Coisas que descobri testando o Amazon Prime Video | Jornal Plural
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23 jun 2020 - 8h57

Coisas que descobri testando o Amazon Prime Video

Os 30 dias gratuitos da plataforma me pareceram uma boa ideia até dar de cara com alguns probleminhas técnicos

Já faz alguns anos que me acomodei à tecnologia dos streamings. Como alguém da geração da internet discada, a possibilidade de acessar um catálogo de filmes legendados e com qualidade de imagem foi bem-vinda. Com a pandemia, e uma necessidade maior de receber produtos em casa, testar os 30 dias gratuitos do Amazon Prime me pareceu uma boa ideia. O pacote inclui frete gratuito em alguns produtos, ofertas e, de quebra, acesso ao catálogo de filmes e séries – o que eles chamam de Prime Video. 

De início, o valor mensal do serviço me surpreendeu por ser pequeno – caso eu resolvesse assinar, pagaria R$ 9,90 por mês. Mas, à medida que fui usando a plataforma, ficou evidente por que o serviço custa muito menos do que outros concorrentes (a assinatura mais em conta da Netflix, por exemplo, sai por R$ 21,90). 

A seguir, as coisas que descobri testando o Amazon Prime Video.

1. Tem propaganda

A lógica natural dos serviços de assinatura é entregar propaganda em suas versões gratuitas (o que ocorre com o Spotify, por exemplo), já que são uma forma de monetizar o trabalho. No Prime Video, você paga e mesmo assim tem ver propagandas da Amazon, sempre no começo de um filme ou de um episódio de série, e também depois de fazer pausas. 

Sabe quando você está assistindo a uma série no celular e sua mãe manda uma mensagem no WhatsApp? Isso acontece comigo. Voltar para o serviço me obriga a perder uns 30 segundos vendo um vídeo de alguma outra série ou filme do catálogo. E o “algoritmo” é burro – as sugestões não têm, necessariamente, nada a ver com os seus interesses. 

2. A classificação de filmes é frustrante

Outra parte bem preguiçosa do serviço da Amazon Prime é a classificação dos títulos por gênero, e as indicações que o aplicativo faz, baseadas no seu perfil. Como alguém que gosta bastante de dramas e de documentários, foi bem frustrante a quantidade de suspenses e filmes de terror que encontrei ao navegar pelas minhas categorias favoritas. 

3. Mencionei que o algoritmo é burro?

As sugestões de “o que assistir a seguir”, mesmo depois de ter montado uma lista, também não se encaixaram dentro dos dados que forneci à plataforma. O algoritmo, nesse caso, não aprende nada.

4. Algumas opções são só dubladas

Quando pago por um serviço de streaming, quero poder escolher entre ver um conteúdo dublado ou com áudio original e legendas – seja um filme, uma animação ou uma série. 

Acontece que vários conteúdos disponibilizados na plataforma não dão essa escolha: há filmes que só podem ser vistos dublados (como “O lado bom da vida”, romance de 2012), e animações com apenas duas opções de áudio, ou mesmo áudio original sem qualquer tipo de legenda – caso do drama “A árvore da vida”, de 2011. Cabe ao assinante escolher a forma com a qual vai sofrer menos. 

5. Traduções malfeitas de títulos e de legendas

Conseguir acesso ao conteúdo em português pode não ser exatamente a melhor das opções. A plataforma é descuidada com as traduções que disponibiliza – seja nas legendas, seja no nome dos episódios (o anime “InuYasha” sofre bastante com essa última opção). 

Em alguns casos, parece que o título original foi traduzido automaticamente por alguma ferramenta, e jogado sem qualquer contexto em um corretor automático de texto (ainda no anime “InuYasha”, a personagem Rin vira o órgão rim). 

Nas legendas, o festival de horrores tem de tudo: nome de personagem com gênero errado, concordância incorreta, variação nos termos usados para se referir às mesmas coisas dentro de uma série específica. 

6. Ferramenta de busca é capenga

O sistema de busca do Amazon Prime também deixa bastante a desejar. É o típico caso em que, se você errar uma única letra na digitação, não consegue achar um título, por mais que ele esteja disponível no catálogo. Boa sorte tentando lembrar a grafia exata daquele filme, ou série, cujo título você não sabe direito como é. 

7. Conteúdos fantasmas

Às vezes, parece que todas as temporadas de uma série ou animação estão disponíveis na plataforma. Afinal, você acessa o título e aparece lá: “5 temporadas”, certo? Errado, se a listagem não estiver com o selo “Prime” o conteúdo não está no serviço (olha o anime “InuYasha” sofrendo aqui pela terceira vez: com cinco temporadas, apenas três podem ser vistas na plataforma). Tente novamente, campeão. 

8. Os prós

Para não falar só dos contras, vale lembrar que a Amazon Prime tem alguns títulos bem bacanas que são exclusivos, feitos pela Amazon Studios. Entre eles, a série “Modern Love”, com a atriz Anne Hathaway; e o filme “A maratona de Brittany”.

Ainda na lista de originais, “Maravilhosa Sra. Maisel” é uma série vencedora de dois Globos de Ouro na categoria de melhor atriz de comédia (para Rachel Brosnahan) e uma vez na categoria de melhor série – musical ou comédia. 

Outra série original, “Fleabag”, foi produzida em parceria com a BBC e venceu o Emmy 2019 e se destaca pelo seu humor britânico. O drama histórico “Peterloo”, de 2018, também é queridinho da crítica, e narra as consequências da batalha de Waterloo

Para quem resolver fazer o teste gratuito, vale também conferir o drama “Querido Menino” (2018), com Steve Carell e Timothée Chalamet, sobre como um pai lida com a dependência química do filho; e o musical “Guava Island” (2019), mais um projeto artístico inusitado de Donald Glover/Childish Gambino.

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Um comentário sobre “Coisas que descobri testando o Amazon Prime Video

  1. Perfeita a avaliação.
    É frustrante assistir um filme dublado perdendo com isso muito da interpretação original. Classificação, algoritmos, ferramenta de busca também deixam realmente a desejar, mas o pior ainda é após encontrar o filme que gostaria de assistir e ver que só tem dublado.

    Parabéns pela análise muito bem feita.

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