Com coronavírus, preço de máscaras em farmácias de Curitiba aumenta 500% | Jornal Plural
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5 mar 2020 - 6h55

Com coronavírus, preço de máscaras em farmácias de Curitiba aumenta 500%

Após confirmação do coronavírus no Brasil, procura acelerada por proteção faz sumir produto das farmácias. Quem ainda encontra, paga cinco vezes mais caro

Apesar de o Ministério da Saúde garantir que não é necessário pânico por causa do coronavírus no Brasil, após a confirmação do primeiro caso, em São Paulo, em 26 de fevereiro – e o mais recente, confirmado nesta quarta-feira (4) – a procura por máscaras cirúrgicas aumentou muito nas farmácias de Curitiba. A maioria delas não tem mais o produto para venda. As que ainda têm, oferecem a um preço cinco vezes maior do que o valor convencional. A prática é considerada abusiva pelo Procon-PR.

Uma caixa de máscaras simples, com 50 unidades, era vendida, em média, por R$ 10. Nas poucas farmácias da Capital e da Região Metropolitana de Curitiba em que ainda há o produto, o custo hoje – conforme apurou o Plural – é de R$ 49,90, com a mesma quantidade. O aumento, segundo as empresas, se deve ao reajuste aplicado pelas distribuidoras, que, por sua vez, culpam a indústria de máscaras. Esta, acusa a falta de insumos pela alta nos preços.

“Várias redes de farmácias informaram que estão com estoques de máscaras zerados ou dificuldade de conseguir o item para a venda. E ninguém se planejou pra essa demanda, até porque, 30 dias atrás a demanda já tinha aumentado e os distribuidores não tinham para entrega. Como o insumo delas é chinês, e o governo chinês restringiu a saída, está em falta. Mas o álcool em gel é uma falta pontual porque tem produção nacional”, explica Sergio Mena Barreto, CEO da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).

“Esta é uma situação atípica em que as pessoas estão vulneráveis, por conta do medo, e alguns fornecedores viram nesse momento uma oportunidade de ganho sem justificativa, o que caracteriza uma prática abusiva, pois não é uma prática normal de mercado”, avalia a coordenadora do Procon-PR, Claudia Silvano.  

Ela destaca que o problema está diretamente ligado à falta de informação das pessoas, que, por medo, acabaram iniciando uma verdadeira corrida atrás de máscaras. “Não há a necessidade do uso desse produto por aqui. A população não precisa comprar máscaras. Se você não tem sintomas, não está próximo de alguém sintomático e não viajou pra áreas de risco, não há razão para o uso. É uma corrida à toa.”

A maior demanda, segundo Claudia, até poderia levar ao aumento de preços em uma situação normal de mercado. “Mas não é o que acontece. Não num momento como esse, em que se aproveitam do medo das pessoas. Essa corrida causa problemas pra muita gente que realmente precisa usar a máscara e não encontra.”

Foi o que houve com o ator, humorista e escritor Fagner Zadra, que necessita das máscaras para uso diário de seus enfermeiros. “Na Internet, a caixa com 50 unidades estava em torno de R$ 14. Agora, a mesma caixa, do mesmo tipo e marca, já está R$ 170, e vai subir. Muita gente não vai ter condições de comprar e, daqui a pouco, quem realmente precisa, nem vai conseguir encontrar facilmente”, ressalta ele, que é tetraplégico.

“Lojistas, farmácias e indústria não têm motivo algum para subirem os preços. O único motivo que vejo é oportunismo, ladroagem e falta de vergonha na cara. Isso deveria ser crime, e o governo deveria fixar um teto máximo no valor que sempre vinha sendo praticado para cada um destes produtos”, acredita Zadra.

Consumidores que se sentirem lesados pelos preços abusivos praticados em Curitiba podem fazer denúncias no Procon, mas para isso é necessário a nota fiscal da compra.

SUS

Nas Unidades Básicas de Saúde e hospitais públicos brasileiros também já há falta de máscaras, o que fez com que o Ministério da Saúde publicasse, na sexta-feira (28), chamamento público para a compra de 20 milhões de unidades. Elas devem ser distribuídas pelo país até o fim do mês.

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