
Comecei o ano pensando em razões para viver em Curitiba em 2025.
Não tenho planos de me mudar, mas fiquei com vontade de fazer uma lista de coisas que só encontro aqui — e que são importantes para mim.
Gosto bastante de Curitiba, mas talvez por causa do ano novo que começa, me peguei fantasiando a possibilidade de viver em outras cidades, as mudanças possíveis e impossíveis, esse tipo de coisa.
No embalo, em vez de só me ocupar com realidades paralelas, pensei também que poderia reconhecer os aspectos legais do lugar onde vivo.
Mas não queria fazer isso sozinho. Então a ideia é que você também me conte algo de que gosta em Curitiba, algo a que não teria acesso vivendo fora daqui. Se você for a fim de contar, é só responder este e-mail. Para quem recebe a newsletter fora de Curitiba, talvez o exercício seja até mais fácil: quando pensa na cidade, você sente saudade de quê?
Hoje, entrego a minha lista. Daqui a duas semanas, publico outra com uma seleção dos comentários que receber. Vou ser discreto e não citar o nome de ninguém (talvez as pessoas se sintam mais à vontade para escrever?).
Você vai ver que minha lista reflete não só meus gostos, mas também minha vizinhança. Saio pouco de casa e, quando saio, aparentemente, é para comer. Sempre fui mais caseiro do que rueiro, admito. Como não tenho carro e gosto de caminhar, exploro muito os arredores de onde moro, no Centro, pertinho da Rua 24 Horas. Costumo dizer, num tom de desafio, que não há nada que não possa resolver a pé num raio de dez quadras da minha casa. “Que vida simples”, você poderia argumentar, com alguma razão.
Enfim, a lista é bem pessoal e não tem patrocínio de ninguém — eu realmente frequento esses lugares. Aqui vai:
1. O pão italiano do Eduardo Feliz
Saí de um curso de panificação no Senac entendendo que é o forno que separa os pães amadores dos profissionais (e assim acabou minha aventura na panificação). É claro que você ainda pode fazer pães incríveis num forno tradicional, mas não o pão italiano do jeito que eu gosto: cascudo e crocante por fora, macio e aerado por dentro. Imagine que a massa de fermentação natural pode ser perfeita, mas se a temperatura do forno não for alta o suficiente para dar a tostada inicial, o pão vai ficar com uma casca fina e frágil, difícil até de fatiar.
Para mim, o pão italiano feito pelo padeiro Eduardo Freire Feliz e vendido no Lucca Cafés Especiais é perfeito com uma frequência impressionante. E ainda congela bem (em fatias, para descongelar direto na torradeira). Se eu pudesse, viveria de pão. Desse pão.
2. Os cafés do 4beans
Conversando com gente que viaja muito mais do que eu, descobri que não é fácil encontrar um bom café filtrado em algumas das principais cidades da Europa e dos Estados Unidos. Ou comprar café em grãos para moer e filtrar em casa.
Meu palpite é que a cultura dos cafés especiais não se disseminou tanto pelo mundo porque existe uma quantidade limitada de cafés que pode ser considerada “especial”. Além disso, preparar um bom café filtrado demora e dá trabalho.
Em Curitiba, você tem acesso a tanto café bom em tantos lugares diferentes que é de fazer inveja aos hipsters do Brooklyn, em Nova York. De verdade. Tenho um amigo que se mudou para o bairro nova-iorquino no ano passado e que diz sentir muitas saudades dos cafés que comprava em Curitiba. Em particular, dos cafés vendidos pelo 4beans.
É no 4beans que compro meu café favorito, o “Castanha”, descrito como “suave e de baixa acidez”. Não curto muito os cafés encorpados. Às vezes, experimento cafés diferentes, mas volto sempre para o Castanha.
Os donos do 4beans são Otavio Linhares e Hida Lambros. E Otavio, além de cuidar da microtorrefação de cafés especiais, é ator e trabalhou em vários filmes importantes. Sabe qual é o mais recente deles? “Ainda estou aqui”, de Walter Salles.
3. As salas do Cineplex Batel
Apesar de as salas do Cinépolis (no Pátio Batel) serem, na minha opinião, as melhores da cidade em termos de conforto e de qualidade de imagem e som, gosto muito da excentricidade do Cineplex Batel (no Shopping Novo Batel). Ele parece um cinema congelado no tempo, mais especificamente em 1994.
Perdi a conta de quantas vezes peguei uma sessão sozinho, o que para mim é uma honra e um privilégio. Quando eu era piá, os cinemas não faziam isso. Não exibiam um filme só para uma pessoa. Era preciso vender pelo menos cinco ingressos para pagar as despesas envolvidas na sessão.
Infelizmente, a projeção do Cineplex é escura e isso tem a ver com a falta de manutenção dos projetores. Mas eles compensam com a programação. Arrisco dizer que nenhum outro cinema da cidade, à exceção do Cine Passeio, tem uma programação tão boa quanto.
Agora, se você quiser compartilhar uma ou mais razões para viver em Curitiba em 2025, é só responder este e-mail.
Até a próxima!
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A foto que abre esta newsletter mostra grãos de café torrado e o crédito é de Kyrylo Kalugin/Creative Commons.
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“Singular”, a newsletter de cultura do Plural, é exclusiva para assinantes do jornal e escrita por Irinêo Netto.