Num momento em que notícias de violências contra as mulheres e feminicídios assustam o país e uma mobilização nacional de mulheres é convocada, a Ordem dos Advogados do Brasil - Subseção Londrina (OAB Londrina) chama a atenção da outra ponta desse fenômeno: os homens. Neste sábado, a entidade promove uma mobilização no Calçadão de Londrina, a partir das 9h, com a distribuição de cartilhas e outros materiais informativos.
"Trata-se de uma iniciativa de orientar os homens para que não se tenha violência e, principalmente, para assumirem uma postura contra a violência. Não adianta ficar inerte, tem que fazer alguma coisa. Se souber de alguma situação, tem que ter a iniciativa de evitar, em qualquer espectro", defende o secretário-geral da OAB Londrina, Marcos Ticianelli.
De acordo com ele, a OAB Paraná, alinhada com o entendimento nacional, já vinha mobilizando suas subseções no sentido de promover os atos durante a Campanha Laço Branco, compreendendo a responsabilidade da entidade diante do problema social da violência de gênero.
"Eu creio que a OAB tem duas frentes: a primeira é a jurídica. A OAB tem natural interesse que essas questões jurídicas estejam sendo efetivas. Mas mais do que isso, existe o papel de social, especialmente quando se fala da proteção de pessoas. A OAB é bastante ativa, por exemplo, na proteção de idosos, de crianças e adolescentes, e é importante socialmente que haja uma participação mais direta da OAB nesse fenômeno terrível que é a violência de gênero", pontua.
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Números assustam
Com a convocação do ato, a OAB Londrina divulgou números assustadores de violência contra as mulheres em Londrina. Somente em 2025, 3.243 novos casos de violência de gênero deram entrada na Justiça, totalizando 6.432 processos em tramitação. No mesmo período, foram 3.723 medidas protetivas solicitadas, com 2.035 concedidas, e tempo médio de apenas três dias entre o pedido e a primeira decisão judicial.
A cidade também registrou cinco novos casos de feminicídio no ano , um indicador extremo da escalada da violência. Os dados são do “Painel Violência contra a Mulher”, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e compreende o período de janeiro a outubro de 2025.