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Plural não irá noticiar boatos de ameaças a escolas

Jornal irá discutir critérios para a cobertura e evitar dar visibilidade para agressores e ameaças

Plural não irá noticiar boatos de ameaças a escolas
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O Plural, veículo jornalístico independente de Curitiba, não irá noticiar eventuais boatos de ameaças feitas a escolas e outras instituições de ensino. A decisão, tomada pela CEO do jornal, Rosiane Correia de Freitas, visa evitar que o trabalho jornalístico contribua para a disseminação de informações falsas e pânico.

Segundo Freitas, o impacto negativo da visibilidade dada a agressores em ataques violentos a escolas e outros locais públicos é "amplamente documentado, assim como suas consequências deletérias". "A cobertura de atos de violência em massa, especialmente a que dá visibilidade à ameaça e ao agressor, tem um efeito de contágio bastante conhecido e semelhante ao das notícias de suicídios".

Em 2020, uma revisão de estudos sobre suicídio e jornalismo promovida pelo pesquisador da Universidade de Viena, Thomas Niederkrotenthaler, apontou que, em média, as pesquisas sobre o tema apontavam um aumento de 13% na incidência de suicídios após a imprensa noticiar casos de suicídio de celebridades.

Esse comportamento de "contágio" se repete na ocorrência de ataques. Segundo a pesquisa "Contagion in Mass Killings and School Shootings" (Contágio em Assassinatos em Massa e Ataques a Escolas), por Sherry Towers, da Universidade Estadual do Arizona, o efeito dura em torno de 13 dias após um caso de grande repercussão. É por isso que o Poynter Institute, centro de estudos de jornalismo sediado na Flórida, recomenda que a cobertura de tais casos evite dar evidência ao agressor e a eventuais "manifestos" ou ideias dele. Também sugere não usar foto do agressor e evitar usar o nome.

No caso de ameaças sem qualquer relação com situações concretas e cuja origem da informação sejam mensagens em redes sociais, a divulgação, diz Freitas, "apenas alimenta o pânico e a sensação - equivocada - de que há uma 'onda' de violência". "Quem informa e confirma ameaças são as forças de segurança", completa. Nesse caso - de alerta emitido por autoridade policial - o jornal irá noticiar com todos os cuidados necessários. O Plural também irá reunir seus jornalistas para discutir critérios para o trabalho em torno do tema.

"Jornalismo é um trabalho intelectual. Não dá para seguir numa cobertura tão importante, que afeta tanto a comunidade escolar, sem parar e refletir como melhor informar", conclui.

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