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Após dizer que mulher morreu de overdose, marido vai responder por feminicídio

Roseli Machado Clementino foi encontrada morta no banheiro de casa, em Londrina; Luciano Borges Vieira está preso

Após dizer que mulher morreu de overdose, marido vai responder por feminicídio
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Áudios enviados por Roseli Machado Clementino, 32 anos, reforçam a suspeita de feminicídio contra seu marido, Luciano Borges Vieira, 42 anos. As conversas reveladas pelo portal Tarobá News comprovam agressão física e ameaça de morte contra a vítima. Roseli foi encontrada morta no banheiro de casa na manhã de domingo (11), na zona Leste de Londrina, e o marido alegou que ela teria sofrido overdose. O laudo, porém, apontou múltiplas lesões e hemorragia interna.

Segundo o delegado da Polícia Civil Magno Miranda testemunhas comprovaram que a mulher sofria constantes agressões físicas. Somam-se às investigações os áudios gravados por ela. Em um deles, Roseli relata os reflexos da agressão:

“Eu tô aqui no quarto fechado, quietinho, não tô aguentando nem andar. Hoje também se eu apanhar, eu morro, eu não tô aguentando mais. Deus me abençoe.” Em outro áudio, a ameaça do acusado: “Você vai morrer que nem burro, na pancada...no pau. Mas você vai morrer...Fim de ano agora é propício pra matar as pessoas.”

Roseli é a primeira vítima de feminicídio em 2026 em Londrina e deixa três filhos, de 3, 6 e 8 anos.

Roseli em foto de arquivo de família

Violência anunciada

Néias-Observatório de Feminicídios de Londrina reforça que as provas demonstram o grau extremo de violência, controle e crueldade que antecedeu o feminicídio de Roseli. Para a associação, não se trata de um ato súbito ou imprevisível, mas de uma violência anunciada, reiterada e negligenciada.

“Este caso evidencia, mais uma vez, um dos aspectos mais perversos da violência de gênero: mesmo quando os riscos são identificáveis e as ameaças são explícitas, muitas mulheres não conseguem encontrar saídas efetivas. O medo, a dependência econômica, o isolamento, a descrença na proteção institucional e a insuficiência das redes de apoio aprisionam mulheres em um ciclo de violência que se intensifica até o desfecho letal.”

Néias reforça que “não basta reagir após a morte”. “É urgente fortalecer políticas públicas de prevenção, proteção e responsabilização, garantindo respostas rápidas e eficazes diante de ameaças, rompendo com a lógica de tolerância à violência doméstica e de gênero.”

Cecília França

Cecília França

Jornalista há 20 anos, é especialista em Direitos Humanos.

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