Perdi o emprego, e agora? | Jornal Plural
14 out 2020 - 17h16

Perdi o emprego, e agora?

Desemprego em Curitiba foi maior em abril mas ainda preocupa; empreender tem sido alternativa

A pandemia do coronavírus fez com que milhões de brasileiros perdessem seus empregos. O país bateu a marca de 12,7 milhões de desempregados. No Paraná, somente no segundo trimestre de 2020 (abril a junho) foram 564 mil pessoas demitidas. Os números da Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que em Curitiba, nos meses de março, abril e maio de 2020, houve mais pessoas sendo demitidas do que admitidas.

A última vez em que o número de demissões foi maior do que o de admissões, por três meses seguidos, foi em 2017, quando se registrou a queda no ritmo de trabalho por cinco meses seguidos na Capital.

Em março de 2020 foram demitidas 43.843 pessoas em Curitiba. Já a maior diferença entre admissões e demissões neste ano ocorreu no mês de abril, quando 13.723 pessoas foram admitidas e 32.338 demitidas (uma diferença de 135%).

Somente em junho é que o número de admissões voltou a ser maior do que o de demissões, mas a diferença foi muito pequena: 21.363 pessoas foram contratadas e 21.153 perderam seus empregos (diferença de 210 trabalhadores, ou seja, 1%). 

As áreas mais afetadas durante a pandemia foram a de serviços e comércio – o que pode ser explicado pelo fechamento obrigatório de escolas, empresas, locais de lazer, lojas e shoppings, além da suspensão de festas e eventos.

Em agosto, mês em que a bandeira amarela foi decretada em Curitiba, com a reabertura de atividades não essenciais, houve uma pequena melhora no cenário do desemprego. Foram 26.096 admissões e 22.877 demissões, segundo o Caged, mas o desemprego ainda preocupa.

Segundo o presidente do Conselho de Economia do Paraná (CoreconPR), o economista Carlos Magno Bittencourt, a alta no desemprego é reflexo da crise econômica que atinge o Brasil desde 2019, mas que se agravou com o coronavírus. Os desempregados “são indivíduos que poderiam contribuir para a geração de riqueza para o Brasil. O número de pessoas desempregadas significa também ociosidade na estrutura produtiva de uma empresa”, diz ele.

O que fazer

O economista observa que em situações de desemprego é necessário um olhar ainda mais cuidadoso com as obrigações financeiras básicas como “priorizar a aquisição de gêneros de primeira necessidade e o pagamento de contas como energia, água, mercado, farmácia”. Também é importante não deixar acumular dívidas que podem gerar juros muito altos, como cartão de crédito e limite de cheque especial.

Empregados demitidos sem justa causa, com carteira de trabalho assinada, têm direito (após alguns meses de serviço) ao Seguro-desemprego, maior incentivo do governo para pessoas nessa situação. Alguns ainda podem receber o Auxílio-emergencial do governo federal, no valor de R$ 300, benefício estendido até o mês de dezembro de 2020.

Na busca por ajuda, a internet pode ser uma aliada, já que oferece sites de busca de emprego, grupos de vagas em redes sociais e ONG’s – como a Nobis Services e o Instituto Eu Consigo – que podem auxiliar na busca por vagas e no perfil profissional. Pensar em alternativas como a produção e venda de artesanatos e alimentos é uma opção rápida para ajudar temporariamente nas despesas. 

Foi o que fez Guilherme Nóbrega, músico (DJ) que trabalhava em bares, baladas e festas de casamento e debutantes e que, de uma semana para outra, ficou sem trabalho. Os eventos foram todos cancelados antes mesmo do comércio fechar. “Embora eu tivesse uma pequena reserva de dinheiro, comecei a olhar para o cenário mundial e ver que eu precisaria de uma alternativa rápida e eficaz para suprir o dinheiro das festas em que eu tocava”, conta. 

Conversando com a mãe, Guilherme lembrou da época em que o pai vendia empadões e resolveu cozinhar, o que também gosta de fazer. Para ele, cozinhar é uma forma de carinho, que foi de onde surgiu o nome da marca. “Eu escrevia na embalagem do empadão ‘feito com carinho by Gui Nóbrega’ e eu comecei a ver que as pessoas começaram a gostar dessa ideia de fazer a dedicatória, então decidi colocar como a marca dos meus produtos.

Foto: Arquivo pessoal

Guilherme explica que sua maior dificuldade está no público-alvo, formado quase totalmente por amigos e familiares. Com a volta gradual ao trabalho presencial, as pessoas estão comendo em restaurantes próximos aos locais de trabalho. “Agora eu sinto a necessidade de atingir um novo público, o público que não me conhece e que eu gostaria que conhecesse através da minha comida”, ressalta o DJ que virou cozinheiro. 

Empreenda

Para quem decidir exercer uma atividade diferente, o economista Magno Bittencourt lembra que outra alternativa é se transformar num Microempreendedor Individual (MEI). Você pode abrir uma empresa, na qual os impostos são reduzidos, e ainda ficar segurado pelo INSS.

Somente em Curitiba, foram abertas 14.261 empresas de MEIs entre março e setembro de 2020, de acordo com o Portal do Empreendedor, do governo federal. No mesmo período de 2019, foram 13.725 novos MEIs, um aumento de 3,9%. Para mais informações sobre abertura de MEI envie um e-mail para o canal de atendimento mais próximo do seu bairro ou acesse o Portal do Empreendedor.

Vagas

O Plural separou alguns sites com cadastro gratuito para busca de vagas. Confira:

Banco Nacional de Empregos

InfoJobs

Trabalha Brasil

Vagas.com

99Jobs

Indeed

VDEC

*Grupos de emprego no Facebook:

Vagas Curitiba

Empregos Curitiba e Região

Emprego Curitiba

Recrutadores e Selecionadores de Curitiba (somente divulgação de vagas)

Empregos em Curitiba

Empregos – Clube da Alice

Colaborou: Maria Clara Braga

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Um comentário sobre “Perdi o emprego, e agora?

  1. Enquanto prefeito e dono de empresa de ônibus não forem para a cadeia pelo descaso com a vida das pessoas as coisas continuarão nesse caos. Afinal, “ajuda” financeira para os parasitas do sistema de transporte sempre tem.

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