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Cidade em que Lula nasceu acompanha a posse em silêncio

De luto por morte de prefeito, população viu seu cidadão mais ilustre subir a rampa pela terceira vez

Cidade em que Lula nasceu acompanha a posse em silêncio
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A pequena Caetés (PE) - cidade em que nasceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – assistiu à posse de seu ídolo em silêncio. Nas ruas desertas, nada de bandeiras, toalhas, bonés ou qualquer outro adereço alusivo ao presidente que, em 30 de outubro, recebeu 91% dos votos do município. Localizada no agreste pernambucano, a 245 quilômetros da capital, Recife, a cidade nem de longe lembrava, neste domingo (1) a paixão da cidade pelo seu cidadão mais ilustre.

Mas bastava sair da rua e empurrar qualquer porta (sim, as portas ficam abertas) para encontrar famílias inteiras com os olhos cravados na televisão. Em silêncio, para não perder uma única palavra do discurso do presidente. Impossível puxar conversa antes que Lula terminasse seu discurso. “Desculpa, não posso falar agora”, era o máximo que se conseguiria’.

Toda essa emoção só não explodiu nas ruas, explica Edilza de Azevedo, em sinal de respeito à família do ex-prefeito Armando Duarte, falecido no último dia 28, o que levou a Prefeitura a decretar uma semana de luto oficial. Com isso, a festa da posse - com direito a bandas, telão e muita comemoração, acabou cancelada. “O ex-prefeito era muito amado pelo povo de Caetés. Foi uma tristeza, mas não se pode fazer festa estando de luto”, diz Edilza.

O amor da cidade pelo ex-prefeito fica aparente na quantidade de coroas de flores – entre elas a enviada pelo então governador Paulo Câmara – que cobrem quase uma quadra na frente do cemitério local. Na Câmara de Vereadores, uma sessão solene, iniciada às 15h, prestava homenagem ao ex-prefeito e, ao mesmo tempo parabenizava o presidente Lula desejando sucesso na nova empreitada e lembrando a importância de Lula para o país. “Era para ser uma grande festa, mas infelizmente não foi possível”, afirma Roberto Marques da Silva, que fez questão de participar da solenidade na Câmara.

Mas não foi preciso festa para perceber a emoção dos caeteenses. Aos 75 anos, com cinco filhos, dez netos e cinco bisnetos, o agricultor Gilberto Ferreira diz não ter palavras para definir o que sente quando pensa que o primo voltou a ser presidente. O pai de Gilberto, Sergio Ferreira de Melo, era irmão da agricultora Eurídice Ferreira de Melo, dona Lindu, a mãe de Lula.

“Deus existe, minha filha. A gente fica orgulhoso de ter um parente presidente, ainda mais com toda essa luta, presidente três vezes! Mas o que emociona mesmo é a história dele, é ele ter provado sua inocência porque todos nós sofremos muito com tanta coisa que se dizia dele”. Ao lado da esposa, dona Maria Ferreira, e do vizinho e amigo Augusto Lino, Gilberto diz que do primo presidente só espera que ele continue sendo bom para o país. “Nós sabemos que ele será bom para o povo. É o que Brasil precisa, não é?”, afirma.

Ali perto, na Pousada Pão de Mel, de dona Edilza e Djelson Azevedo, o silêncio é total. Terminado o discurso de posse, o casal não se faz de rogado para contar o quanto tem orgulho de Lula. “Nós vendíamos pão de mel e quando Lula esteve aqui, em 2009, levamos uma cesta de presente pra ele. Pois o presidente tirou foto com a camiseta da Pão de Mel, o que nos tornou conhecidos na região toda e, com o apoio do governo ao pequeno empresário, conseguimos crescer e aqui está a Pousada Pão de Mel, um sonho realizado” diz ela, ostentando o cartaz.

Distrito de Garanhuns até 1963, Caetés é uma cidade acolhedora que tem como principal atividade econômica a produção de mandioca, milho, feijão e algodão. Em 30 de outubro, Lula obteve 12.668 votos, o que representou 90,82% do total de votos válidos.

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