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Não é de hoje – e nem por falta de alerta 

O desembargador João Pedro Gebran Neto, do TRF4, que foi o relator no processo contra o ex-presidente Lula. Crédito da foto: Sylvio Sirangelo/TRF4
Escrito por Camargo
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Embora não se considere (longe disso) um João Condé, o autor dos famosos Arquivos Implacáveis (não apenas livros, mas uma vasta coleção de documentos raros e inusitados, juntamente com fotos, desenhos e caricaturas), há quem tenha voltado no tempo e recorrido a um texto do Conversa Afiada, blog de Paulo Henrique Amorim. Saiu publicado dia 23 de janeiro do ano passado.

Título: “New York Times encurrala o TRF-4. Jornal invade Porto Alegre na véspera do julgamento”.

Segue o texto do PHA:

– O jornal mais respeitado dos Estados Unidos abre sua seção de Opinião a qualificado analista, sem dar tempo de o Embaixador dos EUA na embaixada do Brasil em Washington poder piar antes do julgamento: Democracia brasileira empurrada para o abismo.

Artigo assinado por Mark Weisbrot, economista e um dos diretores do Centro para Pesquisas Econômicas e de Políticas Públicas em Washington, no The New York Times, analisa a situação da democracia brasileira. Ele abre o texto afirmando que o Estado de Direito e a independência do Judiciário é algo suscetível a mudanças bruscas em vários países. No Brasil, “uma democracia jovem”, o que poderia ser um grande avanço quando o Partido dos Trabalhadores garantiu independência ao Judiciário para investigar políticos, acabou se transformando no oposto, escreve Weisbrot.

Para ele, como resultado, “a democracia brasileira é agora mais frágil do que era logo quando acabou a ditadura militar”. O texto afirma que, às vésperas do julgamento de Lula, não há muita esperança de que a decisão será “imparcial”, uma vez que um dos juízes já afirmou que a decisão de condenar Lula foi “tecnicamente irrepreensível”.

Para o autor, as evidências contra Lula são frágeis e estão abaixo dos padrões que seriam levados a sério, por exemplo, pela Justiça norte-americana. Ele afirma, ainda, que o Estado de Direito no Brasil já foi atingido em 2016 com o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Conclui que o mais importante talvez é o fato de que o Brasil terá se transformado em um país com uma forma mais “limitada” de democracia eleitoral, no qual um “Judiciário politizado” pode excluir um líder popular de uma disputa presidencial.

PS do Plural: o artigo também foi republicado no original – Brazil’s Democracy Pushed Into the Abyss, com um “em tempo” do PHA: se algum desembargador do TRF-4 queria fazer carreira internacional, o New York Times acaba de dizer: bye-bye, baby.

 

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Camargo

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