3 nov 2020 - 14h00

Número de divórcios cresceu 13,8% em Curitiba

Dados são de dissoluções de matrimônio consensuais realizadas entre junho e setembro pelos Cartórios de Notas

No último quadrimestre, o número de divórcios consensuais realizados em Curitiba pelos Cartórios de Notas cresceu 13,8%. Em números absolutos, foram 798 dissoluções de matrimônio entre junho e setembro de 2020 contra 701 no mesmo período do ano passado.  

Fonte: Plural.jor

Os dados do Paraná seguem a mesma tendência: houve aumento de 14,3%. Enquanto 3.594 casais se divorciaram este ano, 3.143 fizeram o mesmo processo em 2019.

Fonte: Plural.jor

O crescimento teve início quando os atos notariais de escrituras e procurações puderam começar a ser feitos de forma remota. A autorização nacional foi publicada no dia 26 de maio.

No início da pandemia, o cenário era bastante diferente. O número de atos caiu drasticamente se analisarmos apenas o primeiro trimestre da crise sanitária, de março a maio; a redução foi de 29,4% em Curitiba e 27,7% no Paraná.

“Muitos atos estavam represados em razão da pandemia e do isolamento social, e a autorização para a prática de atos on-line destravou essa barreira”, afirma a presidente do Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), Giselle Oliveira e Barros.

“Eu fechei o escritório físico e venho atendendo a maioria dos clientes por videochamada”, conta a advogada familiarista Damaris Drulla, cuja rotina de trabalho foi positivamente impactada pela medida.

“Atendo muitos casos de divórcios consensuais, poucos litigiosos. E quando acontece, sempre tento entrar em contato com a outra parte para resolver da forma mais tranquila possível. Durante a pandemia, pude adaptar esse serviço porque aumentaram muito as possibilidades de fazer divórcios amigáveis on-line.”

A pandemia separou mais casais?

Se levarmos em conta os dados dos Cartórios de Notas paranaenses durante todo o período de pandemia, ou seja, de março a setembro, dá para dizer que houve redução no total de divórcios consensuais: 4,3% em Curitiba e 5% no Paraná.

Mas além de o acesso ao serviço ter sido dificultado pela crise, causando uma queda brusca nos números em boa parte do ano, um levantamento do Google mostra que, de abril a setembro, a procura pelo termo “divórcio on-line” cresceu 1.150% em território nacional.

O psicólogo Matheus Vieira, especialista em relacionamentos, diz que vê no dia a dia o quanto a quarentena impactou a vida a dois. “Não apenas pessoas em processos de divórcio, mas também tive muita procura de parceiros em relacionamentos estáveis, namoros de longa data, que se separaram”, fala. 

“Na minha visão, nós aprendemos a nos relacionar de forma equivocada. A gente se casa com alguém sem saber exatamente quem a pessoa é, mas a rotina nos anestesia. A nossa vida normal costuma ser tão atribulada que temos a tendência de olhar para fora, não para dentro, e por isso conseguimos manter a ilusão de que a pessoa que está do nosso lado é aquilo que a gente imagina que ela seja”, explica. 

Para ele, a convivência é que mudou as coisas de figura. “Quando a pandemia fez com que os casais tivessem que passar mais tempo juntos, a anestesia acabou. As pessoas passaram a olhar para o parceiro como ele realmente é e foram descobrindo manias, hábitos e cobranças que antes não existiam ou não viam. Eu diria que houve um efeito similar ao da ressaca: uma ressaca amorosa.”

Para outros casais, na experiência dele, o resultado foi justamente o oposto. “Há aqueles que melhoraram a relação na quarentena porque não estavam tão enganados. São pessoas que se conhecem bem, mas infelizmente essa não é a regra. E isso acontece porque o nosso modelo de relacionamento está muito baseado no amor romântico, na idealização.”

Antes da pandemia, Matheus ouvia histórias de amor na Rua XV de Novembro com o projeto Amor no Divã. Foto: arquivo pessoal

A dica do profissional para vencer os desafios impostos pela convivência é apostar no diálogo. “Desarmado, com paciência e empatia. Não para mostrar que está certo, mas para entender como a outra pessoa pode estar certa, quais são os sentimentos dela, o quanto ela pode estar esgotada por conta da própria pandemia ou do trabalho.”

Segundo ele, é preciso entender o outro como um ser humano com uma história pregressa, e não apenas como alguém cuja missão é fazê-lo feliz. “É um momento delicado, que está exigindo muito do emocional de todo mundo. Precisamos construir pontes e não muros. Se a solução for mesmo a separação, que seja por uma via amistosa. E se forem ficar juntos, que consigam reinventar essa relação de uma maneira mais honesta e real.”

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