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Festival de Curitiba: Cinco peças para gritar “bravo” a plenos pulmões

O Plural fez uma lista com espetáculos que são ótimas apostas nas mostras do Fringe, entre as mais de 280 atrações da programação mais democrática no evento 

Festival de Curitiba: Cinco peças para gritar “bravo” a plenos pulmões
Felipe Moratori e Bruno Quiossa, elenco do espetáculo "Minas impura", em cartaz na mostra Fringe, do Festival de Curitiba. (Foto de: Filipe Fontes/Divulgação.)
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Quem ainda pensa que os espetáculos para aplaudir de pé no Festival de Curitiba estão apenas na Mostra Lucia Camargo, está perdendo a chance de assistir muita coisa boa. O Fringe reúne uma infinidade de artistas talentosos em produções que agradam aos mais diferentes gostos. 

Tudo bem, escolher o que assistir na parte mais democrática da programação do evento não é uma tarefa simples. Enquanto a mostra principal tem 27 montagens em cartaz, aqui estamos falando de mais de 280 atrações, entre opções apresentadas em ruas, teatros e espaços culturais, inclusive fora do Centro de Curitiba e na Região Metropolitana. 

Se você leu até aqui e já ergueu a sobrancelha porque se considera uma pessoa exigente, está na hora de baixar a guarda. É impossível não encontrar algo empolgante entre tantas tragédias, comédias, tragicomédias, textos clássicos, releituras, propostas experimentais, monólogos, textos autorais e montagens inéditas, com artistas iniciantes ou gente com muita estrada no palco. 

Uma boa dica é olhar com carinho para as mostras dentro do Fringe. Elas são organizadas por grupos e companhias que fazem a curadoria do que entra em cartaz a partir de seus próprios repertórios ou da produção de outros artistas. 

E, para encurtar o caminho até uma peça de teatro que faça você gritar “bravo” a plenos pulmões, o Plural selecionou cinco espetáculos de mostras do Fringe que são ótimas apostas. Confira a lista a seguir.

1 - Mostra Cemitério de Automóveis: "Deve ser do caralho o carnaval em Bonifácio”

Comédia dramática, para quem não tem medo do underground e/ou gosta de Plínio Marcos.

A mostra é a primeira grande retrospectiva de repertório da Cemitério de Automóveis – companhia, criada pelo dramaturgo Mario Bortolotto (vencedor do Prêmio Shell por "Nossa Vida Não Vale um Chevrolet"), que completa 43 anos em atividade defendendo a contracultura e ocupando papel de destaque na cena underground arte e do teatro brasileiro. 

No palco, o grupo fala principalmente dos marginais e marginalizados, mas também sobre a solidão e a busca de afeto. A Cemitério de Automóveis foi indicada ao Prêmio Shell na categoria "Inovação", pela manutenção de um espaço de resistência e produção artística em São Paulo, em 2018. 

"Deve ser do caralho o carnaval em Bonifácio”

A trama gira em torno de Bel, uma garota de programa que começa um caso promissor com um francês que quer levá-la para viver com ele na Europa. Elcio, o irmão de Bel, vislumbra a oportunidade de sua vida de conseguir sair do Brasil e fugir da situação miserável em que se encontra, tendo que se sustentar como michê. Um retrato poético e contundente da marginalidade.

Dia 4 de abril, sexta-feira, às 21h, no Miniguaíra (Auditório Glauco Flores de Sá Britto, Rua Amintas de Barros, 70, Centro). 

Ingressos a partir de R$ 20, (meia-entrada), aqui.

2 - Mostra Minas para Ver de Perto: "Minas impura”

Drama, para quem gosta de teatro intimista. 

Realizada pelas companhias mineiras Sala de Giz e Futuros Carecas é dedicada ao teatro intimista, com a proximidade entre artistas e espectadores atuando como chave poética para a encenação. O Lume Teatro é a referência, com criações fundamentadas no trabalho de ator feito para ser assistido de perto. 

“Minas impura”

O enredo de “Minas Impura” tem como cenário uma cidade mineira que cresce verticalmente, onde Lauro e Miguel vivem em uma casa que resiste entre prédios. Com a iminente chegada do pai de Miguel e a descoberta de uma intensa história de amor do passado, o casal se vê diante de uma suposta cabeça de boi enterrada no quintal. É um espetáculo contemporâneo, que aborda complexidades do imaginário mineiro em territórios afetivos de fronteira.

