e trabalhadores da educação vêm pressionando o governador Ratinho Jr. (PSD) desde antes da pandemia, porém, depois do retorno presencial das atividades a tensão aumentou.

Manifestantes cobram Ratinho Jr. pelo pagamento da data-base | Foto: Tami Taketani/Plural.

Nesta semana Ratinho autorizou, por meio de despacho, a promoção e progressão de todos os servidores de carreira da administração direta e autárquica, incluindo os exercícios pendentes desde 2019.

Segundo a Secretaria Estadual de Educação (Seed) isso terá impacto financeiro de R$ 190 milhões e cerca de 31 mil servidores devem ser atendidos. Contudo, as progressões só devem ser implantadas a partir da próxima semana.

1988

Uma das professoras que participou do protesto contra Alvaro Dias, em 1988, foi Marlete Ferreira Sebastião, de 70 anos, que lecionava artes até três anos atrás. Mesmo com as baixas temperaturas ela deixou Assis Chateaubriand, no noroeste do Estado, e esteve em Curitiba para participar do ato.

“Eu fui prisioneira da Assembleia (Legislativa) onde nós tínhamos detergente na sopa. Ficamos lá porque se saíssemos não poderíamos retornar e para não esvaziar nós permanecemos”, relembra a educadora.

Professora Marlete Ferreira Sebastião esteve no protesto de 1988 | Foto: Tami Taketani/Plural.

À época membros da APP-Sindicato pediam melhoria nos salários, mas a mobilização foi reprimida com violência. A Polícia Militar utilizou a cavalaria e também cães para encerrar o protesto.

“Deitamos do lado de fora uma noite e os cachorros [da PM] vinham cheirar a gente. Aí os colegas nos puxavam pelos pés para acordarmos. Uma coisa traumática. Mas eu não consigo ficar em casa, porque neste momento aqui passa um filme de terror”, diz.

Eleições

Diversos candidatos e candidatas que concorrem às eleições deste ano participaram do ato, que teve início na praça 19 de Dezembro e seguiu até a frente do Palácio Iguaçu.

Os professores apresentaram uma carta-compromisso com diversos pontos (leia a íntegra abaixo) e o documento foi assinado pelo candidato do PT ao governo do Estado, Roberto Requião, que conquistou formalmente o apoio da APP-Sindicato.

Também se comprometeram com os professores Adriano Teixeira (PCO) e Vivi Motta (PCB), que também disputam o Palácio Iguaçu.

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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