Aumenta número de crianças vítimas de violência em Curitiba | Jornal Plural
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17 maio 2020 - 18h22

Aumenta número de crianças vítimas de violência em Curitiba

Principal hospital infantil da Capital registra 39% de aumento no atendimento à agressão sexual. Meninas e menores de seis anos são os que mais sofrem

Com o isolamento social, cresce o risco de maus-tratos e violência contra menores. É o que mostram as ligações feitas para o telefone 181, o disque-denúncia no Paraná. O Estado registrou aumento de 12% nos relatos de crimes contra crianças e adolescentes de janeiro a abril de 2020, comparado com o mesmo período de 2019.

Os dados são da Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho do Paraná, reforçados com o registro de 171 pacientes atendidos, somente em 2020, no principal  hospital infantil de Curitiba, o Pequeno Príncipe. Os menores foram vítimas de negligência e violências sexual, física e psicológica.

O levantamento do hospital preocupa. Somente em 2019, foram 689 casos de meninos e meninas vítimas de maus-tratos e violência. A maior parte deles (73%) foi no ambiente doméstico. O número é 17% maior do que o registrado em 2018, quando foram 586 registros para este tipo de crime, somente na instituição.

As meninas são as principais vítimas (66%). Em 65% do total de casos atendidos, os pacientes estavam na Primeira Infância, ou seja, tinham até seis anos de idade .

O principal crime cometido contra os menores é o de agressão sexual. Para este tipo de violência, foram 457 atendimentos no Pequeno Príncipe em 2019; contra 329 em 2018. Um aumento de 39%.

Já as agressões físicas diminuíram de 70 para 66 em 2019. As agressões psicológicas foram 4, contra 3 em 2018. Casos de negligência reduziram de 163 para 140 no ano passado, atendidas no Hospital Pequeno Pequeno Príncipe.

Atente aos sinais

Foto: Hospital Pequeno Príncipe

A psicóloga que acompanha os atendimentos na instituição, Daniela Prestes, explica que até os sete anos as crianças não entendem sentidos figurados pois estão exercitando essa linguagem. “Por isso, devemos desmistificar a ideia de que o agressor é um monstro. Por vezes, a dificuldade da denúncia está atrelada a isso. Como um tio querido por toda a família é um monstro? Como o padrasto tão carinhoso com a mãe é um monstro? O primo que promove os churrascos familiares pode ser um monstro?”, observa.

Desta forma, é importante estar atento aos sinais da violência, entre eles: choro excessivo, hematomas de diferentes colorações pelo corpo; fraturas próximas das articulações, em costelas ou crânio; desnutrição; aspecto de má higiene; distúrbios alimentares; medo exagerado; agressividade; irritação.

Em tempos de distanciamento social, a psicóloga lembra que é preciso ficar alerta para fatos que sejam diferentes do padrão da vizinhança de cada casa, como gritos e choro excessivos. Nestes casos, chame ajuda imediatamente.

A denúncia pode ser feita anonimamente, pelos telefones 100, 181 ou, em Curitiba, pelo 156. As ligações são gratuitas. “Muita gente acha que os pais são ‘donos’ do filho. Mas isso não é verdade. É responsabilidade de toda a sociedade proteger essas crianças e adolescentes”, recorda a psicóloga.

Dia de enfrentamento

Esta segunda-feira, 18 de maio, é o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Assista ao vídeo abaixo, preparado por um grupo de voluntários envolvidos nesta causa. E lembre-se: a vítima nunca é culpada. Ela sente medo de contar sobre o abusador, que em geral é um familiar, e está dentro da sua própria casa. “Busque a prevenção, converse e confie quando houver denúncia.”

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