Dia 28/03 de março, sexta-feira, às 20h, no Teatro Novelas Curitibanas (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1.222, São Francisco).

Ingressos a partir de R$ 30, (meia-entrada), aqui.

3 - Mostra Lubi: “Um clássico: Matou a família e foi ao cinema”

Drama, para quem quer assistir algo ousado.

A mostra Lubi: Cama, Cinema e Teatro reúne Giordano Castro (do grupo Magiluth) e Lubi (Luiz Fernando Marques) - dupla que esteve na edição passada do festival com a peça “Apenas o Fim do Mundo" - em uma proposta de experimentação que ultrapassa as fronteiras entre o teatro, o cinema e a intimidade, com reflexões sobre as relações entre o corpo, a narrativa e o espaço cênico. 

“Um clássico: Matou a família e foi ao cinema”

O espetáculo de São Paulo, em um país onde cinemas se transformaram em igrejas pentecostais, explora dois filmes brasileiros com temas homoafetivos, produzidos no fim dos anos 1960. 

No contato entre o cinema e o teatro, o público recria a narrativa, mesclando o que foi filmado com o que acontece ao vivo. São dois filmes, uma peça, duas mulheres, dois homens e um narrador, entrelaçando passado e presente em busca de um futuro mais diverso.

Dias 29 e 30 de março (sábado e domingo), às 16h, na Casa Hoffmann (Rua Doutor Claudino dos Santos, 58, São Francisco).

Ingressos a partir de R$ 15, (meia-entrada), aqui.

4 - Mostra Duo 15 Anos: “Memórias de fogo”

Drama, para lembrar que todo teatro é político. 

A Mostra Duo 15 Anos - Bodas de Resiliência, do Coletivo de Salvador (BA), fundado por Saulus Castro e Jonatan Amorim. O grupo apresenta em suas montagens estéticas teatrais que se aproximam do fantástico, com musicalidade e lirismo, mas também com temáticas político-sociais.

“Memórias de Fogo”

“Memórias de Fogo” é um solo de Saulus Castro (que também dirige e assina a dramaturgia) inspirado na obra “As veias abertas da América Latina” e na trilogia “Memória do fogo”, escritas pelo uruguaio Eduardo Galeano. O espetáculo é uma fábula lírica não-linear, que questiona a ocupação da terra, a exploração natural e humana, a escravidão, as oligarquias e a desmemória investida pelas estruturas de poder no percurso social-histórico das Américas. 

Dia 3 de abril, quinta-feira, às 20h, no Teatro Novelas Curitibanas (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1.222, São Francisco).

Ingressos ‘pague o quanto vale'.

5 - Mostra Mulheria na Alfaiataria: "Mulher, como você se chama?”

Contemporâneo, para ver e aplaudir o teatro feito pelas mulheres daqui. 

A Mostra Mulheria na Alfaiataria apresenta programação criada, produzida e protagonizada por mulheres artistas de áreas híbridas (teatro, dança, performance, música e instalação), que mostram a potência da expressão do corpo, das ancestralidades e da linguagem artística de cada uma. A proposta é levar para a cena o olhar de "mulheria" para o mundo, em diversas corporeidades e manifestações.

"Mulher, como você se chama?”

O espetáculo curitibano é um solo de Janaina Matter, com direção de Maíra Lour; que promove o encontro entre ‘o que já foi’, ‘o que é’ e ‘o que pode ser’. Parte da premissa que falar de muitas mulheres é falar de uma; e falar de uma é falar de muitas, para propor um movimento de fala para chamar toda mulher que já passou por aqui e as que aqui estão, e também seguir em frente com a força e a intuição de todas elas.

De 28 a 30 de março, sexta-feira, sábado e domingo, às 17h30, na Alfaiataria Espaço de Arte (Rua Riachuelo, 274, Centro).

Ingressos ‘pague o quanto vale'.

33º Festival de Curitiba


Data: De 24/3 a 6/4 de 2025
Valores: Os ingressos até R$85 (mais taxas administrativas) e também atrações gratuitas.
Ingressos:  www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).
Verifique a classificação indicativa e orientações de cada espetáculo.
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Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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