Se há vaga, por que há fila de espera? Entenda | Jornal Plural
4 dez 2020 - 16h18

Se há vaga, por que há fila de espera? Entenda

A matemática de quem irá, ou não, para um hospital depende de mais fatores do que apenas leitos livres

Na angustiante espera por uma vaga de internação, não faltam relatos de quem se sentiu deixado para trás. Tem o paciente que está há mais tempo aguardando, mas vê outro atendido primeiro. Há o que parece em pior situação, mas outra pessoa é transferida na frente.

“Não há só uma fila”, explica o médico Pedro Almeida, diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba. Nos 29 municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) uma Central de Regulação faz a distribuição de leitos das demandas de UPAs, do SAMU e de hospitais de baixa complexidade das cidades menores da Região.

Na última quinta-feira, dia 3 de dezembro, essa “fila” tinha 282 pessoas por volta das 20h. Na sexta, dia 4, eram 269 pessoas aguardando leito por volta das 14h.

Esse total, no entanto, não mostra a real situação. “Há diferentes demandas. Você pode ter um leito, mas seu paciente é um homem idoso, além da infecção respiratória, é cardiopata, por exemplo, mas o leito disponível não tem apoio cardiológico”, diz.

Fluxo de atendimento de urgência e emergência. Fonte: Dr. Pedro Almeida

Outra dificuldade tem relação com o sexo do pacientes. Nas enfermarias, há leitos destinados a mulheres e os destinados a homens, isso sem falar nos leitos que são pediátricos.

O que a Central de Regulação faz, explica Almeida, é ponderar a prioridade entre pacientes de acordo com a situação de cada um. Quanto mais grave o quadro, mais no início da fila fica o paciente. Como isso considera pacientes em toda região, o paciente com situação mais grave em um ponto de atendimento nem sempre vai ser o que está sendo priorizado na Central.

Segundo Almeida, essa “fila” funciona sempre assim, mas com a pandemia e especialmente com o aumento de casos dos últimos dias, a dificuldade é que a disputa por vagas ficou mais acirrada. “Antes eu tinha dois pacientes com as mesmas condições. Se surgia uma vaga, ficava só o outro aguardando a próxima liberação. Agora são cinco. Há uma demanda represada“, diz.

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