Ben Affleck usa a própria experiência como alcoólatra no drama “O caminho de volta” | Plural
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25 Maio 2020 - 21h42

Ben Affleck usa a própria experiência como alcoólatra no drama “O caminho de volta”

Vício do protagonista não é nada cinematográfico, o que acaba tornando o filme ainda mais convincente

Pode-se argumentar que um bom ator não é só aquele que tem talento para enfrentar papéis difíceis, mas também aquele que sabe escolher os papéis que enfrenta.

Em alguns casos, o ator pode até ser limitado, mas, se ele conhecer suas qualidades e limitações, as escolhas têm potencial para serem bem-sucedidas. Este é o caso com Ben Affleck no filme “O caminho de volta”, que deixou de passar nos cinemas por causa da pandemia e estreou há pouco em plataformas de streaming.

Affleck é famoso por ser canastrão e não costuma ter bom senso para escolher os filmes que faz – vide sua experiência como Batman. Porém, de vez em quando, bem de vez em quando, ele acerta.

Pelo que parece ser a primeira vez na sua vida, Affleck usou sua experiência pessoal em “O caminho de volta” para interpretar o ex-jogador de basquete Jack, que foi uma estrela no time de sua escola e agora, com seus 40 e tantos anos, viveu para ser um adulto frustrado e alcoólatra.

Diferente de seu personagem, Affleck é um adulto bem-sucedido, um diretor e produtor premiado com o Oscar pelo filme “Argo” (2012) e um ator de sucesso, ao menos do ponto de vista financeiro.

Alcoólatra

Claro que uma vida boa não é motivo para um alcoólatra não beber. E Affleck bebeu a valer até destruir seu casamento com Jennifer Garner – essa é a história que ele contou em uma entrevista para o jornal “The New York Times”.

O alcoolismo de Jack não é nada cinematográfico, o que paradoxalmente torna o filme mais convincente. Ele não é um bêbado dado a fazer cenas, entrar em brigas e passar vergonhas. Jack bebe sozinho em casa uma quantidade impressionante de latinhas de cerveja. Ele começa o dia tomando uma no banho pela manhã, antes de ir para o trabalho na construção civil.

Quando chega na obra, antes de descer do carro, abastece o copo térmico com gim e segue bebendo ao longo do dia. À noite, pode voltar para casa e terminar o dia bebendo até apagar enquanto vê televisão, ou parar no bar para tomar umas com seus conhecidos. E bebe até o bar fechar e um desses colegas carregá-lo para casa. É um tanto deprimente.

Jack bebe assim não só porque tinha sido um atleta promissor que não deu em nada, mas por causa de uma tragédia familiar que terminou com seu casamento.

Ben Affleck interpreta Jack, um ex-jogador de basquete que viveu uma tragédia na família.

Ele ganha uma segunda chance, ou melhor, ganha uma chance de abandonar a vida deprimente quando a escola em que havia estudado o chama para se tornar o técnico do time de basquete, o mesmo time que ele tornou famoso na juventude.

A situação da escola no campeonato estadual não é das melhores e o time é mais uma piada para as outras escolas do que qualquer outra coisa. Ainda assim, Jack sente que pode fazer uma coisa boa como técnico.

À primeira vista, “O caminho sem volta” tem pinta de ser a história típica do personagem que consegue colocar a própria vida de volta no trilhos, mas o filme (e a realidade) é um pouco mais complexo que isso.

Streaming

“O caminho de volta” está em cartaz nas plataformas do Google Play, AppleTV, Vivo Play, Looke e Now.

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