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Para “lacrar”, vereador da direita ataca Plano para Mulheres e pede retirada de “material indigno”

Em vídeo, vereador faz confusão entre o plano criado em 2023 e um material de divulgação. Prefeitura diz que Plano Municipal de Política para Mulheres está em vigor até o fim de 2026 e que nenhum material foi recolhido

Para “lacrar”, vereador da direita ataca Plano para Mulheres e pede retirada de “material indigno”
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“Começou aqui a remoralização (sic) de Curitiba”, diz o vereador Eder Borges (PL) no vídeo em que anuncia o recolhimento de um material de divulgação do Plano Municipal de Política para Mulheres dos postos de saúde, após uma reclamação que teria sido feita por ele à prefeitura. No vídeo intitulado “Acabei com a distribuição de material militante em postos de saúde”, Borges diz que o material é “indigno” e que, depois de fazer a “denúncia no horário de almoço”, a prefeitura determinou a retirada de “todo o material” no fim da tarde.

Além de usar uma palavra que não existe, Borges promoveu uma confusão entre o material de divulgação e o plano, lançado em 2023. “A gestão anterior espalhou um panfleto absurdamente ideológico nos postos de saúde. Tomei conhecimento, pedi a retirada imediata e a prefeitura atendeu. Estou tomando providências com (sic) esse plano municipal de politica para mulheres, herança maldita de gestões anteriores que é pura militância woke”, diz o texto da postagem no Instagram.

Classificado pelo vereador como “herança maldita” da gestão Rafael Greca, o Plano Municipal de Política para Mulheres está em vigor até o fim de 2026, informou nesta terça-feira (18) a assessoria da prefeitura de Curitiba. A assessoria informou ainda que nenhum material foi recolhido do posto de saúde da Praça Ouvidor Pardinho, citado por Borges no vídeo. A prefeitura diz desconhecer qualquer ação para retirada do material.

O vídeo na verdade se refere ao material de divulgação do plano, produzido pela Assessoria de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres, que era atrelada à Secretaria do Governo Municipal. O texto da postagem de Eder Borges, no entanto, não deixa isso claro. “Recebi uma denúncia sobre esse Plano Municipal de Política para as Mulheres”, diz Borges, que era vereador na Legislatura passada, mas demonstra desconhecimento sobre um plano que está em vigor desde 2023. “Uma verdadeira pouca vergonha”, define. 

O que revoltou o vereador bolsonarista foram palavras como “transexuais” e “travestis”. “Eu vim aqui (no posto de saúde da Praça Ouvidor Pardinho), recolhi o material que ia sair, estou indo na prefeitura pedir para que recolham todo esse material que é da gestão anterior. (...) Aqui diz assim: que o plano é para todas as mulheres que moram em Curitiba. ‘Somos muitas, e por isso há opções previstas para mulheres cisgênero, transexuais, travestis, heterossexuais, lésbicas, bissexuais, migrantes, com deficiência, indígenas, negras, ciganas, jovens e idosas, enfim, para todas'. Desculpa, mas não é você querer ser mulher que você vai ser mulher (sic) e tirar a vaga da mulher”.

O Plural entrou em contato com o vereador na tarde desta terça-feira para questionar quem ele contatou na prefeitura de Curitiba. Ele foi informado que o plano está em vigor até o fim de 2026 e que a assessoria da prefeitura negou que o material de divulgação tenha sido recolhido do posto de saúde da Praça Ouvidor Pardinho. Borges disse apenas que sua assessoria jurídica está atuando para retirar o material dos postos de saúde. “Está havendo uma interpretação equivocada. Foi mandado retirar. Porem será observada a normativa para tal e meu jurídico está atuando para viabilizar”, afirmou. O vereador não informou se tinha conhecimento do plano.

O vídeo de Borges termina com uma fala de Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos que aumentou as alíquotas de importação de aço e alumínio do Brasil. Trump (cujo governo deportou brasileiros acorrentados) foi homenageado pelo próprio Eder Borges por meio de uma moção de apoio, no dia 4 deste mês. Na fala divulgada pelo vereador, Trump diz que “só existem dois gêneros, masculino e feminino” – desprezando a existência de Vivian Jenna Wilson, filha trans de um de seus mais famosos bajuladores, o bilionário Elon Musk.

Plano foi feito com participação das secretarias

O Plano Municipal de Política para Mulheres foi coordenado pela Assessoria de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres da prefeitura e feito em conjunto com outras secretarias e o Conselho dos Direitos da Mulher de Curitiba, com participação da sociedade civil organizada e a realização de consulta pública.

O documento descreve as ações, os objetivos e as políticas públicas que a prefeitura já seguia ou pretende implantar até o fim de 2026 para garantir o acesso das mulheres a serviços e programas municipais. O planejamento envolve as secretarias e órgãos municipais e foi apresentado no dia 9 de março de 2023 à Câmara Municipal de Curitiba.

Língua portuguesa em risco

Na sessão da última segunda-feira (17) da Câmara, Eder Borges e outros três vereadores apresentaram uma moção de protesto contra a Universidade Federal do Paraná (UFPR) pela publicação de um vídeo com o uso de linguagem neutra. Também assinada pelos vereadores Guilherme Kilter (NOVO), Carlise Kwiatkowski (PL) e Renan Ceschin (Podemos), a moção foi aprovada pela maioria da Casa.

Além de classificarem o uso de linguagem neutra com uma forma de “ideologia político-partidária”, vereadores de direita argumentaram que estavam defendendo a língua portuguesa. Em sua fala, Eder Borges disse que a UFPR é uma “instituição que devia prezar pela linguagem culta” e que somente “a linguagem culta” deve ser utilizada nas escolas municipais e nos órgãos municipais. 

A postagem de Borges sobre o Plano para Mulheres, entretanto, indica que o vereador não deve achar necessário respeitar a linguagem culta nas redes sociais. Até a manhã desta quarta-feira (19), a publicação em seu perfil no Instagram tinha recebido 1.631 curtidas.

Tags: Paraná

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