Educadoras sociais de Curitiba morrem de coronavírus | Jornal Plural
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29 jul 2020 - 13h50

Educadoras sociais de Curitiba morrem de coronavírus

São as primeiras mortes pela doença na categoria. Uma das servidoras estava na ativa e a outra se aposentou recentemente. Sindicato aponta irregularidades na FAS

Educadoras sociais vítimas da Covid

Os educadores sociais de Curitiba estão em luto. Neste 27 de julho, duas servidoras da Fundação de Ação Social (FAS) morreram vítimas da Covid-19. Outro educador aposentado com suspeita da doença também faleceu no domingo (26). Foram as primeiras mortes por coronavírus na categoria. Uma das profissionais estava na ativa e a outra se aposentou em janeiro.

Ela estava internada há 20 dias. Era Marilu Diniz Lucke, de 68 anos, e deu entrada no Hospital Vita Curitiba em 7 de julho. No mesmo dia, publicou a seguinte nota em sua rede social:

“Ah!!! Curitiba linda, a cidade modelo só de nome. Hoje passei vergonha por morar em Curitiba. Aqui temos um Pronto-Atendimento da Covid-19 que só encaminha para fazer o exame, não encaminha para uma consulta. Você faz o exame do cotonete só que o resultado só daqui 15 dias, sem medicação. Quando completar os 15, se a pessoa sobreviver, ótimo. Só Deus na causa. Morre sem saber do que morreu. É assim que se preserva a vida em Curitiba. (…) Cidade modelo, mas ainda anda de carroça na saúde. Vergonha!”

A outra servidora vítima da Covid-19 foi Luciane Garcia Julionel, de 56 anos. Ela era educadora social na Unidade de Acolhimento Institucional São Bento, no bairro Jardim Botânico. Luciane também foi internada no Hospital Vita, na Capital, no dia 18 de julho.

“Infelizmente, minha mãe não teve forças o bastante para lutar contra a Covid-19. Ela lutou até o ultimo. Obrigada a todos pelas orações e palavras de conforto. Que Deus a receba de braços abertos. Ela descansou”, disse a filha, Juliane Julionel, nas redes sociais.

Morte suspeita

Mais um servidor aposentado da FAS morreu nesta semana. Maurício César da Silva, de 52 anos, faleceu em casa, no domingo (26). Segundo o Sismuc, o Samu apontou infarte e a mãe dele foi confirmada com coronavírus; toda família está em quarentena, aguardando o resultado dos exames, que também não saíram ainda. O sindicato diz que Maurício teve sintomas da doença, como perda de olfato e paladar e estava em isolamento com suspeita de coronavírus.

Sindicato relata descaso da FAS

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc) lamentou as mortes e relatou que houve problemas com falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), desinfecção dos locais de trabalho e ausência de testes aos trabalhadores da Fundação de Ação Social (FAS).

“Infelizmente, é a primeira vítima da negligência da gestão do desprefeito Rafael Greca que, ao não disponibilizar os equipamentos de proteção individual (EPI) adequados e não dar condições para medidas coletivas de prevenção à doença nos locais de trabalho, coloca os servidores em risco de contaminação“, relata o Sismuc.

Mesmo com o óbito da servidora, a Unidade de Acolhimento Institucional São Bento ainda não teve desinfecção e os colegas que trabalharam com ela e os usuários não passaram por testes para saber se foram contaminados. É um retrato do descaso da gestão com a vida dos trabalhadores que estão na linha de frente”, afirma o sindicato.

A FAS foi procurada pelo Plural e informou que deve se manifestar sobre as mortes em breve.

FAS

Ao final do dia, a FAS lamentou o falecimento da educadora social Luciane Garcia Julionel e informou que ofertou apoio, orientação e suporte aos familiares, durante o período de internamento e manterá contato e apoio que forem necessários.

A FAS lamentou também o falecimento dos servidores aposentados Maurício Ife e Marilu Diniz Lucke, reconhecendo a dedicação de cada um durante todos os anos de trabalho.

A entidade ressaltou as medidas adotadas para garantir a proteção dos servidores e das pessoas atendidas durante a pandemia. Entre elas, a distribuição de equipamentos de proteção individual (EPIs), máscaras (52,2 mil no total), máscaras escudo-facil (1,6 mil), luvas (67,6 mil) e aventais descartáveis (2,2 mil). Também foram distribuídos álcool em gel (2,6 mil litros), álcool líquido (1,7 mil litros), toucas descartáveis (306), óculos de proteção (68) e escudos de acrílico para mesas de atendimento ao público (276).

“Para a Casa São Bento, foram disponibilizadas ainda botas de borracha aos servidores. A unidade foi sanitizada duas vezes. A primeira delas aconteceu no início de julho, antes da mudança da unidade para o novo endereço onde se encontra desde o último dia 3. E a segunda, nesta quarta-feira (29).”

A FAS diz ainda que realizou a testagem de todos os acolhidos e funcionários da Casa São Bento. Antes da mudança, testagem sanguínea e após a mudança de endereço, testagem com swab. Há “disponibilização de banheiro com chuveiro para funcionários” e “espaço físico adequado ao isolamento social dos usuários”.

A Fundação garante que afastou todos os servidores do grupo de risco, adotou práticas de distanciamento e isolamento dos acolhidos com sintomas da Covid-19 e intensificou a limpeza dos ambientes. Ressalta que foram adotadas práticas diárias de orientação e monitoramento da equipe (como paramentação e desparamentação) e acolhidos. Houve a interdição de espaços de uso coletivo e readequação do fornecimento de refeições para evitar aglomerações e contaminação.

Segundo a FAS, houve orientação à coordenação e equipe técnica quanto aos serviços de acolhimento, suporte emocional e escuta qualificada; e “realização de orientações, escuta e acolhimento das demandas emocionais dos funcionários por parte da coordenação da unidade frente a eventuais desejos de mudança de local de trabalho (não havendo, contudo, nenhuma solicitação de remanejamento)”.

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