Curitiba e PR entram em novo colapso com 380 à espera de internação | Jornal Plural
25 fev 2021 - 19h40

Curitiba e PR entram em novo colapso com 380 à espera de internação

Só na Capital são 139 aguardando vaga em leitos de Enfermaria e UTI Covid

Dois tristes recordes indicam que o Paraná sucumbiu, nesta quinta-feira (25), frente ao segundo colapso desta pandemia. Por volta das 11h, o número de pacientes à espera de internação em leitos de enfermaria e UTI exclusivos para Covid-19 chegou a 380 – o maior até agora. O pico é reflexo direto da lotação nos hospitais, onde estão internadas, neste momento, 3.376 pessoas – outro recorde da crise de Saúde.

Somente a central de leitos de Curitiba e Região Metropolitana (RMC) mostra 139 pessoas na fila por uma vaga; 33 são para UTI, e as demais para leitos clínicos. Da última vez em que a espera atingiu dimensão parecida na Capital e nos municípios vizinhos, pacientes começaram a ser transferidos para o interior.

A situação extrapolou o sinal de alerta. Profissionais da linha de frente relatam um caos generalizado principalmente na Atenção Primária, que costuma funcionar como a porta de entrada dos pacientes no SUS.

Em Curitiba, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estão sobrecarregadas e viraram uma extensão dos hospitais. Conforme mostrou o Plural, pacientes confirmados por coronavírus chegaram a esperar 7 horas por avaliação médica. Com falta de leitos e demoras nas transferências, médicos preveem dias dramáticos para Curitiba – onde, somente nesta quarta (24), a Bandeira Laranja voltou a vigorar, mesmo com os indicadores se agravando há dias.

“As pessoas ficam dizendo que isso aqui pode virar Manaus, mas, na verdade, nós estamos em Manaus e no Amazonas, só que os dados não estão divulgados desta maneira”, alerta o médico Rogério Gomes, professor do departamento de Saúde Coletiva da UFPR.

Para ele, da forma como vêm sendo divulgadas, as taxas de lotação nos hospitais do Paraná passam a falsa impressão de que ainda há capacidade de atendimento, o que pode distorcer a realidade e diminuir aos olhos da população a gravidade do cenário. Mesmo com a síncope do sistema, os índices por região, por exemplo, apontavam nesta tarde para ocupação de 93,36% de leitos adultos UTI no Leste; 90,91% no Noroeste; 85,71% no Norte e 92,52% no Oeste.

“Os profissionais estão falando que, no Estado e em Curitiba, tem pacientes nas UPAs aguardando leito, morrendo. Onde tem respirador, o pessoal está colocando respirador. Então, de fato, a gente já está com o sistema colapsado. E extremamente colapsado, tem muita gente morrendo já por falta de leito”, afirma o médico. “Os dados do portal da transparência mostram que não tem mais leitos e que a gente vai passar a perder dezenas de pessoas por dia agora não só por causa da Covid, mas por causa da espera de leitos.”

A explicação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) é que, mesmo com vagas disponíveis, o manejo de pacientes é complexo e leva em consideração um sistema de fatores que precisam ser atendidos em conjunto. Por isso, nem sempre é possível que os leitos atendam a todos os requisitos ao mesmo tempo, motivo pelo qual podem “sobrar vagas”.

Dados sobre espera para internação em leitos Covid no Paraná

Situação caótica

A pasta, no entanto, reconhece a situação de emergência em que se encontra o Paraná. “Hoje é o dia com a maior quantidade de pacientes simultaneamente recebendo tratamento. Nós estamos no limite da rede. Não há mais como a gente criar serviços novos, não há mais equipes, não há mais capacidade técnica e temos que tomar decisões”, declarou o diretor de Gestão em Saúde da Sesa, Vinicius Filipak.

Desde a última sexta-feira (19), a Sesa criou 74 novos leitos de enfermaria e 35 de UTI no Estado, sendo dez em Curitiba, no Hospital do Idoso Zilda Arns. Mas não tem sido suficiente.

Filipak e outros gestores passaram a tarde em reunião com o secretário da Saúde, Beto Preto, para debater estratégias diante da mais nova crise. Mais cedo, o diretor adiantou a possibilidade de remanejar leitos internos nos hospitais como uma forma de abrandar o caos.

“Talvez tenhamos que redirecionar leitos nos hospitais para atendimento Covid porque o doente que exige tratamento tem que ser atendido, mas isso também tem um limite”, apontou. “Todo os serviços de assistência têm um limite máximo e nós estamos já atingindo o limite máximo em todo o nosso Estado, como em todo o nosso país. Infelizmente, essa situação é extremamente grave.”

Apesar da gravidade do cenário, o Estado não anunciou, até agora, novas medidas de restrição para tentar controlar a curva de casos de infecção, internação e mortes provocadas pela Covid-19. No Sul, tanto o Rio Grande do Sul como Santa Catarina – a quem o Paraná se juntou para debater em conjunto medidas de controle da doença – já estabeleceram regras mais rígidas.

Para os gaúchos, há toque de recolher válido desde o fim de semana passada. A circulação por lá tem que ser evitada das 20h às 5h, medida válida até o dia 1° de março. Em Santa Catarina, a equipe de Carlos Moisés anunciou nesta quarta (24) restrições por 15 dias, em todo o Estado, relacionadas com exposições em praias, ônibus e casas noturnas.

Porém, novas medidas para enfrentar o novo pico de casos – que emerge justamente no momento em que o Ministério da Saúde abriu mão de financiar mais de 600 leitos de UTI exclusivos para pacientes com Covid-19 no Paraná – terão de ser avaliadas diante de cobrança dos Ministérios Públicos Federal, do Trabalho, do Estado e as Defensorias Públicas da União e do Estado.

Em recomendação conjunta encaminhada nesta quinta-feira, os órgãos orientaram que o governo suspenda imediatamente procedimentos cirúrgicos eletivos para garantir estoques de medicamentos a UTIs e emergências e que também “redobre os esforços para promover encaminhamentos de pacientes em situação de urgência e emergência ao competente local de referência”.

O documento solicita também a proibição de eventos com aglomeração e “a pronta adoção de providências referentes à aquisição de vacinas, de forma a acelerar o processo de imunização do Estado do Paraná”. Em Curitiba, a vacinação está suspensa desde o dia 19 por causa da falta de imunizantes e só será retomada nesta sexta-feira (26), após a chegada de novas doses.

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2 comentários sobre “Curitiba e PR entram em novo colapso com 380 à espera de internação

  1. Povo pede misericórdia a Deus, mas esquecem a frase bíblica “Esforça-te que eu te ajudarei” O esforço q fazem é se aglomeraram em bares e beiras de praias,só pensando no próprio umbigo…Os sem noções que fazem o vírus se propagar como fogo na palha!
    O amor ao próximo acabou faz tempo…
    Ser humano já deu o que tinha que dar!

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