PR é o terceiro no desmatamento da Mata Atlântica | Jornal Plural
27 maio 2020 - 21h41

PR é o terceiro no desmatamento da Mata Atlântica

No ranking nacional, estado só fica atrás de Minas Gerais e Bahia. Floresta brasileira tem apenas 12% de sua vegetação nativa

O desmatamento na Mata Atlântica do Brasil cresceu 27% entre os anos de 2018 e 2019. Os dados são do relatório “Atlas da Mata Atlântica” e foram divulgados nesta quarta-feira (27) pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Paraná aparece em terceiro lugar no ranking das Unidades da Federação (UF) que mais desmataram áreas do bioma.

O estudo mostra que 2.767 hectares foram destruídos no estado, contra 2.049 entre 2017 e 2018. Só Minas Gerais e Bahia desmataram mais do que o Paraná, com 4.972 hectares e 3.532, respectivamente. Os dois já ocupavam o topo da tabela no ano passado. Dois pontos positivos do ranking foram Alagoas e Rio Grande do Norte que conseguiram zerar o desmatamento em seus territórios

A Mata Atlântica ocupa 15% do território nacional e abrange mais de 17 estados brasileiros. Só o Paraná conta com 2,3 milhões de hectares de todo o bioma. A floresta brasileira conta com apenas 12,4 % da sua vegetação nativa.

De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, esse bioma foi o que mais perdeu vegetação no país até hoje. Os desmatamentos tem acontecido em áreas interioranas e em regiões de Araucárias no Paraná. Essas áreas já foram mapeadas anteriormente, por isso, o poder público poderia atuar para evitar prejuízos para a floresta.

Passando a boiada

O aumento do desmatamento no Paraná está diretamente associado à extração de carvão mineral. No ano passado, a Operação “Mata Atlântica em Pé”, do Ministério Público, interceptou 14 toneladas de carvão vegetal.

A floresta tem 145 milhões de brasileiros, o bioma também abriga 298 espécies de mamíferos, 15.700 plantas, 900 tipos de aves e 350 espécies de peixes. A mata tem 5% de todos os vertebrados do mundo.

No dia 22 de abril, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (sem partido), durante reunião ministerial, disse que como o foco da imprensa está na pandemia do coronavírus, a hora era de “passar a boiada” e aprovar normas polêmicas no Meio Ambiente.

No início daquele mês, Salles emtiu um despacho que pedia a aplicação de regras mais brandas para produtores rurais que desmataram a Mata Atlântica. A ideia era cumprir a promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de “tirar o estado do cangote do produtor”. As medidas são aplicadas aos donos de propriedades onde já funcionavam atividades econômicas desde 2008.

Com um despacho, em 6 de abril, muitos dos desmatadores da Mata Atlântica tiveram as multas anistiadas. Esse perdão atinge 1,4 mil sanções aplicadas aos produtores. O documento de Salles também autoriza que áreas consideradas irregulares e ilegais pela Lei da Mata Atlântica não precisem ser recuperadas. Essa norma é específica para este bioma e regulamenta a proteção da vegetação nativa e o uso da floresta.

De acordo com dados do grupo Mapbiomas – rede colaborativa com especialistas em biomas, uso da terra e em sistemas de tecnologia – 99% do desmatamento realizado no Brasil no ano passado foi ilegal. Com isso, as projeções sobre a destruição dessa floresta, que vêm perdendo a sua vegetação nativa, não são animadoras.

As entidades ambientais têm sido unânimes ao afirmar que a crise climática e a estiagem devem continuar prejudicando a situação da Mata Atlântica e de outros biomas. Nesse sentido, a questão só pode ser combatida com um plano eficiente de fiscalização do Poder Público.

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